Coluna

Luciano Alabarse: O abismo

O processo eleitoral brasileiro e o sectarismo atual

22/09/2016 - 06h11min | Atualizada em 22/09/2016 - 06h11min

Crimes e impunidades mancham de sangue ruas outrora pacatas. O medo mostra sua cara mais feia. Milhares de pessoas cobram soluções para simplesmente poder viver suas vidas em paz. Autoridades desacreditadas deixam a desejar. O sectarismo se mostra afiado.

Sectarismo é o outro nome da intolerância. De direita ou de esquerda. Certezas enfurecidas ampliam nossa beligerância. O Brasil rachou. O mundo corre perigo. No ponto mais óbvio desse raciocínio, estão facções terroristas que ameaçam países e democracias. Na ponta mais sutil, adeptos partidários que se negam à autocrítica. Qualquer argumento contrário à convicção de um militante sectário aparece como traição ideológica.

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A propaganda eleitoral é pífia. O nível de alguns vereadores, canhestro. Propostas primárias, a crônica de um fracasso anunciado. Nossos candidatos à prefeitura, por outro lado, menos histriônicos e melhor preparados, exageram ao propor soluções para crônicos problemas municipais. Proliferam redundâncias. Vendem-se sonhos. Apelos sentimentais descabidos soam melosos. O eleitor enxergará tudo isso?

Se alguém me perguntasse "que coluna é essa?", eu responderia: a coluna de um homem preocupado com o futuro, que dedica sua vida à cultura – mas que não vê a cultura local devidamente valorizada. Isso precisa mudar. Urgentemente. Política cultural não é favor. É dever. Sem uma política cultural potente, não haverá a cidade melhorada que todos queremos. Sem verbas decentes, apoio à produção e manutenção dos equipamentos culturais, teremos sempre uma Porto Alegre indigente. O abismo é logo ali. O breu também.

Cinco esquinas, o último romance de Mario Vargas Llosa, passa a limpo os tempos de Fujimori no poder. Iluminando práticas e falcatruas sensacionalistas, Llosa é politicamente devastador. O peruano não perdeu a mão. Excepcional contador de histórias, escreveu um livro à altura de seu merecido prêmio Nobel.

P.S.: O velho Chico gostou tanto do Domingos que o chamou. E ele foi.

 
 
 
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