Cinema brasileiro

"Sempre acreditei em Pequeno Segredo para dialogar com o Oscar", conta David Schurmann

Diretor falou com o DC após o anúncio de que o longa catarinense foi escolhido o filme representante do Brasil na disputa pela indicação ao Oscar de filme estrangeiro em 2017

Por: Yasmine Holanda Fiorini
12/09/2016 - 16h12min | Atualizada em 13/09/2016 - 10h17min
"Sempre acreditei em Pequeno Segredo para dialogar com o Oscar", conta David Schurmann Diorgenes Pandini/Agencia RBS
Foto: Diorgenes Pandini / Agencia RBS

— Que loucura!

Foi assim que o cineasta David Schurmann atendeu o DC na tarde desta segunda-feira, momentos após o anúncio de que o longa catarinense Pequeno Segredo, dirigido por ele, foi escolhido o filme representante do Brasil na disputa pela indicação ao Oscar de filme estrangeiro em 2017.  

Filme catarinense "Pequeno Segredo" é o indicado brasileiro ao Oscar

— Esperava sim ser escolhido, claro. Sempre acreditei no filme para dialogar com uma premiação como o Oscar, senão a gente nem teria se inscrito. O que começou a confirmar o que antes era um sonho distante foi quando começamos a mostrá-lo para produtores e distribuidores lá fora, e todo mundo falava: esse filme é a cara do Oscar. Quando começamos a ter esse feedback, comecei a acreditar mesmo — conta o diretor. 

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O longa é estrelado por Julia Lemmertz, Maria Flor, Marcello Antony, a estreante Mariana Goulart e os internacionais Fionnula Flanagan e Erroll Shand, teve cerca de 75% das cenas filmadas em Santa Catarina entre outubro e novembro de 2014. A obra é baseada na história real da pequena Kat, portadora do vírus HIV, que foi adotada pela família Schurmann. A menina morreu em 2006, e a história inspirou também o livro best-seller Pequeno segredo: A lição de vida de Kat para a família Schurmann (2012), escrito pela mãe Heloísa Schurmann.  

— O filme conta uma parte da vida da Kat e a relação dela com a Heloísa, que é uma coisa totalmente mágica, conta a história dos pais biológicos Robert e Jeanne, e da Barbara, a avó biológica. Vai na linha de Babel e de Crash,com histórias em paralelo que em um determinado momento se encaixam. Não é um filme de biografia tradicional. 

David é o filho do meio de Heloísa e Vilfredo, mas ele garante que, apesar de ter contado uma história importante na vida da família, consegue manter o profissionalismo.

— Como trabalho com minha família há alguns anos, tenho um exercício de distanciamento. Meus pais nem assistiram ao filme ainda, queria contar a história da minha forma. Em dois momentos eu me emocionei: quando gravamos o último aniversário da Kat e no dia seguinte veio na minha cabeça que tínhamos recriado um momento super especial. Chorei a manhã inteira, foi como um portão que se abriu — relembra o diretor, que conta ter chorado novamente durante a composição da trilha sonora. 

— Consegui trazer momentos íntimos e verdadeiros pra dentro do filme, que era uma coisa que eu queria para meu primeiro longa. Levar essa intimidade pra história.  


Nas redes sociais, houve reclamações em relação ao fato de o filme não ter estreado ainda. Alguns internautas também acusaram Aquarius, longa de Kleber Mendonça Filho que era o favorito na disputa, de ter sido boicotado. 

— Acredito que ele é um filme que se comunica muito bem com Cannes, mas Pequeno Segredo se comunica de uma forma melhor com a Academia, tem mais a cara do Oscar. Aquarius é um filme mais denso e artístico. Sobre a estreia, entendo que as pessoas ainda não viram o filme, mas no dia que elas o assistirem elas vão entender. 

O filme estreia em circuito restrito no dia 22 de setembro e chega com maior distribuição nos cinemas brasileiros em novembro, ainda sem data definida. Antes da decisão sobre qual seria o filme representante do país, houve uma forte campanha nas redes sociais. O trailer teve mais de 1 milhão de visualizações em menos de 72 horas.

Também estavam na disputa outras produções como Chatô – O rei do Brasil, de Guilherme Fontes, Nise – O coração da loucura, de Roberto Berliner, e O roubo da taça, de Caíto Ortiz.


 
 
 
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