Caxias do Sul

Surdos fazem protesto em frente a cinema e pedem filmes legendados

Na próxima terça-feira, Câmara de Vereadores vota projeto que torna obrigatória a inclusão de, pelo menos, uma sessão com legenda por dia

Por: Mauricio Tonetto
03/09/2016 - 17h03min | Atualizada em 03/09/2016 - 17h48min
Surdos fazem protesto em frente a cinema e pedem filmes legendados Mauricio Tonetto/Agência RBS
Vestindo camisetas com a frase "Legenda para quem não ouve, mas se emociona", os participantes do ato dialogaram com o subgerente do Cinépolis Foto: Mauricio Tonetto / Agência RBS  

Um grupo de aproximadamente 30 pessoas, a maioria deficientes auditivos, protestou na tarde deste sábado em frente ao Cinépolis do shopping San Pelegrino, em Caxias do Sul. Eles fazem parte de um movimento nacional que pede que os filmes exibidos em salas de cinema tenham legendas, e as apresentações de teatro sejam traduzidas por intérpretes. 

Vestindo camisetas pretas com a frase "Legenda para quem não ouve, mas se emociona", os participantes do ato dialogaram com o subgerente do Cinépolis, que assegurou que a empresa vai analisar o pedido. Na próxima terça-feira, dia 6, a Câmara de Vereadores de Caxias deve votar um projeto de lei de Rafael Bueno (PDT), que insere normas no Código de Posturas do município para tornar obrigatório a disponibilização de, no mínimo, uma sessão com legenda, mesmo em filmes nacionais e animações.

Leia mais:
Rosilene Pozza: boa notícia para a comunidade surda de Caxias
Caxias do Sul recebe Festival de Cinema Acessível

— Vir para a frente dos cinemas é um jeito de as pessoas verem isso que solicitamos. Perdemos momentos de lazer (devido à ausência de legendas em diversas obras). Temos de esperar os DVDs, mas queremos os filmes na hora em que são lançados. É respeito e acessibilidade para todos — afirma Carilissa Dall'Alba, 31 anos, professora de Libras da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

A acessibilidade, neste caso, inclui também idosos que gradualmente vão perdendo a capacidade de escutar e enfrentam dificuldades para acompanhar um filme dublado, por exemplo, e famílias como a de Aline Cardoso da Silva, 43 anos, que tem dois filhos surdos e precisa ficar a sessão inteira traduzindo o que acontece no telão.

— Eles também têm direitos, votam e pagam impostos, como qualquer cidadão. É tão fácil, só colocar um horário específico. Eles querem o momento deles de lazer e cultura, mas ficam restritos — diz Aline.

Em 2015, uma comissão do Senado aprovou um projeto que "altera a Lei nº 10.098, de 19 de dezembro de 2000, para instituir a obrigatoriedade da apresentação de obras cinematográficas adaptadas para pessoas com deficiência auditiva ou visual, com a utilização do recurso da audiodescrição e da legendagem em português em filmes nacionais". A matéria ainda está em tramitação na Casa.

 
 
 
 
Zero Hora No jornal Zero Hora você encontra as últimas notícias sobre esportes, economia, política, moda, cultura, colunistas e mais.