Evento

Festival celebra a cultura e a mitologia viking em Charqueadas

Viking Festival reuniu entusiastas da cultura escandinava com comidas, bebidas, esportes e danças

15/10/2016 - 20h01min | Atualizada em 16/10/2016 - 17h04min
Festival celebra a cultura e a mitologia viking em Charqueadas Camila Domingues/Especial
Vikings tomaram conta de Charqueadas durante um dia de festividades para honrar chamado do rei Foto: Camila Domingues / Especial

Um urro. E um martelo de madeira, do tamanho de uma melancia, é arremessado por um sujeito de saiote, com o corpo pintado e sem camisa. O instrumento gira no ar e se espatifa no chão. A multidão ao redor comemora, brindando com chifres cheios de bebida. Ao lado, outra turba vibra por guerreiros que brandem machados e espadas uns contra os outros. Perto dali, arqueiros fincam setas em alvos coloridos.

Três garotos, vestindo longas capas e pesados cinturões de couro, apontam para a arena e comentam:

– O rei está realmente triste pela morte do filho, mas mesmo assim fez essa festa toda. Tá bonito.

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O episódio narrado acima não saiu de um livro de histórias escandinavas do passado: trata-se do Viking Festival, evento promovido pelo coletivo Epic! Festivals, que pelo terceiro ano celebra a cultura medieval em Charqueadas, na Região Carbonífera. E, a exemplo das edições anteriores, o festim não acorre por mera obra do destino – ou quase isso. Durante todo este sábado, clãs de diversas partes do norte do mundo se reuniram para celebrar a entrada de Jorikison Hakkar, filho do conquistador viking Joriki Hakkar, no Valhalla (lugar para onde vão aqueles que são mortos em combate, segundo a mitologia nórdica).

Guerreiros combatem durante um dos eventos competitivos do Viking Festival Foto: Camila Domingues / Especial

Ocupando quase todo o Parque de Eventos de Charqueadas, cerca de 500 integrantes de orgulhosas tribos desfilavam indumentárias que ostentavam suas cores e intenções. Até mesmo seres mágicos, como elfos de orelhas pontudas e druidas de grossas túnicas e ornamentos místicos, compareceram. A maior parte respeitou o chamado do rei e vestiu suas melhores peles vikings. Outros, como os amigos e entusiastas da cultura medieval Gabriel Pittigliani, Fabio Wood, e Pedro Armiliato, todos na faixa dos 20 anos, representaram os bretões usando kilts.

– A gente pesquisou muito antes de fazer nossas roupas, não amarramos simplesmente uns panos por cima da gente – explica Fabio. – É uma maneira de celebrar a nossa herança europeia.

Arquearia estava entre os esportes praticados pelos convidados Foto: Camila Domingues / Especial

O trio não iria participar de nenhuma das competições, reservadas, em sua maior parte, aos clãs. Além do lançamento de martelo e arquearia, estavam previstas disputas de arremesso de machado, combate tático e o aguardado lançamento de gnomo – que apesar do nome, envolvia atirar um toco de madeira, para alívio das criaturazinhas místicas.

Coberto por um manto de feltro verde, segurando um cajado e adornado por colares de pedras, Börk (único nome fornecido pelo mago nórdico) veio com seu clã única e exclusivamente para honrar o chamado do rei Joriki. Disse não se interessar por duelos de força física, preferindo estudar os mistérios das runas arcanas.

Arremesso de martelo, uma das modalidade mais ovacionadas pelo público Foto: Camila Domingues / Especial

– Meus dois irmãos irão desembainhar suas espadas pelo nosso clã. Eu, não. Eu me juntarei aos meus ancestrais em pensamento quando o sol se puser e as primeiras fogueiras forem acesas – declarou, certificando-se de que cada palavra dita havia sido anotada.

Como em qualquer festim viking, não faltou bebida – servida à vontade para os convidados, que podiam escolher entre um concentrado de cevada artesanal (conhecido fora dos limites do acampamento como chope), vinho, vodca e suco. Para comer, sanduíches de carne de porco, pães artesanais e sopas. 

Armeiros levaram algumas de suas criações ao festival, como espadas, machadinhas e até martelos Foto: Reprodução / Divulgação

Em outra área, artesãos comercializavam de tudo – de hidromel a armas, passando pelos copos em formato de chifre (um dos grandes hits do festival), tatuagens definitivas, roupas e acessórios. Logo ao lado, bandas se revezavam para animar os presentes com repertório de música folclórica medieval.

Uma da belas peças de artesanato expostas na feira de artesãos do acampamento viking Foto: Reprodução / Divulgação

A celebração estava prevista para seguir até o final da noite do sábado, mas os guerreiros e guerreiras que já haviam montado suas barracas indicavam que, se dependesse deles, Jorikison Hakkar só atravessaria de vez os portões do Valhalla quando o dia amanhecesse. Nada que ele, como um legítimo viking, pudesse desaprovar.


 
 
 
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