The New York Times

Hugh Laurie aceita mais um papel de médico em uma série 

13/10/2016 - 16h59min | Atualizada em 13/10/2016 - 16h59min

Com o espectro de Gregory House ainda pairando sobre ele, a reação inicial de Hugh Laurie a interpretar outro médico na série ¿Chance¿, do canal Hulu, foi como um bisturi afiado.

¿Parei e pensei: Hum, bem, é uma pena – não vai acontecer, pelo menos não comigo¿, disse. Mas, depois de ler os roteiros adaptados do romance de Kem Nunn, com um toque de ¿Um Corpo que Cai¿, de Hitchcock, sua preocupação pareceu irrelevante. ¿Se eu interpretar dois médicos em minha vida, não acho exatamente que caí em um gênero do qual não posso sair.¿ (A série começa a passar em streaming dia 19 de outubro.)

Como Eldon Chance, Laurie é um neuropsiquiatra forense em um caminho emocionante para o autoconhecimento, tentando resgatar uma paciente sedutora (Gretchen Mol) de seu marido abusivo. Com a ajuda de um Yoda militarista (Ethan Suplee), Chance toca no assunto do vigilantismo e talvez em sua própria doença mental, enquanto tenta responder à questão ¿Quem sou eu?¿.

¿Ele precisa descobrir como sua personalidade é composta, o que na verdade o faz ser quem é e quanto disso é descartável. É uma questão infinitamente fascinante para nos perguntarmos e também para examinar na ficção¿, disse Laurie, de 57 anos.

Em uma entrevista por telefone de um hotel em San Francisco, ele falou sobre o cérebro humano e as recentes séries de que participou: ¿Veep¿ e ¿The Night Manager¿. A seguir trechos editados da conversa.

Pergunta: Já vi os primeiros cinco episódios e¿

Resposta: Meu Deus, você viu? Eu não. Acho muito estranho me assistir e é difícil manter um olhar desapaixonado sobre a coisa. Mas também, você já me viu no chuveiro, por assim dizer. É estranho para nós dois.

P: Você estava procurando por outra série depois de ¿House¿?

R: Não, estava agressivamente sem procurar nada, na verdade. Fiz isso por mais tempo do que o que levaria para me qualificar como médico. E acabei, depois de oito anos, não conhecendo mais de medicina do que quando entrei nela. Na verdade, meu pai era médico. E se é verdade que a maioria dos homens está meio que procurando se tornar uma versão de seu pai – e falhando, por sinal – parecia apropriado que eu acabasse sendo uma versão falsa de um médico.

P: Chance tenta responder à pergunta ¿Quem sou eu?¿. Isso passa pela sua cabeça quando você está interpretando o personagem?

R: Com certeza, constantemente. Acho que a neurociência é uma das avenidas mais excitantes de exploração que ainda temos aberta. Já visitamos a lua, subimos o Everest, e James Cameron foi para o fundo da Fossa das Marianas. Mas nem cruzamos o limiar da compreensão de como o cérebro funciona e o que a consciência humana realmente é – que parte dela compreende a mente, a alma, todas essas pequenas palavras que inventamos para definir o indefinível.

P: Você vai voltar como o senador Tom James na sexta temporada de ¿Veep¿?

R: Não sei. Eu fico sentado como uma espécie de princesa desamparada esperando que uma pomba pare na minha janela com uma mensagem.

P: Tom James era muito mau, mas você também recebeu uma indicação ao Emmy interpretando um personagem descrito como o pior homem do mundo em ¿The Night Manager¿.

R: Acredite ou não, na verdade tentei conseguir os direitos do romance quando ficaram disponíveis. Sou um grande admirador de le Carré. Pensei comigo: isso precisa estar na tela. Posso ver cada quadro dele; posso ouvir e sentir. Mas já tinha sido agarrado. E na época, serei honesto, era jovem e me imaginei no papel do gerente da noite. Mas os anos passam, o cabelo cai, e você se vê interpretando o pior homem do mundo. Assim é a vida.

P: Depois de tudo dito e feito, você descobriu quem é?

R: Claro que não. Não tenho a menor ideia.

* Kathryn Shattuck

 
 
 
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