The New York Times

Melissa Etheridge promove seu novo álbum 

Por: The New York Times
19/10/2016 - 18h10min | Atualizada em 19/10/2016 - 18h10min

Como uma estrela do rock começa a noite? Colocando o aparelho auditivo.

"Sei que as pessoas estão falando. Só não sei o que estão dizendo", disse Melissa Etheridge, 55 anos.

"Mãe", disse em tom reprovador Bailey Cypheridge, 19 anos. "É ruim."

Melissa riu; sua risada é em staccato. "Ha! Ela está certa", disse dando de ombros.

Melissa, que vive em Hidden Hills, na Califórnia, havia chegado a Nova York para promover seu novo álbum, "Memphis Rock e Soul", que gravou em homenagem à lendária Stax Records, nessa cidade sulina. O álbum inclui "Hold On, I¿m Coming", seu cover de Sam e Dave, e "I've Got Dreams to Remember", de Otis Redding.

Usando uma camiseta preta, calça jeans e botas pretas, além de óculos de aviador azulados, Melissa estava sentada no sofá do apartamento de Manhattan, originalmente alugado por sua esposa, Linda Wallem, criadora da série do Showtime "Nurse Jackie".

Essa foi uma pausa em um longo dia que iniciou com a participação matutina em "Live with Kelly" e se encerrou com outra, noturna, no "Late Show With Stephen Colbert". Ela comia um delivery do Cookshop, restaurante do bairro, e assistia ao debate dos candidatos à vice-presidência dos EUA com Bailey, que está no segundo ano da Universidade de Columbia e é estagiária da campanha de Hillary Clinton.

Alguns minutos antes de começar o debate, a televisão estava sintonizada na CNN, sem som, enquanto Melissa comia um peixe assado e uma salada e filosofava sobre sua dieta piscitariana, sem leite e sem glúten. Ela foi diagnosticada com câncer de mama em 2004, mas disse que agora está livre da doença há 12 anos e acredita que a dieta desempenha um papel crucial na manutenção da sua saúde.

"Para trabalhar no nível que quero trabalhar, ser relevante, fazer música e apresentar shows dignos, tenho que cuidar de mim. É como ser atleta. É alimentação, é sono, é cortar o rock 'n' roll de tudo."

Ela depende de seus filhos para se manter atualizada em outras áreas, como na mídia social.

"Você está indo bem; todos os meus amigos te seguem", disse Bailey. Ela critica a mãe quando necessário.

Por exemplo, os posts sobre quebra-cabeça: "Ela me disse que tenho que parar de tuitar sobre os quebra-cabeças que monto porque 'não é legal'."

Além disso, a filha diz que ela precisa controlar os posts sobre o Kansas City Chiefs. "Mas eu amo os Chiefs", disse Melissa.

"É a única hora que ela se interessa por homens", disse a filha. A mãe respondeu com outro "Ha!".

O último nome de Bailey, Cypheridge, é uma mistura dos de suas mães: Etheridge e sua ex-parceira, Julie Cypher. Juntas, elas também têm um filho, que está no ensino médio. Eles foram gestados por Julie com doação de esperma do músico David Crosby – "pai biológico", como as crianças o chamam. Com sua ex-esposa Tammy Lynn Michaels (que concebeu com o esperma de um doador anônimo), Melissa tem dois outros filhos, gêmeos de nove anos de idade.

Depois de passar por essas separações, incluindo uma batalha de custódia com Tammy Lynn, Melissa sente empatia por amigos que vivem experiências semelhantes. E é propensa a compartilhar seus sentimentos publicamente quando perguntada, que é o tipo de coisa que acontece quando se está em uma turnê de imprensa promovendo um álbum novo, o que de fato aconteceu com ela, no dia anterior.

No dia 3 de outubro, ela apareceu no programa de Andy Cohen na rádio SiriusXM, e ele lhe perguntou o que pensava sobre a separação de Angelina Jolie e Brad Pitt. Melissa e Pitt eram amigos próximos, anos atrás, e ela o defendeu. Seus comentários foram reproduzidos por publicações como Vanity Fair e The New York Post.

"Só o fato de eu pensar em Brad Pitt parece um evento internacional", disse ela. Mas, claro, não só pensou nele; ela falou. "Muito tempo atrás, disse a mim mesma que iria responder todas as perguntas que me fizessem. Isso me força a ser verdadeira, ser eu mesma."

Antes de o debate começar, ela disse que as manchetes sobre Angelina e Brad a incomodavam, pois a lembravam da tristeza que sentiu como mãe quando seus relacionamentos terminaram. "Você sabe que, dali para frente, vai perder metade do tempo que passa com as crianças e isso machuca", disse ela.

Enquanto Melissa falava, a filha ouvia, ao mesmo tempo em que ficava de olho na TV e no seu celular. Quando o debate finalmente começou, ela dobrou suas longas pernas no sofá, perto da mãe. As duas se aninharam e assistiram.

"Dois velhos brancos tentando um ser mais convincente que o outro, ótimo!", comentou Bailey.

"Ha!", disse sua mãe.

* Por Katherine Rosman 

 
 
 
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