The New York Times

O livro 'A garota no trem' chegou rapidamente às telas 

Por: The New York Times
07/10/2016 - 18h23min | Atualizada em 07/10/2016 - 18h24min

Em março de 2014, quando Jared LeBoff, produtor da Marc Platt Productions, leu o thriller "A Garota no Trem", o livro ainda não era uma sensação, mas hoje, já vendeu mais de 6 milhões cópias só nos Estados Unidos. Enviado a ele em formato digital pelo agente de uma escritora desconhecida, Paula Hawkins, era um romance que estava para ser publicado, com três narradoras pouco confiáveis – uma delas a divorciada infeliz e alcoólatra chamada Rachel Watson, que acredita ter testemunhado algo fundamental no desaparecimento de uma mulher.

"Era assustador, aterrorizante e envolvente; além disso, era um material ótimo", disse LeBoff sobre o tom hitchcockiano e cheio de reviravoltas do livro de Paula Hawkins. Platt e a DreamWorks Pictures aparentemente concordaram e, sem a dor de cabeça de uma guerra de ofertas, logo compraram os direitos.

Na verdade, foi só no ano seguinte, na mesma época em que a roteirista Erin Cressida Wilson (de "Secretária") entregava em seu primeiro rascunho de uma adaptação e que a editora americana de Paula Hawkins, a Riverhead Books, lançava seu romance, que as pessoas ligadas à versão cinematográfica de "A Garota no Trem" perceberam que não se tratava de apenas outro projeto comum de adaptação. O livro parecia estar por toda parte. "Toda hora via meninas no metrô lendo o livro", disse Erin, que adotou o passatempo de discretamente fotografar pessoas com o nariz enfiado no romance. "Eu meio que comecei um catálogo de garotas lendo o livro, no metrô, nos cafés; vi um sujeito lendo em uma lanchonete. Isso meio que confirmou o zeitgeist de alguma coisa que Paula havia capturado."

Duas semanas depois de chegar às prateleiras e aos arquivos digitais, "A Garota no Trem" alcançou o topo da lista dos mais vendidos do New York Times. Em resenhas, foi muitas vezes comparado a "Garota Exemplar", fenômeno de suspense de Gillian Flynn de 2012, que resultou em uma adaptação para o cinema que arrecadou aproximadamente US$ 369 milhões em bilheteria pelo mundo todo, além de garantir uma indicação ao Oscar para Rosamund Pike. Platt e a DreamWorks não tiveram o mesmo tempo de produção que teve "Garota Exemplar" – quase 2,5 anos entre a publicação e a tela –, mas já tinham a adaptação de Erin Wilson logo que o interesse pelo livro de Paula explodiu. Tate Taylor, que dirigiu outra adaptação de um best-seller dirigido às mulheres, "Histórias Cruzadas", foi trazido para o projeto.

Nessa altura, todo mundo já estava em modo acelerado, disse Taylor. "Todos diziam: 'Temos que fazer esse filme. Temos um grande sucesso aqui. Temos que lançá-lo em outubro de 2016'. Então, trabalhamos duro."

Em uma viagem a Londres para se encontrar com Emily Blunt, que foi escalada para ser a alcoólatra Rachel, Taylor também se reuniu com Paula para o que ele chamou de "uma conversa de negócios de três perguntas". "Ela quis saber quais eram as minhas intenções e eu respondi: 'Quero que seja lúgubre e sexy, e precisa ser verdadeiro'. E ela disse: 'Adorei! Vamos tomar um gim-tônica'. E foi assim."

Outra consequência da ascensão meteórica do livro era que eles agora tinham um público com o qual se preocupar. "Na indústria do cinema, todo mundo quer deixar sua marca e um best-seller é uma grande ajuda. Mas, de repente, surgem muitas expectativas. O que começa a aparecer nas conversas é até que ponto é possível desviar do material original. Você se pergunta: 'Como podemos fazer algo que realmente funcione como filme, mas que ainda assim satisfaça um número tão grande de fãs?'", disse Platt.

Ninguém precisa lembrá-lo que, quando o longa estrear, no dia 7 de outubro, aproximadamente 21 meses após a data original da publicação do livro, em janeiro de 2015, ele terá que agradar um número de fãs que só faz crescer. Até agora, tendo passado mais de 80 semanas na lista dos mais vendidos, "A Garota no Trem" chegou ao primeiro lugar na versão de capa dura e e-book, brochura comercial e brochura popular. A Riverhead imprimiu quase 1,4 milhão de cópias de uma edição vinculada ao filme. Dada a onipresença do livro em outdoors, cartazes em pontos de ônibus e exposição de destaque em supermercados, livrarias e aeroportos de todo o país, mesmo quem é do setor editorial tem problema para identificar a causa exata do aumento exponencial das vendas. Assim, cada vez que Universal passa o trailer sombrio do filme – como aconteceu em 9 de agosto, pouco antes de Michael Phelps ganhar sua vigésima medalha de ouro olímpica – a Riverhead vê um aumento nas compras.

Paula Hawkins, falando por telefone de Londres, disse que já havia visto a versão final do filme e contou como foi ver as personagens que criou andando, falando e se movimentando. "É um filme chocante em algumas partes, realmente assustador. É uma coisa estranha, porque eu sei o que está acontecendo, mas tudo me pareceu realmente novo", disse ela.

Sua resposta positiva coloca-a na posição de lidar com a revolta de alguns dos leitores com as alterações feitas para a tela. Para cativar o grande público americano, a ação, que originalmente mostrava Rachel bisbilhotando os quintais de outras pessoas de um trem que atravessa os subúrbios de Londres, agora a coloca na ferrovia Metro-North, que vai do Condado de Westchester para Manhattan.

"O que eu digo a todos é: 'Não existe essa coisa de adaptação cem por cento fiel de um livro para um filme", disse Paula, acrescentando que logo no início, quando da venda dos direitos para o filme, os agentes lhe perguntaram se teria algum problema se o local for mudado. "Eu respondi que não, porque o que importa realmente é o trem, não o que existe do lado de fora".

O público também não deve esperar ver a Paula da vida real, mesmo que, a certa altura, ela tenha uma participação especial no filme. "Eu estava no set, e Tate me convenceu a entrar no trem como uma das passageiras", disse ela com uma risada. "Para ser bem sincera com você, eu fui cortada."

Por Margy Rochlin

 
 
 
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