Crítica

Série "Easy", da Netflix, aposta no realismo ao falar de relacionamentos

Antologia de episódios curtos está disponível desde o fim de setembro

11/10/2016 - 18h00min | Atualizada em 12/10/2016 - 08h18min
Série "Easy", da Netflix, aposta no realismo ao falar de relacionamentos Netflix/Divulgação
Malin Akerman e Orlando Bloom estão no elenco Foto: Netflix / Divulgação

O cinema se aproximou do realismo de maneira inexorável no século 21, produzindo híbridos entre ficção e documentário que estão entre os melhores filmes do período. Aos poucos, a TV faz o mesmo movimento.

O curioso é que a aposta nas séries de estética hipernaturalista, por assim dizer, se dá em paralelo ao triunfo de produções de ritmo frenético e, consequência disso, uma fabulação bem distante do cotidiano do espectador, casos de Blindspot, Empire e How to get away with murder, entre várias outras.

Easy, produção original que a Netflix lançou no fim de setembro, segue o caminho aberto por longas-metragens como Boyhood (2014), que fazem o tempo cênico lembrar o tempo real, aproximando o espectador da realidade retratada. A série é uma antologia composta por oito episódios curtos (não mais de 30 minutos cada) que abordam um tema amplo porém ordinário – os relacionamentos contemporâneos. Por trás da produção está o ator e realizador Joe Swanberg, apontado como expoente do que nos EUA já foi definido como "mumblecore" e que nada mais é do que a citada estética hipernaturalista.

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Swanberg também é diretor de um episódio de Love (2015), comédia "woodyalleniana" com a qual a Netflix abriu as portas para um certo tipo de série descolada com roteiro esperto sobre o amor no universo dos jovens adultos. Easy radicaliza Love – ainda que não seja tão boa.

Alguns atores bem conhecidos do público (Orlando Bloom e Dave Franco, por exemplo) destoam da proposta realista, mas não o suficiente para criar uma distância muito grande entre a realidade e a criação ficcional: o trunfo de Easy é, como as melhores produções desse gênero típico do século 21, dar ao público a sensação de que é a própria realidade que se descortina na tela. Dada a brevidade dos episódios, trata-se de um feito.

Se você assisti-la, talvez fique com a impressão de que falta um desfecho, quem sabe um clímax. A proposta é mesmo evitar as construções dramáticas mais artificiais. Mas talvez Swanberg esteja pensando em uma segunda temporada. Janelas abertas para isso é o que não falta.

EASY
De Joe Swanberg.
Série em oito episódios curtos.
Comédia dramática.
Disponível na Netflix.

 
 
 
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