Música

Beatriz Rabello estreia orientando o Carnaval com disco "Bloco do Amor"

Filha de Paulinho da Viola, Beatriz ganhou projeção como atriz de teatro musical

18/04/2017 - 23h45min | Atualizada em 18/04/2017 - 23h45min
Beatriz Rabello estreia orientando o Carnaval com disco "Bloco do Amor" Carol de Hollanda/Divulgação
Foto: Carol de Hollanda / Divulgação  

O título Bloco do Amor sintetiza os dois temas centrais do ótimo álbum de estreia da cantora Beatriz Rabello. O Carnaval e as paixões dão a tônica dos 13 sambas do primeiro trabalho individual da intérprete de 35 anos, filha de Paulinho da Viola e sobrinha do violonista Raphael Rabello (1962 – 1995). 

Beatriz ganhou projeção como atriz de teatro musical, em especial na produção Divina Elizeth, sobre a cantora Elizeth Cardoso (1920 – 1990), além de ter participado do espetáculo que comemorou o centenário de Carmen Miranda (1909 – 1955) e de montagens como Sassaricando – E o Rio Inventou a Marchinha e SamBra. Produzido pela própria Beatriz, o CD apresenta uma vocalista madura, cuja personalidade musical própria não se deixa ofuscar pela nobre ascendência artística – ainda que também não renegue as influências familiares.

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Bloco do Amor traz três composições assinadas por Paulinho da Viola: a faixa-título e Solidão (parceria com Maria Vasco) são inéditas em disco, enquanto Só o Tempo, gravada pelo compositor no álbum A Toda Hora Rola uma História (1982), ganhou uma versão em clima de seresta moderna no dueto de Beatriz com o pai. O repertório cumpre um roteiro cíclico, como a lembrar que todo Carnaval tem seu fim – e seu recomeço: o trabalho abre com Sonho de um Carnaval, samba de Chico Buarque lançado em 1964, e se encerra com Bloco do Amor, percorrendo um trajeto de euforia que inevitavelmente depara lá pelas tantas com a melancolia da Quarta-Feira de Cinzas.

A cuidadosa seleção musical inclui o samba com tambores afro-brasileiros Mourão que Não Cai (Douglas Germano), Nós, os Foliões (Sidney Miller), que Paulinho também gravou no já citado A Toda Hora Rola uma História, o sucesso Enredo do Meu Samba (Dona Ivone Lara e Jorge Aragão), a clássica Marcha da Quarta-Feira de Cinzas (Carlos Lyra e Vinicius de Moraes), o samba-canção Onde For o Nosso Amor (João Callado e Moyseis Marques) e Terremoto (Zorba Devagar) – samba cantado nos anos 1960 pelo extinto Bloco da Chuva, agremiação que saía pelas ruas de Botafogo, bairro carioca onde Paulinho da Viola nasceu e foi criado.

Dona de uma voz agradável e suave, que às vezes lembra Roberta Sá – outra cantora de destaque no cenário do novo samba –, a bela Beatriz Rabello debuta em disco, ainda que um tanto tardiamente, mostrando talento e segurança na interpretação desse punhado de canções arranjadas com inteligência e bom gosto.

 
 
 
 
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