Cinema

Dirigido pelo brasileiro Fernando Coimbra, filme "Castelo de Areia" estreia na Netflix

Drama segue um grupo de soldados norte-americanos nos primeiros dias da Segunda Guerra do Golfo, em 2003, no Iraque

20/04/2017 - 19h15min | Atualizada em 20/04/2017 - 19h27min

Estreia nesta sexta na Netflix o filme Castelo de Areia, drama de guerra que tem entre os produtores o serviço de streaming e traz na direção o brasileiro Fernando Coimbra. O longa-metragem reúne no elenco um grupo de atores atualmente em ascensão em Hollywood: Nicholas Hoult (de aventuras como X-Men: Dias de um Futuro Esquecido e Mad Max: Estrada da Fúria), Henry Cavill (o Super-Homem de O Homem de Aço e Batman vs Superman: A Origem da Justiça) e Logan Marshall-Green (de Homem-Aranha: De Volta ao Lar). Castelo de Areia segue um grupo de soldados norte-americanos nos primeiros dias da Segunda Guerra do Golfo, em 2003, no Iraque. 

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Testemunhando o calor e o horror do conflito está o inexperiente soldado Matt Ocre (Hoult), que é enviado para os arredores da cidade de Baqubah com vários companheiros a fim de reparar uma estação de água danificada por bombas dos Estados Unidos. Em uma atmosfera onde o ressentimento, a injustiça, a carência e a raiva prosperam, o jovem militar logo vai descobrir que conquistar os corações e as mentes dos habitantes locais é uma tarefa perigosa e inglória. Longe de casa, Ocre topa com o verdadeiro custo da guerra nas ruas, praças e escolas do longínquo país invadido.

– O roteiro já propunha esse encontro entre os soldados americanos com iraquianos, e eu quis enfatizar isso ainda mais, queria que os iraquianos tivessem sua própria identidade. O fato de os produtores terem me contratado, um não-americano, já indicava que eles também queriam isso no filme – explicou Coimbra em entrevista a Zero Hora.

Diretor de dois episódios da série Narcos, também exibida pela Netflix, o realizador paulista foi convidado paraCastelo de Areia graças ao sucesso internacional do excelente O Lobo Atrás da Porta (2013), drama estrelado por Leandra Leal, Milhem Cortaz e Fabiula Nascimento e premiado com títulos como o de melhor filme no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro. Indicado a melhor diretor estreante em longas na premiação do Sindicato dos Diretores da América (DGA, na sigla em inglês) por O Lobo..., Coimbra comentou como foi rodar um filme de guerra:

– Tivemos consultores militares que estiveram na Guerra do Golfo e prepararam os atores e ficaram comigo antes e durante a filmagem, para que a gente pudesse entender melhor esse universo.

Fernando Coimbra
Diretor e roteirista

Como você entrou no projeto de Castelo de Areia?
Eu cheguei com o projeto mais adiantado, da mesma forma que a Netflix. Quando eu apresentei O Lobo Atrás da Porta no Festival de Toronto, no Canadá, fui procurado por agentes e recebi várias propostas e projetos, o que me surpreendeu, porque não esperava que o filme tivesse essa repercussão. Quando chegou o Castelo de Areia na minha mão, em junho de 2015, eles já estavam com o Nicholas Hoult no elenco e queriam filmar logo. Eu li o roteiro e gostei bastante. Os produtores gostaram da minha visão do filme, e em agosto eu já estava na Jordânia vendo locações, onde o filme foi totalmente rodado.

Foi fácil adaptar-se ao esquema de uma produção internacional?
O que me ajudou muito foi ter feito Narcos. Ali foi o grande salto em relação a O Lobo... Era uma série que, mesmo para o padrão americano, custou caro, com equipe grande, cenas de ação. A grande novidade para mim no Castelo de Areia foi a quantidade de efeitos visuais e de pós-produção.

Ainda que Castelo de Areia não seja uma produção autoral sua, o que você acredita ter acrescentado pessoalmente ao filme?
Acho que os produtores compraram a minha abordagem estética e o recorte que eu queria dar para a história. Sempre consegui impor meu jeito no filme, desde a preparação do roteiro. Consegui, por exemplo, que os personagens iraquianos fossem mais desenvolvidos e mostrados de maneira mais humana, trazendo uma visão não americana e mais internacional. É o filme que eu queria ter feito.

Castelo de Areia se passa durante a Segunda Guerra do Golfo, a partir de 2003, mas a temática permanece atual. Como você relaciona a situação do filme com a política externa dos Estados Unidos hoje em dia?
É difícil saber como o filme será recebido. Ele está agora mais atual até do que quando foi filmado. Os Estados Unidos estão cada vez mais envolvidos em conflitos na região, como na Síria e no Iêmen. Uma coisa forte no filme é o conflito entre o soldado e a motivação dele para estar ali, e também as reais motivações dessas guerras, que são muito mais geopolíticas e econômicas do que patrióticas ou românticas. O filme ajuda a entender mais esse discurso que o Trump está usando, superficial e hipócrita. A realidade é muito mais profunda do que o slogan "vamos proteger nosso país, nossa liberdade, nossa democracia". A experiência da guerra pode ser terrível e traumática para os dois lados. Mas a resposta do público americano ao filme neste momento é uma incógnita, porque não é uma produção patriótica, nem vende uma bandeira de heroísmo ou de glorificação da guerra.

 
 
 
 
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