Supersérie

"Os Dias Eram Assim" relembra décadas difíceis da história do Brasil

A trama estreia nesta segunda-feira, após "A Força do Querer"

Por: Michele Vaz Pradella
17/04/2017 - 10h00min | Atualizada em 17/04/2017 - 11h00min
"Os Dias Eram Assim" relembra décadas difíceis da história do Brasil Mauricio Fidalgo/TV Globo/Divulgação
Foto: Mauricio Fidalgo / TV Globo/Divulgação  

O formato é o mesmo que surgiu em 2011, com o remake de O Astro. Com ares de novela e duração de minissérie, as histórias exibidas às 23h já trouxeram releituras de tramas bem conhecidas, como também foi o caso de Gabriela, Saramandaia e O Rebu, uma pitada de História, com Liberdade, Liberdade, e muita polêmica, com Verdades Secretas. Rebatizada de Supersérie, a faixa traz a partir de segunda-feira Os Dias Eram Assim, um romance que se passa em um período bem recente e vergonhoso da nossa história.

Foto: Sergio Zalis / TV Globo/Divulgação

Uma história de amor que atravessa duas décadas difíceis da história brasileira. Em meio à Ditadura Militar que dominou o Brasil, nasce o romance de Alice (Sophie Charlotte) e Renato (Renato Góes). Ela, uma jovem de família conservadora, mas que carrega dentro de si o desejo de liberdade. Ele, de origem humilde e com a vontade de mudar o mundo. No turbilhão que acontecia no país, as lutas da juventude batiam de frente com a truculência dos poderosos. Nesse passado nem tão distante, o discurso e as vontades do povo eram bem parecidos com os de hoje: questionar, resistir, viver e ser feliz, apesar do cenário complicado.

Nasce um amor

Foto: Mauricio Fidalgo / TV Globo/Divulgação

A história tem início em 1970, no Rio de Janeiro, mais precisamente no dia 21 de junho, final da Copa do Mundo. O Brasil comemorava o tricampeonato no futebol, mas na sociedade e na política, havia pouco o que celebrar. É nesse clima de euforia e contestação que a estudante de Letras Alice conhece o residente de Medicina Renato. A moça não aguenta mais o jeito conservador do noivo, Vitor (Daniel de Oliveira). Não bastasse viver sob o comando de um pai autoritário, Alice enxerga no futuro marido as mesmas características que tanto a incomodaram durante a vida inteira.

A realidade do jovem Renato é bem diferente. Em uma casa humilde, ele cresceu rodeado de afeto e liberdade para falar o que pensa, mas teve que assumir as responsabilidades de ser o homem da casa desde cedo, com a morte do pai. A mãe, Vera (Cássia Kis), se viu sozinha para sustentar os três filhos: Renato, Gustavo (Gabriel Leone) e Maria (Carla Salle). 

Os caminhos de Alice e Renato se cruzam naquele 21 de junho, mas há muitos obstáculos teimando em separá-los. Os dois são de mundos diferentes, mas a princípio, o amor parece mais forte do que tudo. Até que as famílias resolvem entrar em cena.

O desencontro

Foto: Sergio Zalis / TV Globo/Divulgação

O estopim de tudo é o envolvimento de Gustavo em um ato de vandalismo contra a construtora de Arnaldo (Antonio Calloni), pai de Alice. O empresário faz de tudo para colocar o jovem na cadeia, e, de quebra, acusar Renato de também estar envolvido na história.

Para salvar os filhos, Vera concorda em participar de uma farsa que acaba separando Renato e Alice. Assim, ela pensa ter sido abandonada pelo amado, situação que ficará ainda mais difícil quando descobrir que está esperando um filho.

Perseguido injustamente, Renato vai para o Chile, onde se envolve com a médica Rimena (Maria Casadevall). O rapaz tem certeza de que Alice desistiu de lutar pelo amor dos dois e, assim, forma uma nova vida em outro país.

Enquanto isso, no Brasil, Alice, grávida e sozinha, não tem outra opção a não ser aceitar o pedido de casamento de Vitor. Nove anos depois, em 1979, a Anistia devolve ao país os presos políticos que ficaram apartados durante tanto tempo. É a chance de Renato voltar pra casa, mas muita coisa mudou em quase uma década. Como será o reencontro com o amor do passado? E o filho, que ele nem imagina existir?

De volta ao passado

Foto: Andre Freitas / AgNews

Para contar essa história ficcional, entrelaçada à nossa história recente do Brasil, a equipe da novela mergulhou na atmosfera dos anos 1970 e 1980. O figurino característico, as gírias da época e, principalmente, a música, ajudaram a moldar a trama. Logo na abertura, o público ouvirá os acordes de Aos Nossos Filhos, canção de Ivan Lins eternizada na voz de Elis Regina. Na nova versão dos versos, quem canta são os protagonistas Sophie Charlotte, Renato Góes, Gabriel Leone, Daniel de Oliveira e Maria Casadevall.

Outros clássicos da MPB estarão presentes na trilha sonora, que conta ainda com Chico Buarque, Elis Regina e Roberto Carlos. além de duas versões inéditas de "Tempo Perdido", por Tiago Iorc, e "Como Vai Você", na voz de Johnny Hooker.

Alessandra Poggi e Angela Chaves, autoras da supersérie, são colaboradoras de novelas de sucesso na Globo, mas pela primeira vez assinam um trabalho como titulares. Angela explica como surgiu a ideia:

— Os Dias Eram Assim nasceu da vontade de contar uma história de amor forte como o tempo e apesar do tempo. É também o desejo de falar um pouco do período histórico pouco abordado na nossa teledramaturgia e que é bem recente.

— Vamos acompanhar a vida deles atravessando os anos de chumbo, passando pela anistia política e chegando até a campanha pelas Diretas Já, em 1984, ano em que a maior parte da trama se concentrará — adianta Alessandra.

Personagens

— Renato Reis (Renato Góes): Jovem médico, ético, idealista e apaixonado pelo trabalho. Salvar vidas é sua grande paixão, até conhecer Alice. O amor pela moça será mais forte do que a raiva que sente pelo pai dela, um homem que está perseguindo seu irmão, Gustavo.

Foto: Mauricio Fidalgo / TV Globo/Divulgação

— Vera Reis (Cássia Kis): Viúva, dona da loja de discos e livros Egalitè, é mãe de Renato, Gustavo e Maria. Muito religiosa amarga o fato de ter perdido o marido no ano do Golpe de 64.

Foto: Mauricio Fidalgo / TV Globo/Divulgação

— Maria Reis (Carla Salle): Irmã de Renato e Gustavo. Terá que aposentar o sonho de se formar em psicologia para ajudar a mãe na administração da Egalité. 

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— Gustavo Reis (Gabriel Leone): Irmão de Renato e Maria. Idealista, envolve-se na resistência à ditadura, é preso e se torna um sujeito introspectivo. 

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— Rimena Garcia (Maria Casadevall): Jovem médica, se envolve com Renato quando ele é obrigado a se mudar para o Chile.

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— Alice Sampaio Pereira (Sophie Charlotte): Filha mais velha do empreiteiro Arnaldo, é estudante de Letras, mas apaixonada por fotografia. Questionadora e libertária, é namorada do advogado Vitor, mas se apaixonará por Renato.

Foto: Mauricio Fidalgo / TV Globo/Divulgação

— Kiki Sampaio Pereira (Natália do Vale): Mãe de Alice e Nanda (Letícia Braga/Julia Dalavia), casada com Arnaldo. Acostumou-se em sua vida superficial, é moralista, conservadora e reacionária. 

Foto: Mauricio Fidalgo / TV Globo/Divulgação

— Arnaldo Sampaio Pereira (Antonio Calloni): Pai de Alice e Nanda, é dono da construtora Amianto. Autoritário e opressor, tem em Vitor seu braço-direito.

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— Vitor Dumonte (Daniel de Oliveira): Jovem advogado, braço-direito de Arnaldo na construtora. Sem caráter, possessivo e perdidamente apaixonado por Alice.

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— Cora Dumonte (Susana Vieira): Mãe de Vitor, vê no casamento do filho com Alice a chance de voltar a circular as altas rodas da sociedade carioca.

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— Fernanda Sampaio Pereira (Letícia Braga/Julia Dalavia): Irmã de Alice, filha de Arnaldo e Kiki. Nos anos 80, se torna uma mulher sensual e moderna.

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— Toni Sampaio Pereira (Marcos Palmeira): Boa praça, é irmão de Arnaldo, com quem mantém uma relação turbulenta. Tem três filhos com Monique, por quem é perdidamente apaixonado. Divertido, alegre e tranquilo, ele enterrou o sonho de conhecer o mundo para se dedicar à família.

Foto: Mauricio Fidalgo / TV Globo/Divulgação

— Monique Lira Sampaio Pereira (Letícia Spiller): Aos 18 anos, foi Miss Arpoador e conquistou o coração do mais gato da praia: Toni. Com ele, teve três filhos. Vai largar a família para conhecer o mundo.

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— Olavo Amaral (Marco Ricca): Delegado que vai ajudar Arnaldo e Vitor a perseguir Renato e Gustavo. Linha-dura e corrupto, integra uma organização paralela que atua na repressão.

Foto: Mauricio Fidalgo / TV Globo/Divulgação


 
 
 
 
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