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Santander Cultural inaugura exposição "Zerbini, Barrão, Albano"

Mostra valoriza o trabalho de três nomes fortes da arte contemporânea brasileira e traça diálogos entre suas novas obras 

Luiza Piffero

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Albano Afonso interage com a instalação “Estado de Suspensão” (2017), que descreve como um autorretrato já que suas peças foram moldadas a partir de partes do seu corpo

O Santander inaugura nesta terça-feira uma exposição coletiva construída a partir de três mostras individuais. Três curadores foram convocados a se debruçar sobre a produção de um artista de projeção nacional: Marcelo Campos selecionou obras do paulista Luiz Zerbini, Felipe Scovino trabalhou com o carioca Barrão e Douglas de Freitas fez a curadoria das obras do paulista Albano Afonso. Teria sido mais simples realizar mostras isoladas, mas o grupo preferiu o desafio de harmonizar três vozes distintas.

– Primeiro, pensamos em como as mostras funcionariam solo e, depois, como entrariam em contato. Vimos que os três artistas tinham novos trabalhos. E encontramos muitas relações entre eles, de geometria, de cor – conta o curador Douglas de Freitas.

– Nenhum de nós imaginava que havia tanta coisa em comum. E a abertura do espaço criou uma ligação entre as obras – concorda Albano.

A mostra Zerbini, Barrão, Albano reúne 43 obras em pintura, gravura, escultura, instalação e fotografia. Cada artista ocupa uma área do primeiro andar do Santander Cultural, mas, como o espaço não possui paredes, é fácil comparar os trabalhos de um e outro. É justamente esse o jogo que os curadores propõem aos visitantes. A estratégia está em sintonia com a temática escolhida pelo Santander para 2017, de valorizar o ofício do curador.

Colegas no prestigiado coletivo de arte sonora Chelpa Ferro, Zerbini e Barrão compartilham o interesse por objetos ordinários que remetem à cultura de massa e por uma combinação deles que às vezes beira o absurdo. Mas, enquanto o primeiro prefere pintá-los em telas muito coloridas, o segundo os empilha, faz um molde e cria esculturas totalmente brancas de resina epóxi. Um exemplo é Coluna de Pneus (2017).

– Eu tiro a função do pneu e a qualidade do seu material, fazendo-o em resina e pintando-o de uma cor branca, que para mim seria neutra. E isso evidencia a forma, o volume – explica Barrão.

Barrão alugou pneus de trator para montar a obra “Coluna de Pneus” (2017)

Nos cantos do primeiro andar do Santander, quatro instalações de Albano Alfonso também refletem sobre forma, volume, luz e sombra, mas seu aspecto é totalmente diferente. Os Pássaros e o Lobo (2017) é um móbile de mãos esculpidas em bronze que vão girando e projetando sombras no chão. Barrão e Albano percorrem caminhos diferentes para pensar as mesmas questões fundamentais da história da arte.

Já as paisagens de Zerbini conversam com a série fotográfica exibida por Albano Afonso no fundo do saguão. Em ambas está presente uma reflexão sobre natureza e ilusão de ótica, por isso encontram-se no meio do caminho entre representação e abstração.

As relações entre as obras de Zerbini, Barrão e Albano parecem não ter fim. A exposição convida os visitantes a desvendá-las até 16 de julho.

O trabalho “Ilha da Maré” (2014) é um “típico Luiz Zerbini”, segundo o próprio autor

Em vídeo, artistas comentam três obras da exposição:

ZERBINI, BARRÃO, ALBANO
Abertura nesta terça-feira (23/5), às 19h.
Visitação de 24 de maio até 16 de julho, de terça a sábado, das 10h às 19h, e domingos, das 13h às 19h. Santander Cultural (Rua Sete de Setembro, 1.028), em Porto Alegre.

Veja galeria de fotos da exposição:


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