Vá e me chame

Green Day carrega a centelha da diversão como poucos

Banda se apresenta em Porto Alegre em novembro depois de show catártico em 2010

19/06/2017 - 14h01min | Atualizada em 19/06/2017 - 14h49min
Green Day carrega a centelha da diversão como poucos MTV/Divulgação
Foto: MTV / Divulgação  

Vai ter show do Green Day em Porto Alegre. De novo. Se você, como eu, estava lá no primeiro, em 2010, sugiro que repita a dose. Se você nunca foi, vá. E maior motivo talvez seja porque nos shows do Green Day transborda um ingrediente que anda em falta no rock hoje: diversão.

No palco, Billie Joe Armstrong, Mike Dirnt e Tré Cool são entertainers a serviço da massa. Mesmo com todo o respeito que possam ter por sua obra, o trio sabe que a maior parte do público está lá para pular e cantar seus maiores hits sem parar durante um par de horas. E é exatamente isso que entregam.

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Em 2010, o trio apresentou um espetáculo que transcendia a mera execução de suas músicas. Se fantasiaram, puxaram no palco uma fã para cantar e tocar guitarra, jogaram camisetas, explodiram papel picado e outra firulas. Foi divertido, catártico e honesto. Tinha adulto relembrando a adolescência (eu) e adolescente indo ao seu primeiro show de rock. Todos na mesma vibração.

O roteiro da atual turnê vem seguindo o modelo típico de abrir com canções novas e depois focar nos sucessos. Depois de relembrar Know Your Enemy (de 21st Century Breakdown, 2009), engatam Bang Bang e Revolution Radio (ambas de Revolution Radio, 2016). Cumprida a obrigação de fazer reverência ao disco que os colocou na estrada, o pau come com clássicos de todas as fases – até faixas dos jurássicos 39/Smooth (1990) e Kerplunk (1991) aparecem em alguns shows.

Claro que o foco está nos singles que ganharam destaque na TV e no rádio nos anos 1990 e 2000. Do primeiro grande sucesso comercial do Green Day, o disco Dookie (1994), costumam marcar presença Longview, She e Basket Case, responsáveis pelos primeiros hematomas em rodas punk de muita gente (eu, por exemplo). Da produção dos anos 1990, o trio não costuma ignorar a balada Good Riddance (Time of Your Life) e Hitchin' a Ride, ambas de Nimrod (1997).

American Idiot, a ópera rock anti-Bush, álbum conceitual lançado em 2004, foi responsável por dar um verniz mais "adulto" ao Green Day e renovar se público – por isso, comparece em peso no set list (e também por ser divertidíssimo). Dele são dadas como certas a faixa-título, Holiday, Letterbomb, St. Jimmy e as baladas Boulevard of Broken Dreams e Wake Me Up When September Ends.

Então, seja você um quarentão em busca de reviver seus anos de adolescência, seja um adolescente querendo curtir um pouco de, hã, música antiga, o show do Green Day é o lugar para isso.

 
 
 
 
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