Ofensas no estádio

Tinga diz que Arena perdeu chance de se solidarizar com Aranha

Volante do Cruzeiro participou de seminário sobre o racismo no futebol em Porto Alegre

Por: Jones Lopes da Silva
23/09/2014 - 22h47min
Tinga diz que Arena perdeu chance de se solidarizar com Aranha Marcelo Campos/Divulgação
Debate ocorreu nesta terça-feira na Federação Gaúcha de Futebol Foto: Marcelo Campos / Divulgação  

Paulo César Tinga foi a atração do Primeiro Seminário sobre Racismo no Futebol, realizado nesta terça-feira na Federação Gaúcha de Futebol (FGF). Chegou caminhando com cuidado. Há apenas um mês, recupera-se de fratura na tíbia e na fíbula da perna direita sofrida durante treinamento na Toca da Raposa II e já caminha sem a ajuda de muleta.

Em meio ao debate sobre seguidos casos de injúria racial no futebol, com serenidade o volante disse que a torcida da Arena perdeu grande oportunidade de se solidarizar ao goleiro Aranha durante Grêmio x Santos, pelo Brasileirão, a noite das vaias.

— Se no primeiro jogo, o estádio reprovou os gritos de "macaco" feitos por uma minoria, no segundo perdeu a chance de demonstrar grandeza. Se só meia dúzia agrediu Aranha, o restante podia ter tido uma ação diferente — declarou Tinga.

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O volante participou do seminário promovido pela página do Facebook Observatório da Discriminação Racial no Futebol, mantida por Marcelo Carvalho, em conjunto com a FGF. Disse que, ao longo da carreira, presenciou e ouviu atrocidades nos estádios que denunciam a cultura do preconceito de toda a ordem.

— Uma pessoa não pode ter duas vidas: quando ela vai ao cinema e não gosta do filme ou do ator ela não sai com insultos raciais ou homofóbicos. No teatro é o mesmo. Por que no futebol ela se acha no direito de agredir? — condenou.

Outro participante do encontro, o sociólogo Edilson Nabarro, coordenador do setor de Cotas da Ufrgs, falou em "amnésia histórica", que faz esquecer o protagonismo dos negros nos clubes e na Seleção Brasileira, de Leônidas da Silva a Neymar.

— Os clubes têm de se comprometer a adotar medidas de coerção e punição, não podem manter apenas uma posição não-racista, sem ação concreta. O futebol pode tomar a frente no combate ao racismo na sociedade — declarou Nabarro, para quem o assunto do racismo nos estádios se instalou de vez. — A questão estourou, o país acordou.

Também presente ao seminário, o promotor do Torcedor, José Francisco Seabra Mendes Júnior, anunciou para outubro um encontro de promotores de outros Estados. Vai recomendar a ideia da responsabilidade dos clubes em casos de insultos raciais.

Já o diretor jurídico da FGF, Luiz Fernando Costa, lembrou que, pelo Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), o clube que denuncia o torcedor que atirou objetos ao gramado pode no máximo sofrer multa. No caso da agressão racial, mesmo flagrando o torcedor, a instituição está sujeita a ser suspensa da competição.

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