De Fora da Área

André Flôres e Cristiano Costa: a hora da liga

Sócios da dupla Gre-Nal, o colorado André Flôres e o gremista Cristiano Costa defendem que os clubes brasileiros sejam responsáveis pelas competições que disputam, como ocorre na Alemanha e na Inglaterra

Por: André Flôres, advogado, e Cristiano Costa, economista
11/06/2015 - 06h01min

Nunca existiu um momento tão oportuno para repensarmos a organização do futebol brasileiro. As recentes investigações de altos dirigentes da Fifa e da CBF devem servir não apenas para punir os culpados, mas para repensarmos o modelo de organização, onde clubes passem a ter papel protagonista nas decisões e na organização do futebol.

É com os clubes que os torcedores têm identificação, torcem, compram ingressos, acompanham em sites, jornais, rádio e TV. É justo, e até lógico, que os clubes organizem suas competições em todos os seus aspectos. A formação de uma liga independente, nos moldes das já adotadas na Alemanha (Bundesliga) e Inglaterra (Premier League), por exemplo, ainda é vista com certa restrição no Brasil. Mas este modelo possibilitaria que os clubes elevassem suas receitas e tivessem maior autonomia na negociação de contratos comerciais. O simples fim das taxas pagas as federações estaduais já aumentaria entre 5% e 10% as verbas disponíveis aos clubes de futebol.

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Uma liga também permitiria que clubes escolhessem a forma de organização do calendário, horário de jogos, regras de transferência de atletas e principalmente o formato da distribuição das receitas com direitos de transmissão. A liga passaria a servir aos interesses dos clubes e seus torcedores e não aos interesses das federações estaduais ou da CBF.

Alguém precisa dar o primeiro passo. E por que não a dupla Gre-Nal assumir esse protagonismo? Estamos diante do melhor momento para convocar os demais clubes para esse debate. Os dirigentes da dupla Gre-Nal poderiam propor um sério debate sobre a criação de um liga independente de futebol, que teria autonomia inclusive para elaborar uma forma de distribuição de verbas de TV mais equilibrada e que levasse em conta o desempenho dentro de campo.

As investigações do FBI e as prisões dos mandatários do futebol mundial e brasileiro devem servir de inspiração para as mudanças, que não podem mais tardar. O futebol brasileiro não deve existir para privilegiar determinado clube ou cartola, mas sim para privilegiar quem realmente importa e que deveria ser o centro de tudo: o torcedor!

 
 
 
 
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