
Na quarta-feira passada, a Fifa esteve em Curitiba para receber a Arena da Baixada. Mas o aplauso de seus representantes teve mais cara de incentivo do que de reconhecimento.
A Curitiba que foi entregue à Fifa está ainda longe das condições ideais para a Copa do Mundo. Com a maioria dos trabalhos de mobilidade urbana ainda não concluídos e com as obras na Arena da Baixada e no entorno do estádio não finalizadas, a cidade vive um ambiente de enorme canteiro de obras.
Apesar dos atropelos, a cidade mereceu elogios do secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke. "Parabéns, Curitiba. Grande progresso no trabalho de entrega do estádio que é uma arena de qualidade não só para a #Copa2014 mas para os fãs", escreveu no Twitter, após a visita ao Paraná.
Na oportunidade, Valcke conferiu os últimos avanços nas obras na Arena da Baixada, de propriedade do Atlético-PR, excluiu a necessidade de realização de mais um evento-teste e deu prazo um pouco maior para a finalização de todos os trabalhos. Também elogiou o acabamento do estádio, que considerou um dos melhores entre as 12 sedes.
- A Fifa recebeu as obras no estádio de forma provisória. Até o fim do mês, o clube continuará os trabalhos, principalmente com ajustes na pintura, instalação elétrica, limpeza e acabamentos. A partir de 1º de junho o mando do estádio passa a ser exclusivo e permanente da Fifa - explicou o secretário estadual da Copa, Mario Celso Cunha.
A instalação das cadeiras, que era um dos pontos mais críticos, avançou consideravelmente, restando apenas 400 assentos, que devem ser instalados no fim de semana. No total, foram realizados dois testes no estádio atleticano, nenhum com capacidade total de público. O primeiro deles, em março, para 10 mil pessoas, e o segundo há uma semana, com 30 mil torcedores. Neles, os presentes puderam conferir o bom estado do gramado, com plantio adaptado para o inverno curitibano, sistema de iluminação e som.
O que não funcionou adequadamente foram os acessos, com muitas filas principalmente pelo sistema manual de revista - que não deve ocorrer na Copa, adotando dispositivos eletrônicos para essa tarefa - e as lanchonetes, com poucas lojas abertas e muitas filas. Uma área não testada foi a de imprensa, com os jornalistas presentes no segundo jogo-teste ficando num setor reservado da arquibancada.
-- Testamos iluminação, acessos, todos os setores foram adequados e aprovados. Faltou apenas testar com maior rigor os bloqueios no polígono do estádio, que haverá durante a Copa, mas foi apenas trabalhado como orientação nos testes - lamentou o secretário.
Estruturas temporárias atrasadas
Quanto às estruturas temporárias, os trabalhos avançam, mas também há atrasos. Na praça em frente ao estádio, onde haverá as estruturas de receptivo dos torcedores, a prefeitura finalizou a revitalização e preparação do local, com a Fifa já iniciando a instalação de tendas e outras atrações. O ponto que merece maior atenção é o complexo de imprensa, ainda em obras na ponte para fluxo dos cabos de transmissão de TV e o prédio metálico de acesso dos jornalistas.
Também não foram concluídas obras de urbanização e mobilidade, atrasadas, mas com previsão otimista do governo, que garantiu que até 31 de maio estarão todas concluídas. A que mais preocupa é do corredor entre o aeroporto e a rodoviária, que compreende a Avenida das Torres, ligando também Curitiba ao município vizinho São José dos Pinhais.