Robocop pela metade

Em vez de exoesqueleto, licitação prevê apenas compra de ombreiras pelo RS

Após cancelamento da aquisição pelo governo federal, empresa garantiu que 326 trajes seriam entregues ao Estado. Porém, trata-se apenas de parte do conjunto

25/07/2014 | 14h26
Em vez de exoesqueleto, licitação prevê apenas compra de ombreiras pelo RS Polícia Militar de São Paulo/Divulgação
A previsão do governo federal era de entregar 300 exoesqueletos (como o usado pela Polícia Militar de São Paulo na foto) à Brigada Militar Foto: Polícia Militar de São Paulo / Divulgação

A Brigada Militar não vai receber os exoesqueletos prometidos pela Secretaria Extraordinária para Grandes Eventos (Sesge) e também não terá aqueles que, segundo a empresa responsável pela importação da vestimenta, foram licitados pela Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Rio Grande do Sul. Nesta sexta-feira, a SSP afirmou que não está prevista a compra do conjunto completo junto à vencedora do processo licitatório — apenas, de parte dele.

Na quinta-feira, a Sesge, ligada ao Ministério da Justiça, anunciou o cancelamento da compra dos exoesqueletos, sob a alegação que a entrega dos trajes não seria feita em função do atraso da empresa que venceu a licitação. Porém, a própria fornecedora informou que distribuiria 326 itens ao Estado por meio de outro processo licitatório. Mas, na SSP, a única licitação na qual consta como contemplado o Centro de Treinamento de Técnicas e Táticas Especiais e Sistemas Integrados de Segurança (CTTE-SIS) — o mesmo que seria o fornecedor do governo federal e com sede em Porto Alegre — diz respeito à aquisição de ombreiras para a BM, a peça superior do exoesqueleto. Ou seja: nada dos trajes especiais que lembram o ciborgue americano Robocop dos pés à cabeça.

O processo junto ao governo estadual ocorreu em abril deste ano e prevê a compra de 300 itens. O custo total é superior a R$ 160 mil, ao valor de R$ 535,83 cada ombreira. Contatado por Zero Hora, o proprietário da CTTE-SIS explicou a aquisição do material:

— A parte superior protege o cotovelo, os braços e as mãos, e a inferior cobre cintura, coxas, panturrilhas, joelhos e canelas. É que o Estado optou pela compra separada — diz Marcos Vinícius Souza de Souza.

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A SSP, por meio da assessoria de imprensa, não confirmou se há licitação aberta para a aquisição do restante do equipamento. O traje prometido pela Sesge a 15 municípios do país — incluindo Porto Alegre e as outras cidades-sede da Copa do Mundo, além de Aracaju (SE), Maceió (AL) e Vitória (ES), onde funcionaram centros de treinamento — deveria ter sido entregue antes do Mundial. Porém, a aquisição dos 3,7 mil itens foi suspensa após a CTTE-SIS descumprir o prazo de 20 de maio, prorrogado até 10 de junho.

A empresa garantiu que os equipamentos foram importados da China e que chegaram ao Brasil dentro do prazo previsto no contrato assinado, mas que o problema foi a demora na nacionalização da carga. A Sesge estuda a adoção de medidas administrativas devido ao atraso.

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