Legados e pendências

Saiba o que foi cumprido e o que ficou na promessa para a Copa em Porto Alegre

Das 14 obras de mobilidade previstas para o Mundial, apenas quatro foram entregues à população

14/07/2014 | 05h05
Saiba o que foi cumprido e o que ficou na promessa para a Copa em Porto Alegre Omar Freitas/Agencia RBS
Viaduto da Pinheiro Borda com o Estádio Beira-Rio ao fundo: dois exemplos de obras finalizadas antes da Copa Foto: Omar Freitas / Agencia RBS

Há precisamente duas semanas, o árbitro Sandro Meira Ricci apitou o fim da Copa em Porto Alegre. Fora de campo, no entanto, muitas melhorias esperadas para o Mundial na capital gaúcha não se concretizaram. Outras nem chegaram a começar.

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Enquanto as obras de mobilidade avançam em marcha lenta — das 14 previstas, apenas quatro foram entregues —, o aeroporto Salgado Filho não só não conseguiu concluir a ampliação do terminal de passageiros a tempo, como cogita rescindir o contrato com a construtora em função dos atrasos. Caso isso ocorra, terá de ser aberta uma nova licitação, e o prazo, reajustado para 2016, deve se estender ainda mais.

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Por outro lado, um rescaldo de benefícios imprevistos até meses antes do campeonato deve se espalhar pelo Rio Grande do Sul: cerca de R$ 2,9 milhões investidos em estruturas temporárias virarão patrimônio do Estado e serão distribuídos para instituições.

A melhora nos serviços de telefonia no Estádio Beira-Rio também ficará como legado: as 241 novas antenas melhoraram a vida dos torcedores durante o Mundial e permanecerão na casa colorada. Não contemplada no projeto das operadoras de telefonia que equipou o Beira-Rio, a Arena do Grêmio se mostra motivada a implantar melhorias no mesmo setor.

Veja o que foi cumprido e pelo que Porto Alegre ainda espera das promessas de Copa:

O QUE DEU CERTO

1. AEROMÓVEL NO AEROPORTO SALGADO FILHO

O sistema foi inaugurado com atraso, é verdade. Previsto para dezembro de 2011, o veículo de 150 lugares foi entregue em agosto de 2013. O segundo, com capacidade para 300 passageiros, entrou em operação em abril deste ano. O trecho de pouco menos de um quilômetro entre a Estação Aeroporto da Trensurb e o aeroporto Salgado Filho é percorrido em cerca de dois minutos.

2. ESTÁDIO BEIRA-RIO

A reforma do Beira-Rio também atrasou. Devia ter ficado pronto em agosto de 2012, mas a festa que marcou a reinauguração do estádio só ocorreu em 5 de abril de 2014. Apesar disso, o estádio ficou pronto a tempo de receber o Mundial. As melhorias, bem como seu funcionamento durante a Copa, foram aprovados pelos torcedores.

3. VIADUTO E COMPLEXO DA RODOVIÁRIA

O viaduto destinado a desafogar o trânsito na região próxima à rodoviária foi entregue com um ano e três meses de atraso - em junho de 2014 -, mas a tempo da Copa. Já a obra de uma estação de ônibus, que complementa o projeto, tem lançamento de edital previsto para julho. As construções não puderam ser tocadas ao mesmo tempo pela falta de espaço para dois canteiros de obras no Centro, segundo a prefeitura.

4. AVENIDAS BEIRA-RIO E PADRE CACIQUE

A Padre Cacique foi liberada para trânsito nos dois sentidos e passou a contar com corredor de ônibus em junho. A Beira-Rio está também liberada. As ruas A, B e C e o Viaduto da Pinheiro Borda, no entorno do Beira-Rio, também foram concluídos. Ironicamente, o viaduto, que ficou pronto antes do Mundial, acabou bloqueado por causa dele. Nos dias de jogos em Porto Alegre, ele teve de ficar fechado para veículos, por estar no perímetro Fifa.

5. TELEFONIA

As 241 antenas instaladas para melhorar o serviço de telefonia móvel para a Copa permanecerão no Beira-Rio. Embora ainda esteja longe do ideal, o incremento de equipamentos teve impacto positivo durante o Mundial, especialmente para usuários do 4G. Além da ampliação do serviço no Beira-Rio, Porto Alegre herdou três antenas da Vivo nas proximidades do estádio: duas na Avenida Padre Cacique e uma próxima ao Anfiteatro Pôr do Sol. Além disso, a Arena, que não foi contemplada pelo consórcio entre operadoras que beneficou estádios para a Copa, já se mobiliza para melhorar a tecnologia também na casa gremista. Há uma empresa assessorando no processo de expansão tecnológica, que estuda a disponibilização de wi-fi para o público.

6. ESTRUTURAS TEMPORÁRIAS

O consórcio responsável pela instalação das estruturas temporárias do Beira-Rio para a Copa do Mundo e o Inter devem deixar equipamentos no valor de R$ 2,9 milhões como legado. Itens como extintores de incêndio, lixeiras, forros, carpetes e prateleiras estão sendo catalogados para serem disponibilizados ao Estado nos próximos dias. Após o processo burocrático para transformar os itens em patrimônio do Rio Grande do Sul, eles serão distribuídos entre as secretarias, e terão como destino escolas públicas, departamentos e outras instituições do Estado. O valor representa pouco menos de 12% do total das complementares, que custaram R$ 25 milhões.

7. SEGURANÇA

Os 1,6 mil PMs remanejados do Interior para a Capital ajudaram a manter a sensação de segurança durante a Copa. O reforço fez o volume do policiamento ostensivo chegar próximo do que a Brigada Militar considera como ideal, mas já retornou para casa: com o encerramento dos jogos em Porto Alegre, foram mil, e o restante irá após o fim do Mundial. Agora, a corporação analisará os dados de ocorrências para avaliar o que poderá ser mantido do esquema especial. Além de mecanismos tecnológicos, como câmeras e o uso de aeronaves, o retorno de parte do reforço do Interior para integrar em definitivo os quadros da Capital não está descartado. Também está em andamento concurso para o ingresso de 2 mil servidores, mas, em razão do período eleitoral, os aprovados só serão chamados a partir de 2015.

O QUE AINDA ESTAMOS ESPERANDO

1. DUPLICAÇÃO DA AVENIDA TRONCO

Com novo prazo de conclusão para 2015 — o inicial era dezembro de 2012 —, a duplicação da Avenida Tronco fez falta durante a Copa. A via, que integrava os desvios de trânsito, foi palco de congestionamento no primeiro jogo em Porto Alegre. Atualmente, a obra, que parou durante a Copa, avança em três frentes. Problemas relacionados a desapropriações, no entanto, reduzem o ritmo de trabalho. A construção das moradias para onde serão deslocados os moradores atingidos pela duplicação da Tronco não interessou empresas nos três editais publicados, e o município teve de aumentar o recurso oferecido às construtoras. Projetos habitacionais estão em análise pela Caixa.

2. DUPLICAÇÃO DA VOLUNTÁRIOS DA PÁTRIA

Por ser uma das vias mais antigas da Capital, a Voluntários reúne construções tombadas e possíveis materiais de interesse arqueológico no subsolo. Isso exige a obtenção de licenças para o andamento das obras e o acompanhamento de especialistas, o que atrasou o cronograma: de junho de 2013, passou para 2015 ou 2016. Há ainda desapropriações envolvidas em recursos judiciais. Autorizações judiciais foram concedidas para demolir imóveis que já foram desapropriados. Com as demolições concluídas, será feita uma investigação arqueológica do terreno antes de a obra prosseguir.

3. PROLONGAMENTO DA AVENIDA SEVERO DULLIUS

O projeto apresentou complicações quando se descobriu que a obra teria de passar por uma antiga área de aterro da Capital, o que envolvia risco ambiental. Como o município não conseguiu licença para remover o material, o projeto teve de ser alterado para contornar essa área. Resultado: a conclusão dos trabalhos passou de setembro de 2012 para 2015 ou 2016. Em julho, deve começar a execução da ponte sobre o Arroio Dique, o que permitirá e execução do prolongamento da via. O trecho da Rua Dona Alzira está concluído.

4. SISTEMA DE ÔNIBUS RÁPIDOS (BRT)

As obras do novo sistema de corredores de ônibus passaram por contratempos que levaram à suspensão dos trabalhos no ano passado. O principal deles foi a dificuldade encontrada no fornecimento de areia. As intervenções pararam temporariamente, mas como já não andavam muito rápidas antes, o prazo esticou de junho de 2013 para o fim deste ano, mas só deve começar a operar em 2015. Os trabalhos foram retomados nos trechos da Protásio Alves, da Bento Gonçalves e da João Pessoa. Os pontos mais adiantados são na Avenida Bento Gonçalves (95% pronto) e na Protásio (88%). A João Pessoa é a via em maior atraso, com cerca de 55% dos trabalhos feitos.

5. OBRAS DA TERCEIRA PERIMETRAL

Depois da assinatura do contrato, uma rocha foi detectada sob a Rua Anita Garibaldi, o que exigiu a elaboração de um aditivo e parou os trabalhos por vários meses. As obras também enfrentaram problemas burocráticos, como recursos envolvendo desapropriações e burocracia para a utilização de uma área do Exército junto ao futuro viaduto da Bento. Ainda assim, a construção das trincheiras da Anita Garibaldi e da Ceará e do viaduto da Bento Gonçalves está em andamento. Já a trincheira da Avenida Cristóvão Colombo, prejudicada por recursos contra desapropriações, e a trincheira da Plínio Brasil Milano, que aguarda decisão judicial referente à desocupação de um terreno do município, ainda não saíram do papel. Na Plínio, há previsão de implantação de desvios de trânsito após a Copa. Como consequência, o complexo de obras viárias previsto para 2012 não deve ficar pronto antes de 2015.

6. AMPLIAÇÃO DO TERMINAL DE PASSAGEIROS DO SALGADO FILHO

A primeira fase da obra, que deveria ficar pronta até a Copa, incluía a ampliação das salas de embarque e desembarque doméstico de 2,8 mil metros quadrados para 6,2 mil metros quadrados. A ordem de início foi emitida em setembro do ano passado, mas a empresa contratada para realizar o serviço, a catarinense Espaço Aberto, passou por problemas financeiros e greves de funcionários. Devido ao atraso, a construtora foi multada em mais de R$ 160 mil em fevereiro deste ano. De acordo com a Infraero, no entanto, uma nova medição será realizada neste mês para verificar se houve melhora no andamento dos trabalhos. Caso o resultado não seja significativo, a empresa cogita rescindir o contrato com a construtora catarinense e abrir uma nova licitação. Nesse caso, a ampliação para 2013, que ganhou novo prazo para 2016, ficará sem data para conclusão.

7. AMPLIAÇÃO DA PISTA DO SALGADO FILHO

O projeto, previsto para 2011, ficou cerca de dois anos sob análise do Exército. Depois disso, com a conclusão de que a presença de argila mole no solo exigiria um investimento muito maior do que o inicialmente previsto, o projeto esbarrou na burocracia federal. Atualmente, não há previsão nem obras. Um estudo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) apontou que o solo na região da ampliação da pista é inconsistente e exigiria um tratamento que poderia até triplicar o investimento previsto. A situação aguarda uma definição por parte do Conselho de Administração da Infraero. O sistema ILS 2, que facilita o pouso sob neblina, entrou em operação em 20 de junho.

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