Entrevista exclusiva

Presidente da Comissão de Arbitragem da FGF rebate Luxemburgo: "Não temos que repassar nada para time nenhum"

Luiz Fernando Gomes Moreira reforça que expulsão do técnico gremista foi decisão exclusiva do árbitro Márcio Chagas da Silva

30/04/2012 | 17h24
Presidente da Comissão de Arbitragem da FGF rebate Luxemburgo: "Não temos que repassar nada para time nenhum" Diego Vara/
Depois de cobrar atitude de gandula, Luxemburgo acabou expulso do Gre-Nal 392 Foto: Diego Vara

Na manhã desta segunda-feira, mais tranquilo e resignado com a confusão que culminou na sua expulsão do clássico Gre-Nal desse domingo, no Beira-Rio, o técnico do Grêmio Vanderlei Luxemburgo se desculpou com o árbitro Márcio Chagas da Silva. Mas criticou a Federação Gaúcha de Futebol (FGF).

— Alguém lá de cima mandou a minha expulsão. Com certeza. [...] Alguém da comissão de arbitragem que fica lá em cima. Os árbitros, sabendo do que acontece nos jogos do Inter, me expulsam de campo por discutir com o gandula. Não tenho dúvidas de que alguém ligou para me mandar tirar do jogo — afirmou o técnico.

Rebatendo diretamente às críticas feitas pelo treinador, o presidente da Comissão de Arbitragem da FGF Luiz Fernando Gomes Moreira argumentou que a expulsão de Luxemburgo foi decisão exclusiva de Márcio Chagas e que ninguém da Federação repassou informações a algum membro da arbitragem.

— Ninguém da comissão passou informação para qualquer elemento da arbitragem do jogo. A expulsão do Luxemburgo foi uma decisão exclusiva do Márcio Chagas — declarou Moreira.

Confira a entrevista concedida na tarde desta segunda-feira a zhEsportes:

zhEsportes — A informação sobre a reposição rápida de bola por parte dos gandulas do Beira-Rio foi repassada ao Grêmio?
Luiz Fernando Gomes Moreira —
Não temos que repassar nada para time nenhum. O que existe é a técnica que os árbitros desenvolvem para apitar. Eles têm autonomia para tomar decisões dentro de campo. A comissão não tem interferência nisso. O que fizemos na reunião técnica que a gente teve no sábado à noite foi proibir o anti-jogo dos gandulas e a violência em campo. Dentro da capacidade deles, eles montam a técnica de arbitragem. Depois do jogo, vamos analisar a arbitragem deles. Se eles não tomam atitudes, aí nós cobramos.

zhEsportes — Isso foi oficializado em algum momento?
Moreira —
Não existe isso no regulamento e na regra do jogo. Nós não temos que passar o que acontece nas reuniões técnicas para clube algum. Não temos obrigação de passar aquilo que nós tratamos com os árbitros, cada um dentro da atribuição. Não temos obrigação legal e nunca fizemos isso. Não existe nenhuma comissão de arbitragem no Brasil que comunique os clubes.

zhEsportes — A decisão da expulsão do Luxemburgo foi exclusivamente do Mário Chagas?
Moreira —
O professor (Luxemburgo) se passou mais uma vez. É um cara bacana. Mas nesse episódio está tendo um pouco de infelicidade. Toda a comissão de arbitragem estava no campo, no reservado da Federação. É proibido levar rádio para ali. Não podemos falar via rádio com os árbitros que estão trabalhando. Eles têm autonomia para tomar a decisão e depois da partida avaliamos se foi a mais correta ou não. Ninguém da comissão passou informação para qualquer elemendo da arbitragem no jogo. A expulsão do Luxemburgo foi uma decisão exclusiva do Márcio Chagas.

zhEsportes — O que a Federação pensa desse tipo de jogada? 
Moreira —
Vamos nos reunir na quarta-feira para tentar terminar com esse tipo de coisa, que não leva a nada. A ideia é criar um quadro de gandulas da Federação. A gente tinha um quadro de gandulas, com estagiários e estudantes de educação física. Se treinava para fazer o trabalho de forma uniforme. Por questões políticas, se tomou uma decisão diferente e agora se percebe que aquele grupo faz falta. Creio que o Novelletto (Francisco Novelletto, presidente da FGF) deve liberar a criação de um quadro de gandulas para os grandes jogos, incluindo a decisão. Até quarta, devemos decidir sobre isso.

zhEsportes — E sobre o lance?
Moreira —
A gente notou que não teve nenhuma interferência dos gandulas no jogo. Os árbitros coibiram. O Márcio tinha parado aquela jogada. Ele sinalizou e parou o jogo. Em reposições de bola na lateral, os gandulas são treinados para repor no mesmo lugar. Quando a lateral saiu mais adiante, o Altemir (Hausmann, auxiliar) mandou voltar para o lugar de origem. A arbitragem atuou de forma uniforme para todos. Desafio que alguém mostre uma imagem de que isso teve influência na partida. Todo o anti-jogo foi coibido pelos árbitros.

VEJA TAMBÉM

     
 
Zero Hora No jornal Zero Hora você encontra as últimas notícias sobre esportes, economia, política, moda, cultura, colunistas e mais.