Figurinhas do Caxias

Os 12 segredos do time campeão da Taça Piratini para encarar o Inter na final

zhEsportes apresenta o time titular do Caxias, que busca fazer história no Centenário

05/05/2012 | 17h02
Os 12 segredos do time campeão da Taça Piratini para encarar o Inter na final Porthus Junior/Agencia RBS
O técnico Mauro Ovelha estreará com o Caxias neste domingo Foto: Porthus Junior / Agencia RBS

São diversos os fatores que, combinados, formam um time campeão: categoria de base fértil, garimpagem minuciosa de jogadores no mercado, um grupo equilibrado.
O bom time do Caxias, que entra no campo do Centenário neste domingo para enfrentar o Inter, na primeira partida da decisão do Gauchão, é resultado de todos eles. E comprovou isso na campanha do título da Taça Farroupilha – o primeiro turno do Estadual.

A diretoria grená buscou um goleiro campeão em Santa Catarina, confiou na liderança de um zagueiro que já havia passado pelo clube duas vezes e acreditou em um volante que estava em casa, sem clube. Quando perdeu seu camisa 10, lesionado, precisou de um jovem da base para suprir a ausência e em uma derrota na Série C encontrou um jovem goleador.

São 12 trajetórias completamente distintas que se encontraram na Serra. E, agora, pretendem fazer desta decisão um capítulo em comum.

Paulo Sérgio — Aos 31 anos, esse paraense nascido em Tracuateua atuou em 11 clubes antes de chegar ao Centenário. Sua carreira profissional, no entanto, começou no Estado. Em 1997, com 16 anos, Paulo Sérgio deixou Belém, onde se descobriu goleiro, com uma mochila nas costas para fazer um teste no São Paulo. Não passou, mas conheceu o técnico Guto Ferreira, que o trouxe para os juniores do Inter um ano depois. Sem o contrato renovado no Beira-Rio, passou pela base da Ulbra e em 2002 se profissionalizou no Novo Hamburgo — disputou a Divisão de Acesso. Sem clube em 2004, o goleiro pensou em largar as luvas, mas Guto Ferreira mais uma vez foi determinante na sua vida ao indicá-lo para o Corinthians, de Alagoas. Lá, recomeçou sua carreira. Em 2006, foi campeão capixaba pelo Vitória. Enfrentou o Inter em 2009, na primeira fase da Copa do Brasil. Era o goleiro do União Rondonópolis, colega de Rodrigo Moledo, suspenso neste domingo. Chamou a atenção do Caxias após, com a braçadeira de capitão, levar o Atlético de Ibirama, em 2010, de volta a elite do futebol de Santa Catarina.

Michel — O lateral-direito foi um reforço contratado no Exterior. Paulista de Batatais, 27 anos, estava na sua terceira temporada no futebol português, no Vitória de Setúbal, onde era colega de Claudio Pitbull e do goleiro Diego. Foi deles, ambos ex-Juventude, que recebeu as melhores referências da cidade e do Caxias. Pela primeira vez no futebol gaúcho, Michel foi revelado pelo Batatais e perambulou pelo interior de São Paulo (Rio Claro, União São João e Guaratinguetá) antes de partir para Portugal. Marcou um gol nas 13 partidas em que atuou.

Lacerda — Esta é a terceira passagem do zagueiro Lacerda no Estádio Centenário. Vestiu a camiseta grená também em 2007 e 2009. Gaúcho de São Leopoldo, o jogador de 27 anos retornou ao Estado após girar por Joinville, onde foi vice-campeão catarinense em 2010; Luverdense, do Mato Grosso; ASA, de Alagoas; e Red Bull Brasil, de Campinas. Antes, jogou pela antiga Ulbra; Brasil, de Farroupilha; e Sapucaiense. Um dos líderes do grupo, não à toa é o capitão da equipe, Lacerda não deve permanecer na Serra após a decisão com o Inter. Seu contrato termina ao final do Gauchão e Náutico, América-MG, Ceará, Goiás e Ponte Preta já telefonaram para o seu empresário.  

Jean — O cavalo passou encilhado na frente de Jean e ele agarrou a oportunidade. Jovem, 22 anos, foi contratado no início da temporada junto ao Brasil, de Farroupilha, clube que o revelou — também passou pela base do Grêmio —, para formar o grupo de jogadores. A zaga se encaminhava para ser formada por Lacerda e Gabriel, ex-Grêmio (30 anos), que há uma década estava no futebol europeu. Em um treino na pré-temporada, no entanto, Gabriel rompeu os ligamentos do tornozelo direito e não pôde disputar a Taça Piratini. Não fez falta, o gaúcho de Paim Filho e 1m86cm, hoje um dos jogadores mais promissores do clube, supriu a ausência.

Fabinho — Quando a diretoria do Caxias vendeu 50% dos direitos federativos de Gerley para o Palmeiras — emprestado ao Bahia —, melhor lateral-esquerdo do Gauchão 2011, não imaginava que com parte dos R$ 1,2 milhão contrataria o melhor lateral-esquerdo do Gauchão 2012. Fabinho se destacou na campanha do Brasil, de Farroupilha, na Divisão de Acesso e foi escolhido para substituir Gerley na disputa da Série C e da Copa FGF do ano passado. Sem os resultados esperados, sua saída para o Veranópolis chegou a ser cogitada no final do ano. Permaneceu para marcar quatro gols e se tornar um dos destaques do Gauchão deste ano. Natural de Pelotas, onde jogou pelos dois clubes da cidade, Brasil e Pelotas, o jogador de 29 anos passou por momentos difíceis na carreira ao romper os ligamentos dos dois joelhos. Fora do Estado, jogou pelo Luverdense, do Mato Grosso. Do time titular, com exceção de Wangler, que é da base, ninguém está a mais tempo no clube do que Fabinho.

Umberto — Veterano do grupo do Caxias, o volante de 33 anos pode repetir a trajetória de Gil Baiano no Centenário. Assim como o meia campeão gaúcho de 2000, com Tite, Umberto virou a casaca e saiu do Juventude direto para o Caxias. Poucos jogos demonstrando a entrega e pegada costumeira foram suficientes para desfazer a desconfiança inicial da torcida. Nascido em Vila Velha, no Espírito Santo, Umberto apareceu para o futebol no interior de São Paulo, no Paulista, de Jundiaí. Depois de passagens por Guarani, Atlético Sorocaba e Ituiutaba (MG), desembarcou no Rio Grande do Sul. Esteve em campo em 17 dos 18 jogos do time e marcou um gol.

Paraná — O apelido denuncia. Alessandro Jose Basso é paranaense, nasceu em São Jorge D'Oeste, sudoeste do Paraná, a 450 km de Curitiba. Jogava futsal na vizinha Quedas do Iguaçu até ser aprovado em uma peneira do Inter, no final de 1999. No Beira-Rio, o volante de 24 anos e ótima batida na bola atuou ao lado de Pato, hoje no Milan. Paraná também tentou a sorte na Itália, mas obteve o mesmo sucesso. Retornou e passou por Criciúma, Rio Claro, União Frederiquense e Aurora, do Mato Grosso. Em agosto passado, foi contratado pelo Caxias. Cobrador de faltas e escanteios, o jogador fez dois gols nas 16 partidas no Gauchão.

Mateus — Apesar de ter nascido no Rio Grande do Sul, em Tuparendi, no noroeste do Estado, Mateus, 25 anos, foi revelado pelo Criciúma. Foi fisgado por um olheiro do time de Santa Catarina em um torneio de futsal em Santa Rosa, para onde se mudará exatamente pela qualidade nas quadra — conseguiu uma bolsa de estudos. Mas o início da carreira nos campos não foi fácil. Demorou para ser promovido ao time principal do Criciúma e quando subiu amargou o banco, assim como no Goiás e no Sport, onde foi improvisado até de lateral-esquerdo, em 2010. Se transferiu para o Grêmio Prudente, mas uma lesão no tornozelo o afastou dois meses dos treinamentos. Quando retornou, o clube havia voltado para Barueri, com nova administração, e ele estava fora dos planos. Ficou três meses em casa até o telefone tocar. Era o Caxias. 

Wangler — O drible curto tem origem no futsal. Wangler é mais um exemplo de jogador que saiu do parquet para o campo. Jogava o esporte da bola pesada até meados de 2010, quando, aos 17 anos, ingressou na base do Caxias. Natural de Tapera, município de 10,6 mil habitantes no noroeste do Estado, o meia baixinho (1m70cm) e ligeiro assumiu a titularidade nas quartas de final da Taça Piratini. Vestiu a camisa 10 que era de Diego Torres, que rompeu os ligamentos cruzados do joelho direito, e demonstrou personalidade com 19 anos. Em 17 jogos no Gauchão, marcou dois gols.

Caion — Caion nasceu em Caxias, mas não em Caxias do Sul, em Caxias do Maranhão, a 360 km da capital São Luís. Apesar dos 21 anos, o rápido atacante já tem uma aventura na carreira para contar aos filhos. Em 2010, tentou a sorte na Coreia do Sul, onde atuou pelo Gangwon. Acostumado com o calor do nordeste, Caion não se adaptou ao futebol e ao frio coreano e retornou para o Brasil. Antes de partir para a Ásia, jogou no Paraná, pelo Iraty, e no Ceará, por Ferroviário e Icasa, clube que o revelou. Neste Gauchão, jogou 16 partidas e fez dois gols.

Vanderlei — Fluminense de Valença, na região do Vale do Café, sul do estado do Rio, Vanderlei, aos 24 anos, disputará sua primeira decisão na carreira. Aliás, segunda, estreou em finais na da Taça Piratini, contra o Novo Hamburgo, quando inclusive marcou o gol no empate (1 a 1) que levou a partida aos pênaltis. O atacante foi apresentado após a estreia do Caxias no Gauchão e não demorou muito para sua velocidade e poder de conclusão chamar a atenção do então técnico Paulo Porto. Vanderlei começou no Profute, do Rio, passou pelo Ivinhema, do Mato Grosso do Sul, e Paulista. Emprestado ao Santo André para a disputa da Série C, em 2011, marcou um gol justamente contra o Caxias, na derrota gaúcha por 3 a 1, no Centenário. Ali despertou interesse da diretoria grená. Marcou cinco gols nos 16 jogos no Gauchão.

Mauro "Ovelha" Grasel — O treinador de 45 anos assumiu a equipe há 19 dias, depois da surpreendente demissão de Paulo Porto, campeão da Taça Piratini, após a eliminação na Taça Farroupilha. Embora seja gaúcho de Santo Ângelo, a carreira de Ovelha foi toda nas casamatas de Santa Catarina, onde atuou por quase toda carreira de jogador _ era zagueiro, revelado pelo Inter. No estado vizinho treinou Joaçaba, Marcílio Dias, Chapecoense, Atlético Ibirama, Metropolitano, Joinville e Avaí. Chegou ao Centenário com a credencial do título catarinense do ano passado, com a Chapecoense, o quarto estadual na história do clube, sua principal conquista. Em 2011, também ganhou a Copa Santa Catarina.

 
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