A recente façanha do G.E. Brasil retrata a pujança do clube e por consequência da comunidade pelotense. Ao contrário das demais, a cidade mantém a hegemonia dos clubes locais, exemplo do Brasil, cuja torcida e simpatizantes sobrepujam os da dupla Gre-Nal.
Não podemos desprezar o fato de que o futebol do interior gaúcho sobrevive à míngua e com a sobra dos grandes da Capital. Pois até mesmo os parcos patrocínios do Estado via instituição financeira oficial foram retirados, mantendo-se tão somente nas camisetas do futebol de Porto Alegre, o que denota a total falta de incentivo de parte dos patrocinadores.
Incluem-se aí os poderes públicos municipais, sem prestigiar o futebol interiorano, tendo olhos tão somente para a Dupla que disputa o maior certame nacional. Não esqueçamos, no entanto, em que pese tenhamos só dois clubes na Série A do Campeonato Brasileiro, que as duas equipes invariavelmente não apenas participam mas disputam título, o que nos dá motivo de regozijo, ao contrário de outros tantos Estados que, apesar de terem maior número de equipes, não ultrapassam a figuração de meros coadjuvantes, na luta contra o rebaixamento.
Cabe ilustrar que a FGF repassa aos nossos clubes sete vezes mais do que faz a Federação Catarinense. A heroica jornada do Brasil retrata a dificuldade a que o futebol interiorano está sujeito. Um dos principais fatores é a ausência no Estado de participação mais efetiva das comunidades, além do poder público, no fomento do esporte.
A própria entidade máxima do futebol gaúcho, com a construção de uma nova sede que traduza a grandeza do nosso futebol, teve sonegada de parte do poder público estadual o mesmo incentivo fiscal concedido aos estádios da dupla Gre-Nal, com a isenção do ICMS. Já no Estado vizinho, por intermédio de emenda parlamentar, foi possível a construção da sede com isenção total de impostos.
Aqui, onde os clubes do Interior travam uma batalha hercúlea pela sobrevivência do futebol, resta o exemplo revelado pelo presidente do Lajeadense que, na esteira de um vice-campeonato gaúcho e da participação na Copa do Brasil, lançou campanha de sócios resultando em apenas 250 adesões. Ao mesmo tempo, a dupla Gre-Nal conta com mais de 6,5 mil sócios na cidade. Em Caxias do Sul, somente o Inter apresenta um quadro de sócios maior do que o da dupla Ca-Ju.
Tudo isso denota a excepcionalidade e o heroísmo de Pelotas, na figura do Brasil, que se presta como exemplo de luta e perseverança, sobretudo frente a uma não tão remota tragédia que tocou o mundo esportivo.
De Fora da Área
Francisco Novelletto: o heroísmo de Pelotas
A heroica jornada do Brasil retrata a dificuldade a que o futebol interiorano está sujeito
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