Para provar a imortalidade

Missão para o Grêmio: reverter derrota por dois gols fora de casa é tarefa rara no futebol

Diante do Palmeiras, em SP, tricolor gaúcho precisa recuperar vantagem perdida no Olímpico

16/06/2012 | 09h48
Missão para o Grêmio: reverter derrota por dois gols fora de casa é tarefa rara no futebol Tadeu Vilani/Agencia RBS
Antes da missão contra o Palmeiras, time de Luxa tem jogo contra o Náutico nos Aflitos Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS

Perder o jogo de ida em seus domínios e depois reverter a vantagem na casa do adversário não é algo tão incomum.O próprio Grêmio já conseguiu na Copa do Brasil de 1992, levou 1 a 0 do Paraná no Olímpico e se classificou, graças ao gol qualificado, ao fazer 2 a 1 em Curitiba. Na final da Libertadores de 2002, o Olímpia sofreu 1 a 0 do São Caetano no Paraguai, ganhou por 2 a 1 no Brasil e conquistou o título nos pênaltis. Nas semifinais da Copa do Brasil de 2004, o Santo André tomou 4 a 3 do 15 de Novembro, mas na volta aplicou 3 a 1 e chegou à decisão.

Agora, perder em casa por dois gols de diferença – caso do Grêmio nas semifinais da Copa do Brasil deste ano, contra o Palmeiras – e buscar a vaga no estádio do rival é algo extremamente raro. Na história das competições mata-mata, incluindo torneios internacionais (Libertadores, Sul-Americana, Liga dos Campeões, Liga Europa), há pouquíssimos exemplos de superação. Coisa de contar nos dedos de uma só mão, sendo generoso.

Mas há.

Nas oitavas de final da Libertadores de 2008, o América-MEX foi goleado por 4 a 2 no Azteca pelo Flamengo – no Maracanã, eliminou os cariocas: 3 a 0.

Na terceira fase da Copa do Brasil de 2006, o Atlético-MG levou 2 a 0 no Mineirão do Fortaleza – no Castelão, avançou ao bater os cearenses: 3 a 1.

Nas quartas de final da Liga dos Campeões de 1968/1969, o Ajax perdeu por 3 a 1 em Amsterdã para o Benfica – em Lisboa, provocou um jogo extra ao devolver o placar (e acabou eliminando os portugueses ao fazer 3 a 0 em Paris).

Três casos, entre centenas de confrontos pesquisados. Há de haver mais, procurando, por exemplo, em Copa da Itália, Copa do Rei, na Espanha, Copa da Inglaterra ou mata-matas de âmbito regional. Mas, em suma, o retrospecto mostra que a tarefa do Grêmio diante do Palmeiras será digna de uma epopeia, os poemas que narram ações heroicas.

Para quem já traz no currículo a Batalha dos Aflitos, pode não ser impossível.

Joel Santana foi surpreendido

A eliminação para o América-MEX no Maracanã lotado é um dos maiores vexames da história rubro-negra. Afinal, o Flamengo voltou do Estádio Azteca com uma senhora vantagem nas oitavas da Libertadores de 2008. Venceu por 4 a 2 e, no Rio, poderia perder por 2 a 0 ou 3 a 1.

O clima de oba-oba pela conquista do Campeonato Carioca no domingo anterior e pela despedida do técnico Joel Santana (de saída para a seleção da África do Sul) deu lugar ao choro dos jogadores e à revolta da torcida. O América fez dois gols no primeiro tempo – um deles em contra-ataque – e, na segunda etapa, de falta, chegou ao gol da classificação: 3 a 0.

Palavra de quem conseguiu

Lori Sandri, gaúcho de Encantado, 63 anos, era o técnico daquele Atlético-MG que derrubou as expectativas na Copa do Brasil de 2006. Por telefone, de Curitiba, onde mora, o treinador recordou o duelo contra o Fortaleza e falou sobre o desafio gremista:

Depois de uma derrota por 2 a 0 em casa (com os dois gols ainda no primeiro tempo, ou seja: o Atlético-MG não chegou a reagir), a maioria das pessoas, inclusive a imprensa, adota a linha de que é impossível reverter o resultado. Um técnico precisa usar esse sentimento de desconfiança, de desânimo, como motivação. Precisa trabalhar a cabeça do jogador. Tem uma semana para fazer isso.

Para acontecer a reversão, é muito difícil. São raríssimos os casos. Vai depender das circunstâncias do jogo de volta. Se você fizer um gol cedo, como aconteceu com o

Atlético-MG no Castelão, cresce bastante a chance. (O Atlético-MG fez 1 a 0 aos 25 minutos do primeiro tempo, com Danilinho, e ampliou aos 32, com Marinho, de pênalti. Aos 19 da segunda etapa, Finazzi descontou. Mas o time mineiro não esmoreceu e, aos 40, em uma cobrança de falta, Zé Antônio marcou o gol da classificação.) Nós tomamos o gol do Finazzi a tempo de nos recuperarmos. No caso do Grêmio, foi muito curto o tempo para que um jogador pudesse transmitir confiança para o outro. (O Palmeiras fez 1 a 0 aos 41 do segundo tempo e 2 a 0 aos 45.)

Acho o Grêmio superior ao Palmeiras. O time tem que acreditar. Você deve ter acompanhado a final da Liga dos Campeões (o Chelsea empatou com o Bayern aos 43 do segundo tempo) e a última rodada do Campeonato Inglês. O Manchester City estava perdendo o título até os 45 do segundo tempo, mas marcou dois gols nos acréscimos



 
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