Exemplos

Um exemplo para o Grêmio: os times que mudaram de estádio

Conheça os clubes que trocaram de estádio e inspiraram o Grêmio

08/12/2012 | 10h02
Um exemplo para o Grêmio: os times que mudaram de estádio Ticiano Osório/Zero Hora
Estádio Emirates , do Arsenal, foi uma das inspirações da nova Arena gremista Foto: Ticiano Osório / Zero Hora

A responsabilidade exige projeções, mas os reflexos técnico e financeiro que a mudança de casa do Grêmio acarretará ao clube só poderão ser mensurados e constatados nos próximos anos. Aumentar a receita, impulsionar a média de público, estimular a fidelidade do torcedor, revitalizar a área do entorno, acrescentar novas taças na galeria. Nos quatro exemplos a seguir, de clubes europeus que trocaram de estádio neste século, tudo isso ocorreu, nem sempre sem efeitos colaterais.

O estádio Cidade de Manchester, agora Etihad, é o Engenhão da Inglaterra. Assim como o palco do Rio de Janeiro, construído para o Pan-Americano de 2007, foi concebido como estádio olímpico, para a disputa dos Jogos da Comunidade Britânica de 2002. Após a competição, assim como ocorreu com o governo carioca, a prefeitura de Manchester ficou com um elefante branco nas mãos, que só gerava despesas para a cidade industrial. Encontrou solução no sul de Manchester.

Ainda sem os milhões do Abu Dhabi United Group, que só viriam em 2008 (e que ajudaram a conquistar o título nacional em 2011/2012), e brigando contra o rebaixamento no Campeonato Inglês toda temporada, o Manchester City não tinha dinheiro para reformar Maine Road e aumentar sua capacidade em 10 mil lugares. Foi mais barato e lucrativo arrendar o estádio olímpico por 250 anos e pagar 20 milhões de libras para a instalação de bares, restaurantes e uma área corporativa. A conversão de estádio olímpico para exclusivamente de futebol (um novo setor de arquibancadas foi instalado sobre a pista atlética) foi paga pelo município: 22 milhões de libras. O City paga de aluguel ao município apenas a metade dos ingressos do público que exceder a capacidade do antigo Maine Road, de 35 mil. Em 2010/2011, o clube arrecadou em bilheteria 29,5 milhões de libras e gastou cerca de 2 milhões de libras.

O acordo de naming rights com a companhia aérea Etihad, dos Emirados Árabes, é ainda mais rentável para o clube. Para ter o direito de vender o nome do estádio por 350 milhões de libras por 10 anos, o clube paga 2 milhões de libras por temporada à cidade. O contrato com a Etihad também inclui um novo centro de treinamento, ao lado do estádio, no valor de 100 milhões de libras, que será construído até 2014.


Manchester City


Mudou-se do...

Maine Road

(de 1923 a 2003)

Capacidade: 35.150

Último jogo: Manchester City 0x1 Southampton (11/5/2003)

 para o...

Estádio Etihad

Custo: R$ 66,7 milhões mais "aluguel" de R$ 13 milhões

Capacidade: 48.000

Inauguração (reformado): Manchester City 2x1 Barcelona (10/8/2003)

 

Arsenal

Mudou-se do...

Highbury Park

(de 1913 a 2006)

Capacidade: 38.419

Último jogo: Arsenal 4x2 Wigan (7/5/2006)

para o...

Estádio Emirates

Custo: R$ 1,6 bilhão

Capacidade: 60.362

Inauguração: Arsenal 2x1 Ajax (22/7/2006)

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Entre os clubes que trocaram de casa, o Arsenal é o que encontra mais obstáculos para voltar a ser competitivo. Desde 2006 no Emirates, a 500 metros do antigo Highbury Park, no norte de Londres, o time mais popular da cidade ainda não comemorou título na nova arena.

E o principal motivo, é, justamente, a arquitetura financeira que a diretoria dos Gunners precisou conceber para fazer a mudança. Sem subsídio por parte do governo britânico, a holding que administra o Arsenal obteve empréstimo de 260 milhões de libras de um grupo de seis bancos, liderado pelo Banco Real da Escócia.

Diferentemente do que se pensa, a companhia aérea dos Emirados Árabes que dá nome ao estádio não financiou o projeto. Na verdade, o contrato de 100 milhões de libras com a Emirates assinado em 2004, pelos naming rights por 15 anos e o patrocínio máster por oito, serviu de garantia para a obtenção do empréstimo, assim como o longo termo de sete anos com a Nike, que paga 13 milhões de libras por ano. No dia 23 de novembro, Arsenal e Emirates anunciaram a extensão do acordo por 150 milhões de libras, pelo patrocínio máster por cinco anos e os naming rights até 2028.

O lado bom: a média de público é de 60 mil torcedores por temporada (no país, perde só para o Manchester United). O clube ficava entre os 10 do mundo na lista de maiores receitas e hoje está no top 5. O lado ruim: o Arsenal tem uma dívida anual de 15 milhões de libras para quitar o empréstimo até 2031. Iniciando toda temporada no negativo, o clube se vê obrigado a vender jogadores. Nos últimos anos, Arsène Wenger perdeu Adebayor, Fábregas, Nasri e Van Persie. Com contrato longo, o valor de patrocínio da camiseta ficou defasado. Por temporada, o Arsenal recebe 5,5 milhões de libras para estampar "Fly Emirates" no peito dos jogadores, três vezes menos do que o Liverpool ganha da Standard Chartered.

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A Juventus foi obrigada a mudar de estádio. Nas últimas temporadas no Delle Alpi, construído para a Copa do Mundo de 1990 – e local da eliminação do Brasil pela Argentina –, com capacidade para 67 mil pessoas, os torcedores abandonaram o time. A massa "biancorera" nunca gostou da arquitetura do estádio. Os números comprovam: a média por jogo no Campeonato Italiano de 2004/2005, mesmo com o título, foi de 26.883. A principal reclamação era a distância entre o campo e as arquibancadas, separados por cerca de 28 metros.

Os planos para a remodelação começaram em 2003, quando a diretoria juventina comprou o estádio do governo italiano, por um valor tão baixo que até hoje causa discussões em Turim: cerca de 25 milhões de euros. Após os primeiros estudos para a reforma, os dirigentes constataram que construir uma nova arena, mais moderna, seria mais viável.

Para construir um estádio de ponta, com 41 mil lugares, e se tornar, acredite, o primeiro time da Série A da Itália a ter casa própria, a Juventus gastou R$ 328 milhões – menos do que 11 das 12 arenas da Copa de 2014, no Brasil. Negociou a exploração da parte comercial da arena com a Nordiconad por R$ 82 milhões. Vendeu os direitos do nome por 12 anos para a agência francesa Sportfive – que tenta negociar o nome do estádio – e levou mais R$ 205 milhões. E obteve um empréstimo de R$ 136 milhões do Instituto para o Crédito Esportivo do governo italiano.

Na primeira temporada da nova casa, 2011/2012, na qual conquistou o Italiano, mesmo sem participar da Liga dos Campeões, o clube triplicou sua arrecadação, de 11,6 milhões de euros, para 31, 8 milhões de euros. Nesta temporada, tem média de 40,7 mil torcedores na Liga, e de 37,8 mil no Italiano. Ah, a distância para o campo, agora, é de 7,5 metros.

Juventus

Mudou-se do...

Delle Alpi

(de 1990 a 2008)

Capacidade: 67.000

Último jogo: Juventus 2x1 Palermo (7/5/2006)

para o...

Estádio Juventus

Custo: R$ 328 milhões

Capacidade: 41.000

Inauguração: Juventus 1x1 Notts County (8/9/2011)


Porto

Mudou-se do...

Estádio das Antas

(de 1952 a 2004)

Capacidade: 50.000

Último jogo: Porto 2x0 Estrela Amadora (24/1/2004)

para o...

Estádio do Dragão

Custo: R$ 268 milhões

Capacidade: 50.399

Inauguração: Porto 2x0 Barcelona (16/11/2003)


Os principais clubes portugueses trocaram de estádio a partir do dia 12 de outubro de 1999, quando Portugal foi anunciado sede da Eurocopa de 2004. Todos se beneficiaram de uma série de isenções fiscais concedidas pelo governo e de financiamentos com juros mais baixos garantidos por acordos com a União Europeia. Em Lisboa, o Benfica construiu um novo Estádio da Luz, no mesmo lugar do antigo, assim como o Sporting, que ergueu o moderno complexo José Alvalade Século XXI, e o Porto trouxe ao mundo o Estádio do Dragão.

Palco da abertura da Euro, o Estádio do Dragão é um dos mais confortáveis do continente e substituiu o defasado Estádio das Antas, que tinha cobertura apenas em um pequeno setor. Começou a ser construído em 2001 a poucos metros do antigo, em uma área abandonada do Porto. O novo estádio revitalizou a área, atualmente com hotéis, shoppings, diversos prédios residenciais, com acesso a uma das principais avenidas da cidade e estação de metrô próxima. Segundo o jornalista local Nuno Miguel Martins, nem em dias de jogos o trânsito congestiona. A venda das arquibancadas para patrocinadores, muito comum no país – cada setor tem o nome de uma marca –, também foi fundamental para arrecadação de fundos.

O número de torcedores por jogo permaneceu praticamente o mesmo (a média no Campeonato Português é de 32,5 mil, e na Liga dos Campeões, de 30,3 mil). Mas, coincidência ou não, a nova atmosfera parece ter influenciado nos resultados no campo. Das últimas nove ligas portuguesas, o Porto conquistou sete e, no primeiro ano do Dragão, levantou a segunda Liga dos Campeões da Europa de sua história centenária. Na atual edição do torneio continental, classificou-se às oitavas de final.

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Chris Ostick

editor assistente do Manchester Evening News, da Inglaterra


"Foi crucial para a história do Manchester City trocar de estádio. Maine Road estava muito velho, e o novo estádio ficou muito moderno e confortável para o torcedor após a adaptação para o futebol. A mudança também foi fundamental para atrair novos investidores, como o Abu Dhabi United Group"

Nuno Miguel Martins

repórter da TSF Rádio Notícias,
de Portugal

"O Estádio do Dragão revitalizou uma zona abandonada da cidade. Hoje, tem hotéis, centros comerciais, muitos prédios residenciais e metrô. E, quando o Porto joga em casa, raramente perde."

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