Opinião

David Coimbra: faltou um pai na área técnica do Grêmio

Esse Felipão de hoje não é Felipão, é seu Scolari, um senhor de bigode e cabelos grisalhos, meio desanimado

Atualizada em 10/08/2014 | 21h1810/08/2014 | 19h57
David Coimbra: faltou um pai na área técnica do Grêmio Diego Vara/Agencia RBS
Foto: Diego Vara / Agencia RBS

No Dia dos Pais, os jogadores do Grêmio não tinham um pai na área técnica. Tinham um avô. Esse Felipão de hoje não é Felipão, é seu Scolari, um senhor de bigode e cabelos grisalhos, meio desanimado, amolentado pelos anos, pelo sucesso e pela fortuna.

Justiça se faça: ninguém poderia esperar de Scolari que tivesse neste domingo a mesma energia de um quarto de século atrás, mas o que mais espanta é que ele não perdeu apenas a capacidade de vibração e indignação: perdeu suas crenças. Porque o Scolari dos anos 90 jamais entraria em um Gre-Nal com um time tão fragilizado no meio-campo, como foi o do Grêmio deste domingo, no Beira-Rio.

Verdade que ele descobriu dois volantes de categoria, com os quais pode começar um novo time: o jovem Walace, uma fortaleza na frente da área, e o experiente Fellipe Bastos, escorreito na saída de bola e atento à marcação. Mas não havia ninguém mais para ajudá-los nas cansativas tarefas de contenção. Os outros eram os inoperantes de sempre: o elétrico mas pouco efetivo Dudu, que perdeu (de novo) a chance de definir o jogo no primeiro tempo; Rodriguinho, fogoso por exatamente dois minutos, quando a chama de seu entusiasmo foi apagada por um cartão amarelo precoce; o ainda desajustado Giuliano; e Barcos, o centroavante solitário.

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Ah, sim, Scolari também mudou a defesa: por algum motivo colocou Pará na esquerda e Ramiro na direita, o que não foi ruim nem bom nem mais ou menos. E, no meio da zaga, fez voltar Werley, um jogador que havia falhado decisivamente em seus dois últimos Gre-Nais. Ontem, em compensação, ele falhou decisivamente.

O resultado foi lógico: deu a lógica. O Inter ganhou não por ter jogado uma grande partida, não por ter sido muito superior, nem por alguma façanha de vestiário. O Inter ganhou porque tem um time mais ajustado, um técnico que faz o óbvio e pelo menos um jogador bem melhor do que todos os demais em campo: o armador Aránguiz. Foi ele quem abriu o placar, antecipando-se a Werley e desferindo uma testada na bola, mesmo sendo uma cabeça mais baixo do que o zagueiro do Grêmio.

Depois desse gol, o jogo mudou. O time do Grêmio murchou, as pernas de seus jogadores pareciam pesadas, eles estavam abatidos. Como seu treinador. Da área técnica, seu Scolari observava com alguma resignação a inferioridade de sua equipe. Era mais uma derrota. Nada que não seja usual para um time e um técnico que já estão acostumados a perder.

O que outros comentaristas disseram:
Diogo Olivier: o trabalho de Luiz Felipe Scolari será longo e árduo
Wianey Carlet: o Inter ganha porque contrata e forma jogadores de mais qualidade
Luiz Zini Pires: o avassalador poder colorado em Gre-Nais

Confira a partida em imagens:

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