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"Um peso, duas medidas". Foi com o conhecido ditado que o presidente Romildo Bolzan lembrou a punição sofrida pelo Grêmio há dois anos. Em 2014, o Tricolor foi julgado pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva por conta de um caso de racismo contra o goleiro Aranha, na partida contra o Santos, pela Copa do Brasil. Na última semana, o Atlético-PR foi julgado por conta de um caso muito semelhante em um jogo da 20ª rodada do Brasileirão 2016. O jogador Tchê Tchê, do Palmeiras, sofreu com injúria racial de um torcedor paranaense. O STJD aplicou uma multa ao clube, e o torcedor foi impedido de frenquentar o estádio por 720 dias. As informações são da Rádio Gaúcha.
– É uma situação que nos causa estranheza. O Grêmio foi o único dos grandes banido de uma competição, esta foi a decisão. Foi uma espécia de afronta à história e tradição do clube. Nenhum clube teve uma punição como aquela, por conta de uma moça, uma situação. O goleiro depois provocou a torcida. O presidente Fábio Koff deu uma declaração incrível depois daquele episódio, dizendo que se aquela punição fizesse com que acabasse o racismo no Brasil, seria ótimo – declarou o presidente Bolzan, em entrevista antes do jogo contra o Botafogo, neste domingo.
O dirigente ainda afirmou que este fato coloca "em suspensão" situações no futebol brasileiro, e que é preciso cautela em casos como estes.
– Acho isto um despropósito, que coloca em suspensão verdadeiramente muitas coisas no futebol brasileiro. Nós precisamos tomar cuidado. Eu fico decepcionado com um peso e duas medidas. Até hoje nós não aceitamos aquela punição, fomos injustiçados. Esta decisão prova que aquela foi injusta. O Grêmio continua revoltado com aquela decisão e fica ainda mais agora, com um fato semelhante, numa situação muito mais benéfica com outro clube – confessou.
O comentarista de arbitragem do Futebol da Gaúcha, Diori Vasconcelos, faz uma ressalva quanto às declarações do presidente. Na época, a pena não foi a exclusão do Tricolor, mas sim a perda de três pontos, no julgamento do recurso – em primeira instância, o Grêmio havia, mesmo, sido punido com a exclusão.
– O Grêmio foi excluído em um primeiro julgamento. Depois houve um novo episódio em que a decisão foi modificada. O Grêmio perdeu três pontos. A consequência é a mesma, mas no registro histórico o time não foi excluído da competição. Foi penalizado com três pontos. O mínimo que se deveria fazer com o Atlético-PR seria tirar três pontos dele no Brasileirão. A decisão final seria a mesma.
Romildo ainda relembrou uma declaração do ex-presidente Fábio Koff em 2014. Naquela época, o então presidente afirmou que concordaria com a punição do Grêmio se aquele caso acabasse com o racismo no futebol brasileiro.
– Tem que ficar registrado para toda a torcida brasileira. Este fato não pode passar em branco, magoou profundamente o Grêmio. Criou uma mácula profunda no clube. É bom ser lembrado para que não se repita e não aconteça mais na Arena. Para mim, joga em suspensão todo um conceito de justiça desportiva no País. O tribunal jogou politicamente naquela situação. Jogou para a mídia, jogou para o público, que queria uma punição para o clube. Eu não quero deixar batido uma situação onde fomos extremamente prejudicados e, em uma situação idêntica, aconteceu diferente – finalizou o presidente tricolor.
*RÁDIO GAÚCHA