Opinião

Leonardo Oliveira: o Botafogo parece inspirado naquele Grêmio de Felipão

Próximo adversário na Libertadores é um time disciplinado e aguerrido

Por: Leonardo Oliveira
10/08/2017 - 21h34min | Atualizada em 10/08/2017 - 21h37min
Leonardo Oliveira: o Botafogo parece inspirado naquele Grêmio de Felipão Apu Gomes/AFP
Foto: Apu Gomes / AFP  

Lembram-se do Grêmio de alguns anos atrás, das vitórias épicas e do jogo de pura transpiração? O Botafogo de Jair Ventura bebe dessa mesma fonte. Trata-se de um time aguerrido, pegador e que joga cada partida como se fosse a última, em um esforço comovente. É por causa do filho de Jairzinho e dessa energia que trouxe a torcida junto que o carioca menos carioca dos últimos tempos chegou às quartas de final da Libertadores. É bom o Grêmio se preparar para uma peleia dura por vaga na semifinal.

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O Botafogo cumpre nesta Libertadores a trajetória mais épica. O Grêmio será seu sétimo adversário, o sexto campeão da América (os outros, na ordem, são Colo-Colo, Olímpia, Nacional-COL, Estudiantes e Nacional-URU). O time aprendeu a encarar as durezas da Libertadores e criou casca durante a competição.

O grande mérito de Jair Ventura, 37 anos, foi fazer os jogadores abraçarem sua ideia de futebol intenso e a causa do clube. A prova do seu sucesso está exposta ao se olhar o time. O craque que havia, Montillo, se aposentou. Ficaram jogadores emergentes, em busca de afirmação. Na zaga, destaque para Carli, buscado no Quilmes em 2016. Ao seu lado, está Ígor Rabello, feito em casa. Na lateral, Luis Ricardo voltou depois de longo tempo parado e assumiu a posição, vaga desde a saída de Alemão. O lateral-esquerdo Victor Luis, expulso, será desfalque no jogo de ida contra o Grêmio.

Está no meio-campo o grande trunfo de Jair Ventura. Com esses jogadores, ele alterna do 4-2-3-1 para o 4-1-4-1 com um gesto. Lindoso é volante mais pegador. Matheus Fernandes, outra joia da base e já na mira do Barcelona, é quem sai mais. À frente deles, Bruno Silva, um volante transformado em extrema, João Paulo, cria do Inter que fez Camilo não deixar saudade, e Pimpão, que igualou Jairzinho como maior goleador do clube em Libertadores, com cinco gol, marcam e atacam com energia. Roger, o centroavante, tem a função de ser o pivô, de segurar a bola e dar o tempo para que o time chegue de trás.

Assim tem sido o Botafogo neste 2017 mágico para o clube, que há um ano era apontado como candidato ao rebaixamento. Foi com essa energia, que faz botafoguenses lotarem o Engenhão, que o clube chegou até aqui. O confronto com o Grêmio colocará frente a frente dois estilos de futebol. Um mais técnico, de toque, e outro de pura transpiração, em um papel que até pouco tempo era do clube gaúcho. 

 
 
 
 
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