Como tudo começou

A noite em que D'Alessandro chegou a Porto Alegre para atuar no Inter

Em 30 de julho de 2008, o argentino assistiu jogo com o Santos no Beira-Rio

27/07/2013 | 15h01
A noite em que D'Alessandro chegou a Porto Alegre para atuar no Inter Diego Vara/ Agência RBS/
D'Alessandro completa cinco anos com a camisa do Inter Foto: Diego Vara/ Agência RBS

Fernando Carvalho havia voltado ao Inter para que Tite pudesse assumir o time. Abel Braga havia saído após o Gauchão, para o Al-Jazeera, e Vitorio Piffero, então presidente, tinha resistência ao novo treinador, devido a "seu passado gremista".

Com Carvalho de volta ao futebol, ao lado do então vice, Giovanni Luigi, o Inter foi às compras na janela. E buscou, no San Lorenzo, o camisa 10 que no começo de carreira foi apontado na Argentina como um dos muitos novos Maradona: D'Alessandro.

Após uma demorada negociação, na qual o Inter e o investidor Delcir Sonda pagaram 5 milhões de euros mais os direitos do meia Tales ao Zaragoza (clube que detinha parte do vínculo de D'Alessandro), o meia canhoto argentino chegou a Porto Alegre ao final da tarde de 30 de julho de 2008, uma quarta-feira de rodada do Brasileirão. Descansou por algumas poucas horas no Hotel Sheraton e, em seguida, dirigiu-se ao Beira-Rio.

Infográfico conta a trajetória vitoriosa de D'Alessandro no Inter

Naquela noite, o Inter enfrentaria o Santos pré-Neymar. A noite deveria ser de Daniel Carvalho. Com a camisa 99 às costas, Daniel havia sido apresentado antes da partida. Nas arquibancadas do antigo Beira-Rio, a torcida entoava um "Ôôôôô, o Daniel voltou, o Daniel voltou...".

Isso até D'Alessandro surgir nas suítes. Jaqueta preta, jeans cinza, cabelo raspado dos lados e piercing logo abaixo do lábio direito. Bom, aí o estádio inteiro desistiu do jogo, que ficou em segundo plano, e os olhares se voltaram para a suíte número 7, onde o argentino tentava se sentar.

Sim, porque acomodar-se era impossível. Assim que D'Alessandro foi identificado, uma romaria teve início. Dos elegantes colorados nas suítes ao povão na inferior, todos queriam ganhar a atenção do camisa 15 - a 10 já pertencia a Alex. Na inferior, valia ganhar pezinho, ficar na ponta dos pés para enxergar o meia e até mesmo atirar bonés e camisas para que o meia assinasse.

E D'Alessandro, ainda surpreso com o carinho, autografava tudo o que via pela frente. Cansou de tirar fotos e, do pouco que viu do jogo, perguntou quem era o camisa 7. Era Taison, que depois seria um de seus grandes amigos no clube.

O Inter perdeu aquela partida para o Santos, em um erro de Danny Morais e gol de Maikon Leite. Pouco importou aos colorados, que caíram para a nona colocação do Campeonato Brasileiro. Um novo rei estava surgindo no Beira-Rio: D'Alessandro.

Se Figueroa elevou o Inter a um outro nível, com a conquista do Brasileiro de 1975, D'Alessandro conduziu o Inter à conquista da Libertadores de 2010. Cumpre cinco temporadas de Inter, assim como as de Figueroa. Assim como o capitão chileno, o capitão argentino já ganhou uma morada no panteão dos heróis colorados.

Fernando Carvalho fala sobre os 5 anos de D'Alessandro no Inter:

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