Centroavante em xeque

Criticado e sem gols: o que está acontecendo com Rafael Moura?

Ex-centroavantes comentam sobre o momento do comandante de ataque do Inter

22/08/2014 | 05h01
Criticado e sem gols: o que está acontecendo com Rafael Moura? Ricardo Duarte/Agencia RBS
Foto: Ricardo Duarte / Agencia RBS

Considerado um dos vilões na derrota diante do São Paulo, Rafael Moura voltou a ouvir vaias no Beira-Rio após um período conturbado que, aparentemente, havia cessado. Sem conseguir se desvencilhar da marcação, restou a Moura o pedido de paciência à torcida. Enquanto era massacrado pela arquibancada, veio do técnico Abel Braga a principal defesa ao camisa 11:

— Vai dizer que eu perdi o jogo por causa do Wellington Paulista ou do Rafael Moura? O São Paulo saiu ganhando no primeiro tempo sem ter chance de gol. O gol nós demos.

Há quem defenda uma maior participação de Rafael Moura nas jogadas de ataque do Inter. Que o atleta poderia deixar a área para auxiliar os meias em tabelas para que, D'Alessandro, Alex ou Aránguiz apareçam como elemento surpresa e finalizem a gol.

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Moura, por sua vez, afirma que estar isolado dentro da área, com dois ou até três marcadores, lhe prejudica. Diante do São Paulo, o centroavante finalizou apenas uma vez contra o gol de Rogério Ceni. E a bola passou longe. 

— Errei um lance. O torcedor já vem para o estádio para cobrar. Sou cobrado desde o primeiro minuto de Inter — disse Rafael Moura, quarta, no Beira-Rio.

O pensamento de quem já esteve dentro da área é um tanto diferente. Para Kita, 56 anos, centroavante que atuou no Inter e no Grêmio na década de 1980, a função do camisa 9 é marcar gols, e não construir jogadas para os armadores. Ao deixar a área para tabelar com a linha de meias, foram 27 passes de Moura na intermediária adversária. Cinco erros e 22 acertos. Kita exemplifica a troca de funções ao citar o gremista Barcos e o atacante Fred, referência da Seleção Brasileira na Copa:

— O centroavante, hoje, está mais armando para o que que vem de trás do que fazendo gols. Não apenas o Moura tem de fazer isso. Olha o Barcos, o Fred... Jogaram muito fora da área. Centroavante vive de gol. O que ninguém enxerga é que ninguém está criando para ele marcar.

Ex-centroavante da Seleção, Careca critica o esquema tático dos principais times brasileiros — o Inter entre eles. Fala da "lambança" que fazem os laterais ao tentar entrar na área para finalizar em vez de cruzar para o centroavante. Como alternativa para um melhor rendimento do Inter, aponta a saída de um dos meias e a utilização de um companheiro para Rafael Moura. Poderia ser um velocista, para prender um dos zagueiros e deixar o centroavante no mano a mano com o outro defensor, ou um outro centroavante, em linha.

— Os zagueiros, hoje, têm mais recursos, são rápidos, altos, você fica no meio de dois, três zagueiros, os volantes ainda fazem a cobertura. A bola chega muito pouco. Agora, se não tem o velocista, Rafael Moura tem de ser o pivô e o meia tem de entrar atrás do zagueiro — analisa o ex-jogador.

Kita: Teria de encostar alguém com o Rafael Moura. Alguém tem de vir de trás, para ele ser acionado. Ele está sozinho contra três, quatro defensores. No momento em que criarem mais, chegando mais perto dele, tenho certeza de que fará gols.

Careca: Com um companheiro mais próximo é muito mais fácil. Faria um esquema para que ele pudesse ser mais acionado. Talvez dois atacantes em linha, para prender um dos zagueiros. Rafael Moura tem velocidade, mas não tem arranque. Daí fica mais difícil.

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