Pouco mais de seis meses da morte de Fernandão, a família ainda está em fase de reestruturação. Trocou Goiânia por Porto Alegre, e precisou refazer os planos, que até então eram de comemorar a estreia do ex-jogador como comentarista de TV na Copa do Mundo.
Churrasqueiro de mão cheia e superpai: Fernandão por seus filhos Enzo e Eloá
Enzo pediu à mãe que o levasse até o Inter. Quer seguir os passos do pai. Treina três vezes por semana por mais de duas horas, em Alvorada. Em um dos dias, faz trabalhos específicos da posição ao lado de outros centroavantes. Enxerga agora o que é determinação, um dos conselhos do pai caso escolhesse o futebol como profissão. Na estreia com a camisa do Inter, foi relacionado à última hora para o amistoso contra o União, de Dois Irmãos. Entrou no intervalo, com a camisa 18. Repetiu o pai. Em 2004, Fernandão estreou no Inter com a mesma camisa 18.
- O Enzo tem uma inteligência, uma parte cognitiva muito boa. Costuma antever as jogadas. O cabeceio dele é acima da média, o biótipo favorece. Faz a função de pivô, procura sempre jogar para os outros. É o nosso centroavante de referência - descreve o técnico da categoria sub-11, Rafael Isolini.
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Se o mano brilha no campo, Eloá é protagonista na turma da arquibancada. Colorada ao extremo, vai a todos os jogos no Beira-Rio. Também é assídua na Arena do Grêmio. Com sorriso meigo, explica: não vai ao Humaitá para secar o rival, mas para torcer pelo adversário dos gremistas.
Eloá volta ao tom sério ao falar de tênis. É no saibro que mostra um traço herdado de Fernandão, a competitividade. O professor Luiz Carlos Pujol, 49 anos, costuma fazer uma aposta: o treino vale isotônico. A diversão vira final de Grand Slam.
- Pujol dizia que ganhava do meu pai sentado e com uma tábua de carne, mas não era bem assim - defende a pequena, para ser contrariada logo em seguida.
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Churrasqueiro de mão cheia e super pai: Fernandão por seus filhos Enzo e Eloá
- Fernando me ganhou apenas uma vez e foi um game só. Bastou para ele se pendurar no alambrado e gritar para todo mundo ouvir - conta Pujol, que passou a treinar o eterno capitão na volta a Porto Alegre para ser executivo de futebol, em 2011.
O professor vê na aluna a miniatura do ídolo que se tornou seu amigo. Eloá tem a força e o movimento intenso de pernas semelhantes ao do pai. Ainda é muito nova para saber se jogará da mesma maneira de Fernando, que chegou a ganhar um campeonato de clube. Mas está no caminho certo.
Inter instala estátua de Fernandão no Beira-Rio
Enzo também se garante com a raquete. Mas optou mesmo por encarar zagueiros.

No apartamento, localizado na mesma rua onde moravam na passagem anterior pela Capital, a sala de jantar divide espaço com malas e caixas. Ainda com poucas lembranças na decoração, apenas uma foto do casal indica que ali está a bagagem de uma vida inteira do eterno capitão colorado. A falta de identidade, porém, não inibe a saudade, que costuma chegar sem ser convidada. Eloá usa de sua espontaneidade uma artimanha. Quando o coração aperta, apela para as piruetas, reflexos da ginástica olímpica que também pratica, para espantar os pensamentos. Nunca relaciona o pai com as lágrimas. Aposta no sorriso.
Enzo, não. Diminui a ausência que dói no peito assistindo sozinho vídeos do pai em campo. Guarda numa caixa as medalhas e braçadeiras de Fernandão. Retira-as dali cheio de orgulho para mostrar a quem pergunta sobre o pai.

Além do mesmo estilo de caminhar, o guri herdou a liderança do pai. É mais tímido. Mas é quem toma a dianteira para reunir os amigos. Como na última sexta-feira, após a inauguração do memorial de Fernandão no Beira-Rio. Enzo saiu do estádio e foi treinar no CT de Alvorada. Guilherme, Hide e Marcelinho, os "parça" da escola, assistiam. Corneteavam também. E admitiam: o time do colégio ficou mais fraco sem o centroavante, dedicado, agora, exclusivamente ao Inter. Talvez vire no futuro o símbolo da gratidão de Fernandão aos colorados pelo carinho e aconchego dedicados à sua família.
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