No paredão

Swat colorada analisa momento do Inter pós-derrota no Beira-Rio, avalia o grupo e crê na saída do Z-4

Vitorio Piffero, Fernando Carvalho, Newton Drummond e Ibsen Pinheiro falaram sobre situação na tabela do Brasileirão

17/09/2016 - 06h06min | Atualizada em 17/09/2016 - 06h06min
Swat colorada analisa momento do Inter pós-derrota no Beira-Rio, avalia o grupo e crê na saída do Z-4 Gabriel Renner / Arte ZH/Arte ZH
Foto: Gabriel Renner / Arte ZH / Arte ZH

Trinta e oito dias atrás, um grupo de dirigentes colorados retornou ao Beira-Rio a pedido do presidente Vitorio Piffero para auxiliar no resgate ao time. Fernando Carvalho, Ibsen Pinheiro e Newton Drummond foram convocados — todos com largo histórico no clube. Com eles, chegou também o técnico Celso Roth. Esse grupo foi denominado pelo ex-presidente Carvalho como Swat (o grupo da polícia norte-americana, Special Weapons and Tactics, cuja sigla significa, em português, Armas e Táticas Especiais) Colorada. Mas a situação era mais grave do que parecia. Estrearam todos na virada do turno, em Chapecó.

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Ao assumir o vestiário, essa espécie de Força Nacional do Inter encontrou o time há 11 partidas sem vencer e na 13ª colocação, dois pontos à frente do Botafogo, então a primeira equipe na zona de rebaixamento. Comparado à situação atual, esse quadro do final do primeiro turno, parece o paraíso. Agora, seis rodadas depois, o Inter ocupa a antepenúltima colocação e, depois de perder para o Vitória, ficou dois pontos atrás do primeiro clube a não ser rebaixado, justamente o Vitória, treinado por Argel Fucks. A janela para as contratações do Exterior e do futebol nacional já está fechada, o Inter está em seu terceiro treinador no Brasileirão e, agora, resta reforçar o elenco com um ou outro jovem da base. Ou seja: o elenco é esse e ele tem mais 13 rodadas para tentar a fuga do descenso — contra uma projeção de 59% de chances de jogar a Série B em 2017, segundo o matemático Tristão Garcia.

Zero Hora conversou com os dirigentes integrantes da Swat Colorada. Há preocupação geral com a falta de reação do time, mas todos, ao menos publicamente, asseguram confiar na recuperação do time no Brasileirão, em tempo de resistir ao futuro no Z-4 e assegurar um dos grandes patrimônios do clube e da torcida: a primeira divisão.

O que ficou da derrota para o Vitória

Fernando Carvalho
"Eu já estou recuperado de ontem (a derrota de quinta-feira). No primeiro momento, a gente fica abatido, triste. Mas, em seguida, retomamos. Foi o que aconteceu comigo. Temos 39 pontos a disputar, vamos continuar pensando jogo a jogo. Sabemos que a dificuldade é grande. Eu entendo que o grupo tem qualidade, alternativas. E vamos trabalhar."

Foto: Lauro Alves / Agencia RBS

Vitorio Piffero
"Perdemos três pontos em casa que contávamos. E temos que buscar fora. Na realidade, seis vitórias em casa são 18 pontos, mais 27 (o que o Inter já tem) são 45. É o suficiente. Não ganhamos o jogo que achávamos que ganharíamos, e tínhamos sete jogos em casa. Agora, temos que buscar fora e o mais rápido possível."

Newton Drummond
"A verdade é que tem que continuar trabalhando. É difícil conseguir montar uma equipe em 30 dias sobre essa pressão, de todos os jogos serem decisões. As escolhas recaem sobre aquelas possibilidades que a gente enxergou sem ter um trabalho específico e, agora trabalhando, estamos começando a ver e buscando as alternativas. Achamos que tínhamos achado o caminho e, nos últimos dois jogos, vimos que a equipe não teve o mesmo desempenho, precisando buscar uma melhor formatação para conseguir as vitórias. Temos de seguir fazendo o trabalho, mas não temos tempo. Segunda tem jogo decisivo de novo. É mais um questão de escolha do que outra coisa."

Ibsen Pinheiro
"A transição que estamos fazendo está enfrentando obstáculos. Mudar no meio de uma competição de alto nível é difícil. Compreendemos essa dificuldade, você não decreta o aumento da produtividade de um dia para o outro. Demanta tempo. E tempo, não temos. Mas tenho convicção que o time vai entrar em seguida em processo de reconstrução, de estabilidade. A comissão técnica tem uma concepção de futebol e acabará reconstruindo o time em tempo de resolver a crise".

Grupo jovem

Fernando Carvalho
"É o momento de contar com todos (sobre o grupo ser jovem). Treinador tem que escolher a melhor maneira de escalar com equilíbrio. O time está nervoso. O adversário (Vitória) fez duas linhas, povoou o meio campo, e não tivemos possibilidade de penetrar. No segundo tempo, com Sasha, nos deu movimentação pela direita, o ingresso permanente do William em posição de ataque, nos deu algumas chance de gol. Mas o adversário sempre teve o controle do jogo."

Vitorio Piffero
"Jogador se escala pelo treino. É por esta condição que o treinador o põe em jogo ou o tem como opção, não existe determinação minha. Até não poderia, não é a nossa função. A regra básica é quem vai melhor nos treinos. Mas temos elenco. São variantes que podem ser criticadas, e é isso que o treinador tem que fazer. Ontem (quinta), no jogo, jogamos pouco e mal. Não pressionamos. Não sei o motivo. O treinador pediu marcação pressão, treinou isso. E acabamos não fazendo, aceitamos o jogo que foi nos colocado pelo Vitória. Tivemos um ápice técnico contra o Atlético-MG e, a partir dali, não sei se colocamos salto alto, não sei. Não sei identificar. Temos que mudar isso."

Newton Drummond
"Acho que o grupo tem jogadores experiente e tem jogadores novos. Não é pela juventude que está acontecendo isso. É um grupo que passou por muitas alterações, com troca de três treinadores. Foi do Argel, passou pelo Falcão e chegou no Celso. Temos que alinhar isso. Alguma coisa conseguimos alinhar, mas falta irmos para o campo e mudar isso."

Foto: Lauro Alves / Agencia RBS

Ibsen Pinheiro
"O grupo jovem é um dos fatores (que levaram o time ao Z-4), mas o grupo é bem melhor que a produção da equipe. Todos eles podem jogar mais, mas isso não ocorre por decreto. Às vezes, tem uma boa produção e mesmo assim você vê a fragilidade do elenco. Ocorre o contrário agora. Não é problema de recomposição do elenco, mas de completar a transição que está sendo implantada".

Clima no vestiário

Fernando Carvalho
"Eu estou aqui agora (no CT Parque Gigante). Vamos ter uma reunião às 15h30min, e vamos ver como está. Eu converso semanalmente com o grupo, diariamente com quatro ou cinco jogadores, mas a convivência que vai trazer o conhecimento. Temos que seguir trabalhando, avaliar bem o procedimento, o sentimento de cada um."

Vitorio Piffero
"Sinceramente, não acho (que haja apatia). A torcida ontem (quinta), sim, estava um pouco apática, não tinha a mesma vibração. Eu achei o time muito apático também. Talvez o nome e a expressão do adversário não provocasse isso no torcedor. Nem o time provocou no torcedor, nem o torcedor provocou o time. Conformismo não tem. Nos preocupamos demais com o Vitória, quando deveríamos ter tomado as rédeas do jogo desde o primeiro minuto, e irmos para cima. É isso que tem que acontecer no Beira-Rio."

Newton Drummond
"O vestiário, depois da derrota de ontem (quinta), está triste, chateado. Está abatido, não derrotado. Era um jogo de confronto direto. Era diferente. O abatimento é um pouco maior do que foi com o Atlético-PR, que foi fora. Tivemos um primeiro tempo razoável em Curitiba, mas perder lá é um resultado aceitável, vamos dizer assim. O Vitória em casa era adversário direto na tabela, e perdemos."

Foto: Lauro Alves / Agencia RBS

Ibsen Pinheiro
"O clima era de grande frustração, após perder para o Vitória. Mas, assim que entei no vestiário, vi um jogador comentar com um dirigente: "Não tô abatido, tô puto". Não senti um grupo entregue, mas, sim, com um sentimento de reação. O processo está em andamento, mas isso ainda não se expressa em resultados. Quando o time não está bem, o sintoma aparente é de apatia. Não houve isso, foi apenas a frustração pelo resultado".

Precisa de fato novo? Contratação, mudança ou aumento do bicho?

Fernando Carvalho
"Hoje (sexta) é o último dia (para contratar). Temos que enfrentar o campeonato com os jogadores que temos."

Vitorio Piffero
"Eu já tinha convidado o Fernando (Carvalho) várias vezes e ele não quis. Ele quem montou a Swat colorada. Em termos de experiencia recente, nos últimos 20 anos, no futebol brasileiro, não tem nenhuma dupla que tenha ganho mais do que Fernando Carvalho e esse que vos fala. O Celso Roth é campeão da libertadores e tem outros títulos. Então, temos um elenco jovem, vinculado ao Inter. O clube tem um tamanho fantástico, está com tudo em dia. Não tem aquele tipo de pressão, não está faltando nada. Está faltando o que? No Beira-Rio, não pode acontecer o que aconteceu ontem (quinta, contra o Vitória). Na minha avaliação, faz um retrancão e ganha de meio a zero. Quantas oportunidades teve o Vitória? O gol e deu.

Foto: Mateus Bruxel / Agencia RBS

Newton Drummond
"O bicho existe, né? Faz parte do acerto sempre que vai começar a competição. Existe prêmio para cada ponto que se conquista. Não qualquer tipo de aumento. A questão não é financeira, não é esse incentivo que precisa. Na minha ótica e na dos outros dirigentes também, não é o que faltam aos nossos jogadores. Falta um alinhamento. Entendo que o conjunto precisa melhorar, cada um precisa dar um pouco mais, tem que entender um pouco mais a dificuldade. Nós temos que entender o que está faltando e tentar saber o motivo de as coisas não evoluírem. Isso se consegue ouvindo as pessoas, pedindo conselhos para que a gente possa traduzir e modificar o que está acontecendo."

Ibsen Pinheiro
"O fato novo seria vencer o América-MG. O trabalho do Celso já vai produzir esse efeito positivo, esse suposto fato novo. A confiança se resgata com uma produtividade e com vitórias. Tenho fé que o Inter não vai cair, tenho fé que o crescimento da equipe já é perceptível".

Risco iminente de queda

Fernando Carvalho
"O desafio é tão grande como em 2002 em função da situação que nos encontramos. É semelhante, é o mesmo desafio de permanecer na primeira divisão. (América-MG x Inter, possivelmente com o estádio vazio, em uma segunda-feira à noite, pode ser um prenúncio de 2017?) Não. Não dá para vislumbrar o futuro. Eu não estou deslumbrando esse futuro. Não estou pensando nisso, nem os jogadores. Jogo a segunda-feira pela primeira divisão, não penso em nenhuma outra situação."

Foto: Lauro Alves / Agencia RBS

Vitorio Piffero
"Não tem chance, não vejo assim (sobre se imaginar segunda divisão). Quando eu digo isso, falam da soberba. Não é isso. Temos que examinar o tamanho do clube e o momento em si, que ele vive. É o futebol como resultado, mas o resultado do futebol é uma série de fatores e o clube não merece. Por isso que não nos imagino na segunda divisão. Temos um grupo totalmente organizado, imenso, com elenco muito bom. Está faltando dar uma engrenada para sair do sufoco. Não poderíamos ter deixado o Vitória tomar conta do jogo."

Newton Drummond
"Não temos mais prazo, não existe. Mas também não existe pavor. Temos que começar a acertar mais do que errar. Prazo não tem, não dá para pensar "quando faltarem 10 jogos para terminar, vamos entrar em desespero...". Não, estamos trabalhando para evitar esse tipo de situação."

Ibsen Pinheiro
"Tranquilo não será. Vamos escapar do rebaixamento, não tenho dúvidas, mas isso não ocorrerá naturalmente. Acredito que em seguida teremos uma aumento de produção, mas o momento atual é negativo. Precisamos de resultados e, depois, de produtividade. É questão de ajustes, mas o Inter vai ficar no seu lugar: a Série A". 

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