Entrevista

Muricy Ramalho acredita que Inter escapa do rebaixamento: "É preciso acreditar na força da torcida"

Afastado dos gramados, ex-treinador pretende voltar ao futebol em 2017 como comentarista

16/10/2016 - 17h23min | Atualizada em 16/10/2016 - 17h24min
Muricy Ramalho acredita que Inter escapa do rebaixamento: "É preciso acreditar na força da torcida" Ricardo Duarte/Agencia RBS
Foto: Ricardo Duarte / Agencia RBS

Afastado dos gramados desde que teve um problema de saúde, Muricy Ramalho acredita que o Inter não cairá para a Série B. Para o ex-técnico colorado, a força da torcida é fundamental para o time se recuperar. Em entrevista à Rádio Gaúcha, o treinador, que pretende voltar ao futebol em 2017 como comentarista, também falou sobre os favoritos ao título nacional e fez críticas ao amadorismo na gestão dos clubes brasileiros.

A que times você têm gostado de assistir no Brasileirão?
Gosto de ver o Santos jogar, pois acho que é um time que joga diferente, com alegria. Também observo os outros times que trabalhei: São Paulo, Flamengo e, especialmente, o Inter, que está neste mau momento. 

Você acha que a briga do título ficará entre Flamengo e Palmeiras?
O Flamengo escolheu o caminho de se organizar, com uma gestão profissional, algo que era muito distante. Resolveu investir em estrutura, então, é um clube que se preparou para isso. Acho que Flamengo e Palmeiras estão bem na frente dos demais. Mas o Atlético-MG pode correr por fora. Sobre o Santos, creio que ainda está um pouco distante.

Você acha que o Inter será rebaixado?
Acho que não cai, não. Acredito muito na força do Inter. É preciso acreditar na força da torcida. É ela, com a camisa, a força e a história, que fará o time permanecer na primeira divisão.

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Está gostando do nível do Brasileirão?
De alguns times, sim. A gente vê muita comparação, principalmente na imprensa, com o futebol europeu. Não tem condições de fazer esta comparação. A verdade é que toda hora que um jogador começa a atuar bem, vai embora. Se olharmos com carinho para os que estão jogando fora, é possível imaginar que, caso estivessem no país, teríamos um campeonato forte como o inglês.

Você acha que os técnicos brasileiros têm carência de atualização?
Penso que é um exagero. Depois da Copa do Mundo, a maioria dos técnicos teve de estudar e fez isso. Mas tem algo que fica escondido e muitas vezes passa desapercebido pela imprensa: a gestão. Ela é muito amadora nos clubes. Os técnicos estão estudando bastante, há vários treinadores importantes, como Tite, Roger, Marcelo Oliveira, Cuca. Temos bons técnicos. O grande problema é a gestão. Lá fora, ela é muito profissional na hora de formar o time e contratar. Tem alguns clubes que aceitam e outros, não. Alguns colocam diretor só para dizer que tem. O Flamengo é um exemplo. Tem a parte política e a parte profissional. Na Europa, não tem amador, só cara muito bem preparado. Estamos engatinhando em relação a isso ainda. Amadorismo não chega a lugar nenhum.

É preciso conceder ao executivo de futebol mais liberdade?
A gestão é um conjunto de pessoas, do técnico aos diretores de futebol. O que mata um pouco é a vaidade, pois o cara quer estar ali para aparecer. O executivo também não é dono do clube, precisa dar resposta e mostrar resultado. Se a gestão não melhorar, não vamos sair do lugar.

Como será o teu 2017?
Não quero mais trabalhar em campo. Estou há muitos anos nisso, começou a me dar muitas crises de arritmia. Quero viver perto da minha família e meus filhos. O futebol é bom, paga bem, mas só parece fácil. É complicado, você fica longe da família. Devo ir para a televisão. O SporTV quer me levar para participar de alguns programas. Vou falar bastante sobre o que o técnico sente, o que está pensando naquele momento, discutir a parte tática. Não quero voltar àquela rotina de viagens seguidas. Na sequência, quando tiver a chance de trabalhar em um clube como coordenador técnico, fazendo o meio-campo entre comissão e dirigentes, com gente séria e profissional, este deve ser o meu próximo passo.


 
 
 
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