Ronaldinho na mira do Ministério Público

Craque é acusado de envolvimento na compra de carteira de habilitação falsa

15/02/2001 - 15h22min
Ronaldinho na mira do Ministério Público José Doval/ZH
Foto: José Doval / ZH  
A inconformidade de um torcedor gremista com a transferência de Ronaldinho para o Paris Saint-Germain pode complicar a vida do craque que desde esta quinta-feira não é mais jogador do Grêmio. Ronaldinho está sendo acusado pelo torcedor de ter obtido sua primeira carteira de habilitação falsa em Joinville (SC), com data de 21 de maio de 1998, dois meses depois de o atacante ter completado 18 anos de idade. Em maio de 1999, um ano depois, portanto, a carteira de Ronaldinho teria sido transferida para o Departamento de Trânsito do Rio Grande do Sul (Detran-RS), e a segunda via retirada pelo jogador em Porto Alegre. Naquele mesmo mês, uma investigação do Detran-RS descobriu que havia 23 carteiras de habilitação falsas no sistema de computação do órgão. O golpe teria a participação de funcionários do Detran e consistia no registro virtual dos números das carteiras. Ou seja, as habilitações só existiam no computador. A partir daí, o condutor requisitava a segunda via do documento a qualquer Centro de Formação de Condutores (CFC). No caso de Ronaldinho, a numeração da carteira, que deveria ser de Santa Catarina, tem um código de uso exclusivo do Rio Grande do Sul. A Coordenadoria das Promotorias Criminais do Ministério Público segue investigando o caso. O promotor Ricardo Herbstrith suspeita que o número de carteiras falsas no Estado possa chegar a 600.Segundo a denúncia feita ao repórter Giovani Grizotti, da Rádio Gaúcha, Ronaldinho teria obtido a habilitação em Joinville sem ter realizado os exames teóricos e práticos previstos em lei. A Delegacia Regional de Joinville confirma que o jogador não fez os testes lá. A reportagem da Rádio Gaúcha tentou ouvir Ronaldinho, mas o jogador não foi encontrado. A irmã do craque, Deise Moreira, assegura que Ronaldinho fez todos os exames no Rio Grande do Sul. De acordo com o diretor-presidente do Detran-RS, Mauri Cruz, o atleta tem 10 dias para provar que realizou todos os testes necessários. A habilitação do craque deve ser cancelada pelo Detran-RS.
 
 
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