Análise

D'Alessandro fala sobre desafio do Inter no Brasileirão: "Nível técnico é altíssimo"

Argentino analisa campeonato, Seleção Argentina e prevê seu futuro no futebol

30/05/2012 | 21h17
D'Alessandro fala sobre desafio do Inter no Brasileirão: "Nível técnico é altíssimo" Alexandre Lops/Divulgação,Inter
Meia acredita que campeonato nacional é diferenciado Foto: Alexandre Lops / Divulgação,Inter

Argentino, D'Alessandro precisou se adaptar ao futebol brasileiro no Inter, time que considera muito importante na sua carreira, ao lado do River Plate. O jogador, com passagens por Alemanha (Wolfsburg), Inglaterra (Portsmouth) e Espanha (Zaragoza), confessa que se sente em casa no Colorado. Desde 2008 atuando pelo Inter, D'Ale tem 174 jogos e 38 gols pela equipe.

– O Inter, sem dúvida, tenha passado a ser, junto com o River, um clube muito importante na minha vida pessoal e esportiva. Seguramente, no dia em que tiver que deixar o clube não será algo fácil.

Em entrevista ao site da Fifa, o jogador de 31 anos projeta o futuro, analisa o Campeonato Brasileiro e fala do craque Messi.

Confira alguns trechos:

Você já falou algumas vezes sobre o sonho de conquistar o Campeonato Brasileiro. Como avalia o nível do torneio hoje?
Desde que cheguei, o nível técnico tem sido altíssimo e, aliás, cada vez mais alto. Num país como este, que produz tanto talento, a qualidade nunca deixa de existir. Sempre vai existir. E é exatamente assim: toda equipe, sem exceção, tem jogadores diferenciados, com capacidade para decidir um jogo. O Campeonato Brasileiro, nos últimos anos, se tornou uma batalha incrível: antes do início são 10 ou 12 equipes lutando pelo título; equipes realmente grandes, com obrigação constante de vitórias. Nesse sentido, o Brasileirão é diferente da maioria das ligas do mundo. Talvez a única que se aproxime, nesse sentido, seja a argentina.

Entre esses talentos que você tem acompanhado está o Neymar. Para você, que viu de perto o desenvolvimento de Lionel Messi, como o santista se compara com o melhor do mundo?
O Messi está completamente fora de qualquer grupo. Para mim, é, de longe, o melhor do mundo. Um degrau abaixo vem o Cristiano Ronaldo. O mais incrível do Messi é que não só tem sido espetacular como o tem sido há anos. Manter esse nível por tanto tempo é algo fora de série. E é justamente isso que também tem me chamado a atenção no Neymar: já faz algum tempo que ele se mantém num nível altíssimo e, apesar de cada vez chamar mais atenção dos marcadores, está cada dia jogando melhor; sempre mostrando mais e mais e nunca deixando de e divertir jogando futebol, o que não é nada fácil. Em algum momento, ele precisará dar o passo rumo à Europa, mas seu progresso até aqui tem sido impecável.

Você esteve afastado da seleção argentina de novembro de 2010 até os amistosos diante do Brasil em setembro de 2011 e, desde então, não foi mais chamado. Perdeu as esperanças de voltar a vestir a albiceleste?
Não, as esperanças eu não perdi, mas já faz algum tempo que não sou chamado e, com isso, as prioridades passam a ser outras. Quero seguir jogando bem no Inter e, se as oportunidades retornarem, será fantástico. Depende de eu ter uma boa temporada aqui.

Para isso, o fato de jogar no Brasil atrapalha?
Eu estou perto... Claro que lá na Argentina não se podem ver todos os jogos do Campeonato Brasileiro, mas nunca se sabe. Sei que não estou na Europa, mas, dentro da América do Sul, é o melhor nível de futebol que se pode encontrar.

Na sua opinião, por que a seleção argentina ainda não conseguiu uma sequência de boas atuações?
O que nós mais temos é qualidade, disso não há dúvida. Mas não há tempo para se trabalhar esses grandes jogadores. Temos o mais importante, que é o melhor jogador do mundo. Agora, a questão é cuidar bem dele e, a partir disso, formar um grupo.

Você já tem mesmo planos sobre onde encerrar a carreira?
Eu sempre disse que a minha ideia é voltar ao meu país e terminar minha carreira no River, o clube que me deu tantas coisas quando era jovem e que me fez estrear como jogador profissional. Isso embora o Inter, sem dúvida, tenha passado a ser, junto com o River, um clube muito importante na minha vida pessoal e esportiva. Seguramente, no dia em que tiver que deixar o clube não será algo fácil.

E, quando chegar esse dia de deixar os gramados, já pensou no que fazer? Ser técnico, talvez?
A minha ideia é seguir ligado ao futebol e tentar passar tudo o que aprendi como jogador em outra função. Ainda não sei em qual. O importante, e o que tenho claro, é que quero seguir perto do futebol.

VEJA TAMBÉM

     
 
Zero Hora No jornal Zero Hora você encontra as últimas notícias sobre esportes, economia, política, moda, cultura, colunistas e mais.