Desabafo

Bolatti: "Vou aproveitar os minutos"

Tranquilo, volante vive situação delicada no Colorado

02/06/2012 | 10h42
Bolatti: "Vou aproveitar os minutos" Carlos Macedo/Especial
Jogador pede oportunidade Foto: Carlos Macedo / Especial

Sujeito calmo, tranquilo, Bolatti pensa antes de cada palavra proferida. Mesmo vivendo uma situação delicada no Internacional, por ser uma das últimas alternativas de Dorival Júnior para o meio-campo - Elton e Josimar passaram na frente, Sandro e Guiñazu são os titulares -, o argentino de fala mansa pondera cada opinião e evita entrar em polêmica. E garante não saber os motivos para a perda de espaço.

A falta de oportunidades, porém, o faz admitir a possibilidade de deixar o clube antes do final de seu contrato, que vai até 2015. Com a janela de transferências para o Exterior prestes a abrir, Bolatti entende que, para voltar à seleção argentina, precisa jogar. Confira na entrevista exclusiva do Diário Gaúcho o que ele planeja para o futuro. No vídeo, o jogador abre o coração e conta se sente-se feliz no Internacional.

Diário Gaúcho - Você entrou no finalzinho dos dois primeiros jogos do Brasileirão. Qual a sua expectativa para a competição?
Bolatti - Tentar conseguir o título, que é o que quer o grupo, os dirigentes e a torcida. Mas também tenho o desejo pessoal de poder ajudar dentro do campo. Nesses últimos jogos não tive a possibilidade de ter mais minutos. Estou na procura disso.

DG - O limite de três estrangeiros por partida te preocupa?
Bolatti 
- Não é que preocupa, todos sabem disso. É um torneio longo, com muitos jogos, cartões amarelos, lesões. Pode acontecer qualquer coisa. Mas também se sabe que ter quatro estrangeiros dificulta. Ninguém gosta de fazer um jogo e ficar fora de dois, três. Jogador quer jogar sempre, essa é a verdade.

DG - Elton foi o substituto de Sandro Silva e Josimar também recebeu oportunidade contra o Flamengo. Você acha que perdeu espaço no time? Por quê?
Bolatti - É uma pergunta difícil. Não sei se seria eu a pessoa para responder isso. Acho que é outra pessoa que tem que responder. Mas eu tento fazer sempre o meu melhor, dentro e fora do campo. Os outros caras também. Fiquei feliz pelo Josimar, é um cara que treina muito, tem uma atitude muito boa, e merece, assim como o Elton. Mas se eu perdi espaço, não sei se sou eu a pessoa justa para responder. Estou aqui há um ano e três meses, joguei muitas partidas já e todo mundo sabe como eu jogo. Trabalho sempre para o grupo, para ajudar, seja em cinco, dez ou 90 minutos. A oportunidade chegará ou não, isso o tempo dirá.

DG - Te aflige as poucas oportunidades no Inter e, consequentemente, perder espaço na seleção?
Bolatti - Boto um pouco isso na cabeça também. Sei que se não se jogar, a seleção não chega. É normal, tem que jogar. Todo jogador quer jogar na seleção. Eu estava na seleção, cheguei aqui como jogador de seleção, que é o máximo, sempre quero estar e, para isso, tem que jogar.

DG - Pensa em sair no meio do ano? Argentina? Europa?
Bolatti
- Sempre se pensa. Tenho 27 anos e muitos anos ainda pela frente. Sempre se tem a ideia de poder voltar para a Europa. Essa ideia está na cabeça, mas tem que saber qual é o momento. Agora é época de transferência, e eu sei que chega um momento que tem que pensar, falar com família, amigos e decidir. Vamos ver o que acontece. Tem dois meses fundamentais agora. Entretanto, vou treinar sempre da mesma forma e quando tiver oportunidade de jogar vou fazer o melhor. A atitude de minha parte vai ser sempre a mesma.

DG - Recentemente teve proposta do Catar? Chegou a cogitar ir para lá? Houve outras ofertas?
Bolatti - Só soube de sondagens, mas acho que ainda não é o momento para ir para lá. Mas se chega alguma oportunidade, tem que analisar e pensar. Faz parte do futebol. Quando não se joga e quando se está jogando.

DG - Na pré-temporada surgiu a especulação de que você poderia ser negociado para a vinda de Dátolo e aí você teve uma conversa com Fernandão para saber os planos do Inter? O que mudou desde lá?
Bolatti - Aconteceu que eu comecei a jogar, no Gauchão, na Libertadores, só isso. Futebol tem essas coisas. Em um momento está fora, outro dentro. Por isso tem que estar sempre preparado. Mudou que agora não tenho muita continuidade.

DG - Você começou atrás nesta temporada, recuperou espaço e na estreia do Gauchão contra o Novo Hamburgo teve seu nome em coro pedido pela torcida. Como é essa relação com os colorados?
Bolatti - Foi um momento especial, porque eu estava fora e a torcida começou a cantar meu nome. Foi um momento muito lindo. Fiquei e sou muito agradecido à torcida, que sempre se portou bem e com a qual tenho boa relação. Foi um dos momentos mais especiais para mim. Senti como uma ajuda da torcida, e valorizo muito isso.

DG - Você tem conversado com Dorival. Como é a sua relação com ele?
Bolatti -
Conversamos, mas não muitas vezes, umas duas ou três vezes. É uma relação normal, de treinador e jogador, não tem mais nada que isso. É ele quem decide, bota jogadores no campo. E eu estou aqui para respeitar.

DG - Por que achas que perdeu espaço com Dorival a partir deste ano? Qual a justificativa?
Bolatti - Não sei. Cada treinador tem sua forma e estilo de jogo. Se treinador prefere tal jogador, por algo será, e eu respeito isso. Só que cada jogador tem as suas caraterísticas, e ele tem que optar. Talvez goste mais de outras características, é uma pergunta mais para ele do que para mim. O que vou fazer? Tenho que continuar.

DG - Isso te deixa chateado?
Bolatti
- Faz parte do futebol. O treinador tem 25 jogadores e tem que escolher 11. Acho que todo treinador gostaria de colocar todos para dentro.

DG - Como você gosta mais de jogar?
Bolatti
- Eu gosto de jogar como primeiro volante, quase sempre joguei assim. Mas também já joguei com dois, em linha, saindo um pouco mais. Sempre tive a característica de ser o elemento surpresa. Também já me adaptei a outras, mas essas são as que me sinto mais à vontade. Como terceiro, mais avançado, muda um pouco a posição. É uma função linda, porque tem mais possibilidade de ir para frente do que para trás, tem mais contato com bola, mais proximidade com gol, e gosto de chegar no gol. Mas para quem está acostumado a jogar mais atrás, e ter todo o panorama de frente,  jogar nessa posição dificulta porque tu joga de costas, e eu não estou acostumado a isso. Mas também posso me adaptar.

DG - Seu contrato vai até 2015 com o Inter. O que planeja para o futuro?
Bolatti 
- Agora sou jogador do Inter e penso só em dar meu máximo aqui. O que vai acontecer no futuro eu não sei. Vou tentar aproveitar os minutos que eu tiver dentro do campo.

DG - Em um ano e três meses, qual balanço você faz até agora da sua trajetória no Inter?
Bolatti - Acho que é um balanço muito positivo, uma experiência muito linda para mim. O futebol brasileiro me surpreendeu um pouco, para melhor. Futebol muito competitivo, tem grandes equipes, é muito lindo jogar em um dos melhores países de futebol do mundo, se não o melhor. Por isso foi uma experiência muito linda e positiva. É, ainda continua sendo.

DG - Bolatti fica até o final do ano no Beira-Rio?
Bolatti
- É uma boa pergunta (risos). Ainda não sei. Vamos ver.

 
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