Maus exemplos

Inter teme prejuízos com o Beira-Rio interditado, como ocorreu com Atlético e Cruzeiro sem o Mineirão e Independência

Mineiros foram prejudicados no quadro social e em campo. Colorado recorrerá para liberar estádio

25/06/2012 | 23h30
Inter teme prejuízos com o Beira-Rio interditado, como ocorreu com Atlético e Cruzeiro sem o Mineirão e Independência Omar Freitas/Agencia RBS
Segundo decisão judicial, estádio está proibido de receber jogos Foto: Omar Freitas / Agencia RBS

Vêm de Minas Gerais dois péssimos exemplos de como o fechamento do estádio pode interferir no caixa e nos jogos. Caso não consiga reabrir o Beira-Rio, com liminar, o Inter pode sofrer prejuízos ao quadro social e também em campo, assim como Cruzeiro e Atlético-MG sem o Mineirão e o Independência, ambos fechados para obras da Copa nas temporadas 2010 e 2011.

No Cruzeiro, é voz corrente que o clube perdeu o Brasileirão de 2010 para o Fluminense devido à falta do Mineirão. Dois pontos separaram cariocas e mineiros. Começava, ali, um drama. 
— Suportamos o primeiro ano, mas depois foi muito pesado. Nos tornamos ciganos — conta Guilherme Mendes, diretor de comunicação do Cruzeiro.

No começo de 2010, o clube contava com 20 mil sócios. Um ano depois, sem o Mineirão, restaram apenas 2 mil — hoje, conseguiu recuperar mais 5 mil. Em 2011, quase foi rebaixado no Brasileirão (ficou em 16º) e teve prejuízo de R$ 38 milhões. As rendas, que antes batiam na casa do R$ 1 milhão, foram reduzidas à metade – e somente em grandes partidas.
 
— No ano passado, jogamos contra o Ceará, em Uberlândia, com um público de apenas 6 mil pessoas. Nosso prejuízo financeiro e técnico foi imenso — afirma Mendes.
Eduardo Maluf, diretor de futebol do Atlético-MG, lembra que o clube perdeu pelo menos R$ 13 milhões em renda em 2011. Quase foi rebaixado.
— Jogamos o Brasileirão inteiro como visitantes. O futebol mineiro foi o grande prejudicado com a Copa até aqui — disse Maluf.
 
Por isso, o presidente Giovanni Luigi sequer analisa um plano B. Até esta quarta-feira, o Inter deverá recorrer à Justiça, a fim de obter a liberação do estádio, interditado para jogos na noite de sexta-feira. O dirigente não descarta conversar com o Ministério Público, que pediu a interdição, para fechar todo o anel inferior, em obras, deixando apenas a arquibancada superior e as cadeiras à disposição dos torcedores.

— Nem pensamos em jogar em outra casa. Cumprimos todas as exigências, temos uma torcida ordeira e já disputamos três jogos no Brasileirão sem problema algum — apela Luigi.

O juiz João Ricardo dos Santos Costa, da 16ª Vara Cível da Capital, responsável pela interdição, segue convicto:
— Percebi o esforço do Inter, mas não há como garantir a segurança de uma multidão de 20 mil.

O Inter tem até o começo de julho para obter a liberação do Beira-Rio. Ou precisará mudar o endereço do jogo contra o Cruzeiro, no dia 7. 

 
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