A 100 dias da Copa

A Copa no RS em cifras: estimativa aponta investimento de R$ 569,9 milhões para receber o Mundial

Debate sobre formato dos gastos públicos ganha corpo a 100 dias do início da competição; retorno financeiro com gastos de turistas pode dar incrementar em R$ 503,6 milhões o PIB gaúcho

04/03/2014 | 07h01
A Copa no RS em cifras: estimativa aponta investimento de R$ 569,9 milhões para receber o Mundial Lauro Alves/Agencia RBS
Dilma visita o novo Beira-Rio: a cem dias da Copa, questionamentos sobre o evento seguem Foto: Lauro Alves / Agencia RBS

Até onde os governos devem envolver recursos públicos para financiar a realização de um megaevento? Que tipo de gasto do dinheiro do contribuinte é aceitável na atração de uma competição como a Copa do Mundo? O retorno financeiro e de visibilidade ao Estado e à cidade-sede justificam os investimentos?

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Nesta terça-feira faltarão cem dias para o início do Mundial no Brasil, e essas são as discussões que dominam o país. Em Porto Alegre, após o tema ganhar visibilidade com as manifestações de junho passado, a indefinição sobre o financiamento das estruturas temporárias do Beira-Rio acirrou o debate sobre o envolvimento do poder público no pagamento por equipamentos e serviços que podem não deixar legado algum ao Rio Grande do Sul.

Uma estimativa inicial feita com base em dados públicos aponta um gasto de governo do Estado e prefeitura de R$ 569,9 milhões frente a uma estimativa da Fundação de Economia e Estatística de um incremento de R$ 503,6 no Produto Interno Bruto (PIB) estadual.

Ainda distantes de valores definitivos, os gastos do poder público com o evento se dividem basicamente em dois tipos: aqueles que deixarão legado à população e os que representam custo apenas para a realização das partidas ou para receber turistas.

A CEEE, por exemplo, afirma investir R$ 125,7 milhões obtidos em financiamento em obras relacionadas ao Mundial. A Secretaria da Segurança sustenta uma previsão de R$ 190 milhões em investimentos, incluído nesse número a contratação de novos policiais — o valor é uma contrapartida para que o Estado receba da União R$ 79 milhões em equipamentos e a construção de um novo centro de comando.

Ainda que seja preciso conferir com lupa se essa conta fechará no final do ano, esse é o lado catalisador de investimentos do Mundial.

Do outro lado estão despesas com estruturas temporárias e Fan Fests, consideradas um gasto público inconcebível por alguns. Ou a isenção fiscal para a construção de estádios — casos do Beira-Rio e da Arena do Grêmio, onde o poder público já abriu mão de R$ 93 milhões em tributos não cobrados.

Justificar investimentos e isenções fiscais para a Copa é um cavalo de batalha para Estado e prefeitura em meio ao recrudescimento do debate sobre o financiamento das temporárias. Lançado às pressas no mesmo dia em que a administração estadual protocolou o projeto que prevê desconto no ICMS devido para empresas que investirem nas estruturas, há cerca de 10 dias, um estudo da Fundação de Economia e Estatística (FEE) aponta elevação de R$ 503,6 milhões no Produto Interno Bruto (PIB) gaúcho a partir dos gastos de turistas que virão para cá durante o Mundial — com um incremento de R$ 36,4 milhões na arrecadação de ICMS.

— O estudo é pessimista. Esse seria um piso e não um teto. Se eu pegar a construção do Beira-Rio, de estradas, daria um valor enorme — sustenta o diretor-técnico da FEE, André Scherer.

O órgão prevê, também, a criação de 7,5 mil empregos diretos e 4,9 mil indiretos, e usa como base um levantamento da Fecomércio-RS que estima um gasto de R$ 360 milhões dos visitantes no Estado.

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