Bate-papo

Conexão Porto Alegre: entrevista com Petit, carrasco do Brasil em 1998

Repórter da Rádio Gaúcha conversa com ex-volante da seleção francesa em Paris

04/03/2014 | 17h34
Conexão Porto Alegre: entrevista com Petit, carrasco do Brasil em 1998 Rodrigo Oliveira/ Agência RBS/
Foto: Rodrigo Oliveira/ Agência RBS

No quarto dia de cobertura na Europa, para acompanhar a preparação dos torcedores europeus rumo à Copa do Mundo, tive o prazer aqui em Paris de conhecer Emmanuel Petit, ex-volante da seleção francesa, e carrasco do Brasil na Copa do Mundo de 1998.

Naquela final, ele fez o cruzamento para o primeiro gol de Zidane e marcou o gol que selou a goleada por 3 a 0, no Stade de France, naquele domingo tão triste para os brasileiros e tão histórico para os franceses. A entrevista ocorreu às 14h, no saguão de um hotel, na Place de la République, região central de Paris, próximo à Praça da Bastilha.

Petit chegou sozinho e caminhando, aparentando simplicidade e tranquilidade. Reconhecido por funcionários e hóspedes, concedeu autógrafos e posou para fotos, sempre de forma gentil, mesma postura que apresentou durante uma conversa de 40 minutos com a reportagem da Rádio Gaúcha.

PETIT MANDA RECADO À SELEÇÃO E AO POVO BRASILEIRO
O ex-volante de Monaco, Arsenal, Barcelona e Chelsea, pediu paz na Copa do Mundo seja utilizada em favor da paz. "Eu espero que o povo brasileiro possa mostrar o mesmo comportamento de sempre, alegre e pacífico. Nós todos compreendemos a situação atual.

O povo perdeu a confiança nos políticos e na economia. Quando se investe muito dinheiro em estádios, estradas e hotéis, o povo não compreende, pois vive diante de muitas dificuldades. Mas o futebol tem que seguir sendo uma grande festa, pois pode unir um povo ao redor de um jogo. E os jogadores devem compreender que são mais que atletas. São embaixadores de uma nação", disse Petit.

PLATINI MELHOR QUE ZIDANE?
Petit não quis comparar os dois individualmente. Porém, na opinião do ex-volante francês, a geração de Michel Platini, dos anos 80, foi melhor que a de Zidane, mesmo sem ter ganho Mundiais. "Eles tinham um futebol melhor que o nosso. É uma pena, pois eles mereciam ter vencido uma Copa antes da gente", declarou.

POR QUE A FRANÇA VENCEU O BRASIL EM 1998
O time brasileiro entrou em campo nervoso e escalou Ronaldo sem condições de atuar. É pelo menos o que pensa Petit. "Quando estava 1 a 0 para nós, os jogadores do Brasil gritavam e se insultavam.

Aquilo me deixou triste, pois não era a ideia que eu tinha do futebol brasileiro. E sobre o Ronaldo, não vou entrar no mérito sobre que problema ele teve. Mas ele não tinha condições físicas de estar em campo. Agora, quantas vezes o Brasil comemorou? Aquela vez, foi o nosso dia!", relembra.

METRÔ SILENCIOSO
O Metrô de Paris é muito eficiente. Dezenas de linhas interligam quase todos os pontos da cidade. Mas há uma característica entre os usuários que chama atenção: o silêncio. Os franceses não falam no metrô. Utilizei o transporte às 8h da manhã, em um horário movimentado, e quase não se ouvia uma palavra das pessoas a bordo. Um simples pigarro soaria como um sino em uma igreja vazia.

Não fosse o barulho do trem se movimentando, o silêncio seria absoluto. Muito diferente dos barulhentos ônibus brasileiros, em que as pessoas falam em voz alta e os usuários, por vezes, levam até caixas de som com músicas altas.

JE NE PARLE PAS FRANÇAIS
Ainda é um pouco difícil se virar em Paris sem falar francês. Em muitos cafés, bares, restaurantes (e até em guichê de informação do metrô), os atendentes não falam inglês. Em muitas ocasiões, a mímica é necessária. Nesta terça, estava esperando uma torcedor em um café parisiense para entrevistar e precisei desenhar uma mesa, com duas pessoas, para o atendente entender o que eu precisava. Mas, quando se mostra esforço em tentar falar o idioma local, eles se esforçam ao máximo em ajudar. A saída é dizer que não fala francês, mas em francês: "Je ne parle pas français".

O ATAQUE DE 30 GOLS
Os franceses apostam muito, no amistoso desta quarta, contra Holanda, no Stade de France, em uma dupla de atacantes cujo rendimento inspira confiança para Copa do Mundo. Um já é consagrado e atua no poderoso Real Madrid, o centroavante Karim Benzema. Outro é jovem e defende o modesto Real Sociedad, o versátil atacante Antoine Griezmann. A semelhança: ambos marcaram 30 gols na Liga Espanhola. Os dois possuem o mesmo número de gols que Messi, que também fez 15, pelo Barcelona.

ELES EXPLICAM POR QUE SÃO CARRASCOS DO BRASIL
A França é uma grande pedra no sapato do Brasil. Nas Copas de 1986, 1998 e 2006, a Seleção Brasileira foi eliminada pelos Les Bleus. O fisioterapeuta francês Charles Mahé, 31 anos, irá a Porto Alegre assistir a França X Honduras. Ele tem uma explicação: "A seleção francesa cresce nos momentos decisivos. Nas horas difíceis, o time dá algo mais. E jogar contra o Brasil sempre é um momento especial. Acredito que é por isso que o time francês costuma se dar bem contra o Brasil", explica.

PROTESTOS CONTRA A COPA E INSEGURANÇA DIVIDEM OPINIÕES
As imagens das manifestações de junho de 2013 correram o mundo. As notícias de atrasos nos estádios e nas obras de infra-estrutura, também. Este clima divide opiniões. "Na África do Sul, todo mundo dizia que ia dar errado e acabou dando certo. Acho que no Brasil vai ser assim", afirma o analista financeiro Martial Descoutures. Não é o que pensa, por exemplo, o radialista Vincent David. "Desisti de ir ao Brasil. Pensei até em viajar, mas os preços estavam muito caros. Não valeria a pena. E não vou negar que pesaram também estas imagens dos protestos em junho do ano passado e também várias notícias negativas. Acabei desistindo", confessa.

GRUPO DE FRANCESES DESAFIA GAÚCHOS PARA UM JOGO DE FUTEBOL
Você tem um time de futebol e gosta de, depois do trabalho, jogar uma pelada com os amigos? Pois existe um grupo de cinco torcedores franceses que irá para Porto Alegre na Copa do Mundo que, além de assistir aos jogos, quer disputar uma partida de futebol contra os porto-alegrenses. Seria uma revanche em quadras amadoras do clássico Brasil X França. "Estaremos em cinco em Porto Alegre. Vamos chegar dois dias antes do jogo contra Honduras (marcado para 15 de junho) e queremos jogar futebol contra os brasileiros. Pode ser em uma quadra, cinco contra cinco. Seria bem legal", desafia o admistrador francês Christophe Bertrand.

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