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Luiz Zini Pires: "Espanha quer jogos do Atlético de Madrid em Porto Alegre"

Ideia da Liga Espanhola é mandar clubes locais para jogar no Brasil

21/03/2014 | 08h57
Luiz Zini Pires: "Espanha quer jogos do Atlético de Madrid em Porto Alegre" FERNANDA DAVOGLIO / SOGIPA/
Foto: FERNANDA DAVOGLIO / SOGIPA

A Faculdade Sogipa de Educação Física, em parceria com a Sogipa, recebeu nesta quinta-feira Javier Tabas, presidente da Liga de Futebol Profissional da Espanha (LFP). O advogado e professor de 52 anos falou sobre “Controle, transparência e fair play no Futebol da Espanha”.

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A coluna acompanhou a palestra e depois falou com Tabas, que pode trazer Atlético de Madrid, Valencia ou Sevilla para amistosos com a dupla Gre-Nal em agosto de 2015, em Porto Alegre.

Leia abaixo um resumo da nossa conversa.

Liga de Futebol Profissional da Espanha (LFP)

A Liga de Futebol Profissional da Espanha (LFP), reúne 42 clubes da primeira e da segunda divisões e organiza os campeonatos. O presidente é eleito a cada quatro anos. Cerca de 70 funcionários cuidam da gestão. A LFP está ligada a Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF), mas é autônoma. É a RFEF que cuida das arbitragem dos jogos, mesmo que a LFP tenha um integrante na cabeça do comitê de arbitragem. Cada clube negocia individualmente seus direitos de imagem, processo que vai mudar em três anos, quando tudo será decidido em bloco. As TVs pagam R$ 2,3 bilhões para exibir os jogos das duas séries.

Endividamento dos clubes

O futebol espanhol está endividado. Real Madrid e Barcelona (ambos devem R$ 2,2 bilhões) podem pagar as suas dívidas. Faturam mais do que gastam. Os outros 40 clubes, que devem mais de R$ 4 bilhões, não. A LFP controla economicamente os clubes, que não podem mais gastar o que não têm. Quem se exceder, não pagar salários dos jogadores ou impostos, será afastado – o Málaga não disputou a Liga Europa por atrasar salários. A LFP define quanto cada clube pode investir em dois encontros, em setembro e fevereiro. Se um clube vender um jogador, pode gastar só 25% do valor arrecadado em outro reforço.

Economia em salários

Os primeiros resultados do novo e rígido planejamento econômico apareceram em agosto passado. Os espanhóis investiram R$ 300 milhões em contratações na janela de verão da Europa, mas negociaram jogadores num valor superior a R$ 800 milhões. Os salários dos atletas em atividade na Espanha baixaram R$ 500 milhões, de R$ 1,8 bilhões para R$ 1,3 bilhões. A tendência é que eles caiam mais ainda no começo da nova temporada.

Controle total dos clubes

O objetivo é sanar as finanças do futebol espanhol até 2017. O temor da LFP é que algum clube possa desaparecer neste período, que precise fechar as portas caso não consiga arrecadar dinheiro e pagar salários e impostos. O controle é rígido, aceito por todos. Quem desobedecer será punido com a exclusão dos campeonatos.

Máfia do futebol

A LFP marca de cima a máfia que manipula os resultados das partidas. Um caso foi descoberto na segunda divisão em 2013. A LFP trabalha ao lado da Fifa e da Uefa nas investigações. Policia as casas de apostas. Não descarta interromper uma partida caso descubra indícios de corrupção – assim como a Fifa agirá durante a Copa do Mundo.

Internacionalização

O futebol espanhol não quer mais depender apenas do poder dos seus gigantes planetários, Real Madrid e Barcelona – dois dos três mais populares do mundo, ao lado do Manchester United, da Inglaterra. Ao lado do governo, a LFP promove a internacionalização dos outros clubes. Deseja que outros clubes também tenham uma marca forte no Exterior. Assim, já organiza, a cada verão europeu (julho e agosto), amistosos de equipes, como Atlético de Madrid, Valencia, Sevilla, entre outros, em cidades estratégicas dos Estados Unidos, da China, da Indonésia, da África do Sul, da Tailândia, da Malásia, do Peru, da Colômbia, da Argentina, entre outros. Juntos, antes, durante e depois das apresentações dos times, governo e empresas privadas promovem feiras com a Espanha como tema central.

Dupla Gre-Nal em foco

A LPF estuda incluir Porto Alegre no roteiro das equipes espanholas que excursionam pelo mundo. A ideia é enviar à Capital um time importante, talvez Atlético de Madrid, Valencia ou Sevilla, em julho ou agosto de 2015, um ano depois da Copa do Mundo. As partidas seriam disputadas contra a dupla Gre-Nal, na Arena e no Beira-Rio. O Estado com altos investimentos da Espanha e abriga uma colônia extensa de emigrantes europeus.

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