Touro Indomável

Alex Rossi segue luta contra o crack: "Eu não vou desistir"

Ex-jogador combate o vício com sucesso há cinco meses em comunidade terapêutica de Ivorá: ele se diz remoçado

26/07/2014 | 15h01
Alex Rossi segue luta contra o crack: "Eu não vou desistir" Jean Pimentel/Agencia RBS
Foto: Jean Pimentel / Agencia RBS

Dando tapinhas na perna, ansioso como se fosse a um jogo de Libertadores, cinco meses após a internação na Comunidade Terapêutica de Ivorá (Fazenda do Senhor Jesus), Alex Rossi, 46 anos, recebeu a visita de alguém de fora da família –  a primeira vez desde que procurou ajuda contra as drogas em fevereiro deste ano. Uma vez por mês ele vê a mãe, Enedina, a mulher, Márcia, e os filhos gêmeos de um ano, Miguel e Isabela, e a partir do sexto mês passará uma semana na casa da família em Cacequi, sua terra natal, perto de Santa Maria. Liberdade definitiva, porém, só no nono mês.

Até novembro, o ex-atacante do Inter, autor de gol decisivo em Gre-Nal no Gauchão de 1991, apelidado então de Touro Indomável em referência ao personagem do filme de 1980 protagonizado por  Robert de Niro, deve ganhar alta do tratamento pelo uso de cocaína e crack, que o atormentava desde meados dos anos 2000.

– Estou na  faculdade da vida como nunca tinha passado antes. É uma partida de futebol longa, não são 90 minutos, são nove meses. É uma vida inteira – disse Alex.

Relembre reportagem especial de ZH com Alex Rossi

Não foi fácil no início. No segundo dia de internação, quase deixou a fazenda:

– Deu um baixo astral, não por droga. Foi pela família e pela distância. Os monitores me colocaram no celular com a minha esposa, e ela me deu força. Não está sendo fácil. Mas é aí que temos de ter força. Não tive vontade e não tenho mais vontade de usar drogas. Sou um poço de otimismo. Isso ninguém vai tirar de mim, é coisa do Alex. Penso comigo: vai, vai, vai, eu não vou desistir.

Muitos dos internos desistiram pelo caminho. Para Alex, são fracos, sem força para aguentar. Por isso, ao final do último dia da internação, ele promete se voltar para a porteira da fazenda terapêutica e gritar “Obrigado, Jesus”. 

– Minha vida não podia acabar daquela maneira.   

Amigos são solidários e ex-atacante retribui com carta

Por Jones Lopes da Silva
jones.silva@zerohora.com.br

Horas depois de ZH publicar a reportagem sobre a internação de Alex Rossi, em 18 de fevereiro deste ano, ex-companheiros de Inter-SM, Inter, Cerro Porteño, Rosário Central, Universitario de Lima, Corinthians, Avaí e Tupi queriam saber como enviar mensagens de solidariedade e como ajudar o velho conhecido.

Desejavam mandar-lhe recados e cartas de incentivo, camisetas que lembrassem a passagem pelos clubes em comum e procuravam comovidos falar com o antigo colega. O mais emocionado foi o clube Universitario, de Lima, Peru, onde o atacante se tornou ídolo entre 1995 e 1996. A imprensa peruana logo tornou  o drama de Alex assunto nacional. Dirigentes do Universitario pretendiam empregá-lo no clube.

Valdir Espinosa, que o levou para o Cerro Porteño, envia-lhe seguidas mensagens, como Badico e o antigo pessoal do Inter-SM, clube do início da carreira.  

Acontece que, recolhido à Fazenda de Jesus, em Ivorá, perto de Santa Maria, Alex não recebe visitas nem anda com celular. A internação é restrita à convivência dos 50 pacientes e monitores em 18 hectares da propriedade, que há pouco completou 20 anos de atividade. Será assim, em liberação gradual, até os nove meses. Coordenador da comunidade, Sérgio Ribeiro lembra de como foi no começo da internação.

— No início, ligavam querendo mandar presentes. Não deixamos. Não podemos estufar o ego do cara. Ele tem de entender que não soube fazer do futebol a vida dele — contou Ribeiro.

Agora, porém, Alex agradeceu em carta a solidariedade dos amigos. 

Carta de Alex Rossi

Da Comunidade Terapêutica Fazenda do Senhor Jesus, de Ivorá-RS

Aos meus amigos,

Venho agradecer por toda a força, apoio, carinho e fé. Gostaria de dizer-lhes que, daqui dessa fazenda maravilhosa, está nascendo um novo homem, o verdadeiro Alex Rossi, de caráter, muita oração, disciplina e trabalho.

Está sendo uma grande experiência de vida, como jamais havia acontecido no passado. Fora dos campos de futebol, está sendo a maior faculdade de minha vida. Agradeço a todos que torcem por mim e aos meus irmãos de caminhada. Hoje, somos aqui na fazenda 60 pessoas lutando contra nossas doenças.

Desejo um grande beijo para a minha família, que me ama de verdade e nunca me abandonou.

Amo vocês de todo o coração.

Com carinho,

Alex Rossi, o “Touro Indomável”

Desde fevereiro em recuperação na fazenda.

17/7/2014

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