Dívida dos clubes

Após reunião de Dilma com dirigentes de clubes, governo acena com renegociação

Governo Federal pretende fazer ajustes no projeto de lei a ser enviado ao Congresso

25/07/2014 | 15h57
Após reunião de Dilma com dirigentes de clubes, governo acena com renegociação Roberto Stuckert Filho/Presidência da República/Divulgação
Presidenta Dilma Rousseff durante audiência com dirigentes de clubes brasileiros de futebol no Palácio do Planalto Foto: Roberto Stuckert Filho / Presidência da República/Divulgação

Durou mais de duas horas o encontro da presidente Dilma Rousseff com dirigentes de 12 clubes de futebol para discutir a Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte. Após ouvir os cartolas, nesta sexta-feira, e o Bom Senso FC, na segunda-feira passada, o governo federal pretende fazer ajustes até o final da semana que vem no projeto de lei a ser enviado para o Congresso para votação ainda em agosto.

Conforme era o desejo dos presidentes dos clubes — e acordado entre eles antes da reunião, em encontro a portas fechadas —, o debate não girou em torno de uma ampla mudança no futebol brasileiro, mas focado no refinanciamento da dívida dos clubes com a União para os próximos 25 anos.

Conforme o secretário de Nacional de Futebol do Ministério dos Esportes, Antônio José Carvalho do Nascimento, a dívida seria paga em 300 parcelas (25 anos), com um tempo de ajuste de 36 meses. Por esse período, os clubes poderiam pagar apenas 50% das parcelas, podendo optar por pagar esses valores ao final do financiamento.

— O modelo é semelhante ao adotado por clubes da Europa. Lá o tempo de adaptação foi ainda maior, de cinco anos — declarou Nascimento.

Para aderir, os clubes adotariam o chamado “fair play financeiro”, ainda em negociação.

A princípio, os clubes precisariam apresentar certidões negativas de débito para participar de campeonatos, pagar salários em dia, estariam proibidos de antecipar receitas para além dos mandatos vigentes dos presidentes e estariam sujeitos a punições de até rebaixamento se descumpridas as obrigações.

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Questões caras a Dilma em manifestações anteriores, como a manutenção de jogadores atuando no Brasil, ficaram de fora da discussão. Viriam em um segundo momento, como conseqüência desses primeiros passos.

— Se tu deres condição de autossuficiência econômica para os clubes, tu também seguras os jogadores mais tempo no Brasil, mais longevos nos clubes. Da forma como está, não segura ninguém. É pra comer amanhã. Pra fechar a conta do ano — avaliou Romildo Bolzan, vice do Grêmio e representante do clube no encontro.

Romildo e Giovanni Luigi, presidente do Inter, chegaram e saíram juntos do encontro. Segundo o colorado, é preciso fazer um ajuste de contas com o passado dos clubes:

— Essa dívida que discutimos hoje engloba valores referentes a décadas de 70, 80. É preciso negociar esse passivo.

A dívida dos clubes brasileiros com a União em débitos como o INSS, Imposto de Renda, FGTS, Timemania e Banco Central, é estimada pela Advocacia Geral da União em mais de R$ 3 bilhões.

Participaram do encontro, além de Dilma, os ministros Aldo Rebelo (Esportes), Guido Mantega (Fazenda) e representantes de Grêmio, Inter, Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Flamengo, Botafogo, Atlético-MG, Bahia, Santa Cruz, Paysandu e Coritiba.

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