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Fernando Trein: o preço e o valor dos ingressos

Preço é diferente de valor. Preço é o que se paga por um produto ou serviço; valor é aquilo que é percebido pelos consumidores (torcedores) como adequado.

06/08/2014 | 07h08
Depois da Copa, os valores dos ingressos nos estádios do país viraram polêmica. O preço Fifa de R$ 350 para jogos da primeira fase da competição no Beira-Rio (categoria 01) tornou-se referência na comparação com o valor dos ingressos cobrados no Brasil.

A questão, porém, não é simples. Preço é diferente de valor. Preço é o que se paga por um produto ou serviço; valor é aquilo que é percebido pelos consumidores (torcedores) como adequado. Majorar os preços dos ingressos sem nada a oferecer (como no passado), pode ser entendido como um péssimo negócio para os torcedores.

No conceito de valor, é possível afastar qualquer tipo de crítica desde que estes torcedores, no papel de consumidores de eventos esportivos, percebam que vale pagar um ingresso mais caro.

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Nos jogos da Copa do Mundo, um ambiente diferente dos nossos campeonatos, as pessoas pagavam mais porque sabiam que eram jogos com vários atrativos, ainda que também houvesse preços mais em conta. Além de termos estádios e arenas moderníssimas, a atratividade dos jogos também conta na hora de definir os preços que serão praticados.

Na prática, em uma final de Libertadores, parece algo normal que se cobre um valor mais elevado, pois não é um jogo que acontece toda a semana e o mesmo vale para ingressos promocionais em alguma data festiva, como Dia da Mulher, das Mães ou dos Pais, entre outros. Isso existe em qualquer negócio e resulta que as empresas ora aumentam, ora diminuem os seus preços.

Na prática, o futebol brasileiro tenta compreender as (novas) expectativas dos torcedores. Vendo os jogos do Brasileirão é possível concluir que as áreas ditas mais nobres, perto do campo (diferente do modelo anterior que colocava os torcedores de maior poder de consumo na parte de cima dos estádios), estão com muitos lugares vazios. Talvez seja interessante rever alguma estratégia de preço inicialmente desenvolvida, mas também considerar que há diferentes públicos numa partida de futebol, uns dispostos a gastar mais, outros nem tanto.

Fora o perfil de consumo de cada um, o torcedor sempre tentará fazer o melhor negócio para acompanhar o seu time do coração. Se valer a pena, ele aceitará pagar por ingressos mais caros. Do contrário, estes espaços continuarão subutilizados. A cada rodada, esse é mais um desafio dos profissionais de marketing e gestão esportiva no Brasil.

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