Reconhecimento

"A gente nunca pode esquecer de onde começou", diz Éder Carbonera, campeão olímpico homenageado em Caxias

O central da seleção brasileira de vôlei recebeu a Medalha Monumento ao Imigrante

Por: Cristiane Barcelos
17/09/2016 - 16h43min | Atualizada em 17/09/2016 - 17h10min
"A gente nunca pode esquecer de onde começou", diz Éder Carbonera, campeão olímpico homenageado em Caxias /Agencia RBS
Foto: Agencia RBS

Gigante pela altura, de 2,05 metros, e mais ainda pelo talento e simplicidade, o campeão olímpico de vôlei Éder Carbonera foi homenageado na tarde deste sábado em Caxias do Sul. O central da seleção brasileira veio à cidade, onde cresceu e descobriu o esporte, para receber a Medalha Monumento ao Imigrante, uma condecoração concedida pela prefeitura a pessoas e entidades que de alguma forma contribuíram para a valorização do município. Carbonera, 32 anos, nasceu em um hospital da vizinha Farroupilha, mas foi em Caxias que iniciou a vitoriosa trajetória nas quadras, nas categorias de base da Universidade de Caxias do Sul (UCS). Ele é o primeiro atleta da Serra Gaúcha a conquistar a medalha de ouro em uma Olimpíada. Atualmente ele joga no Funvic/Taubaté, do interior de São Paulo.

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O palco da homenagem foi o ginásio 2 da UCS, exatamente onde Carbonera começou a jogar, ainda nos anos 1990.

— A gente nunca pode esquecer de onde começou. É incrível, esse ginásio ainda está exatamente como era. Eu lembro que foi ali na arquibancada que eu e a minha irmã (Jéssica, hoje aos 36 anos) conversamos com o Giovani (Brisotto, seu primeiro técnico, que continua na UCS). A minha irmã veio junto e eu fiquei de cabeça baixa enquanto ela falava com ele, eu tinha tanta vergonha que não conseguia falar nem com uma parede — brinca ele, exibindo a medalha dourada no peito.

O atleta foi recepcionado por meninos e meninas das categorias de base da UCS, a mesma onde ele começou a treinar. Portando balões nas cores da seleção, a gurizada aplaudiu de pé o ídolo. Carbonera recebeu, além da Medalha Monumento ao Imigrante, uma placa comemorativa oferecida pela UCS.

— Te entregamos essa homenagem, que é a maior comenda de Caxias do Sul, como forma de dizer muito obrigado e parabéns pela façanha — disse o prefeito, Alceu Barbosa Velho.

Em seu discurso de agradecimento, o atleta lembrou das lições recebidas do primeiro técnico. Ao final, fez uma entrega simbólica da medalha olímpica ao amigo, colocando a peça dourada em seu pescoço.

— O Giovani, como técnico, tinha que exigir muito. Lembro muito bem de uma dia no aquecimento, que ele veio cobrar porque eu estava dando toque de qualquer jeito. Ele me disse que se um dia eu quisesse chegar a algum lugar eu teria que dar meu máximo. Aprendi que o principal é correr atrás do sonho. Eu fiz o possível e o impossível para chegar lá. E essa medalha olímpica que eu tenho aqui, ela é de todos vocês, eu dedico a todos que torceram, rezaram — agradeceu, emocionado.

Atleta será padrinho do time de base da UCS

Carbonera ainda lembrou do temor de perder a vaga olímpica por causa de uma luxação no polegar esquerdo, lesão sofrida cerca de dois meses antes do início dos Jogos do Rio. Quem assistiu às partidas da seleção viu: o serrano entrou em quadra com a mão esquerda enfaixada, de forma que o dedão ficava preso aos demais dedos. A ideia, lembra, foi da esposa, a engenheira de alimentos Natália Carbonera, 26.

— Teve até uma briguinha, porque ele não queria enfaixar a mão. Só que se ele deixasse o dedo solto, com qualquer bolada poderia piorar. Aí eu sugeri de ele enfaixar a mão. Ele não queria, mas aí eu disse: então tu tem nove dedos e os outros têm 10 — recorda Natália.

A estratégia deu certo — ao menos para permitir entrar em quadra, já que a dor era inevitável.

Durante a homenagem, Carbonera aceitou o convite do técnico Giovani Brisotto para ser padrinho das categorias de base da Associação de Pais e Amigos dos Atletas de Voleibol de Caxias do Sul (APAAVôlei/UCS/Prefeitura de Caxias).

— Aceito com muito prazer e, no que eu puder, com certeza vou ajudar — confirmou o atleta.

Neste sábado à noite, o plano é reunir família e amigos para confraternizar.

A condecoração

A Medalha Monumento ao Imigrante foi criada em 1995 e, antes de Carbonera, foi entregue a 235 personalidades e entidades relevantes para Caxias do Sul.

Quem é

O atleta serrano Éder Carbonera começou nas categorias de base da UCS. O jogador ganhou projeção na Cimed, em Santa Catarina, e nos últimos anos foi multicampeão pelo Cruzeiro, de Minas Gerais. Além de campeão olímpico, Carbonera é sete vezes campeão nacional, campeão mundial de clubes, campeão da Liga Mundial e campeão Pan-Americano.

 
 
 
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