Polêmica

Corte de peso de Cris Cyborg gera discussões no mundo do MMA

Brasileira precisa fazer grande redução de peso para lutar no UFC

23/09/2016 - 10h31min | Atualizada em 23/09/2016 - 10h31min
Corte de peso de Cris Cyborg gera discussões no mundo do MMA Guilherme Artigas/Fotoarena/Lancepress
Cyborg estreou pelo Ultimate no UFC 198, em maio Foto: Guilherme Artigas / Fotoarena/Lancepress

A brasileira Cris Cyborg é considerada a melhor lutadora de MMA do mundo. Por isso, o UFC quer tê-la em seu elenco. Ao mesmo tempo, há tão pouca concorrência à altura no peso pena que a organização não quer criar uma categoria para mulheres até 65,7 quilos.

Atualmente, há duas classes femininas no UFC: peso palha (56,7 quilos) e peso galo (61,2 quilos). Por isso, enquanto é campeã de sua categoria de origem no Invicta FC, Cyborg lutará pela segunda vez no UFC em um peso casado — 63,5 quilos. Neste sábado, a brasileira faz a luta principal do UFC Brasília contra Lina Lansberg.

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Dois fatores em torno do combate geraram discussão. Primeiro, o fato de que Lina fez sua última luta entre os pesos pena, quando ainda era atleta do pequeno evento Odense Fight Night, e venceu a dinamarquesa Maria Hougaard Djursaa por nocaute. Ou seja, não há razão aparente para fazer ambas as lutadoras perderem o peso extra, já que as duas estão acostumadas a lutar na categoria até 65,7 quilos.

Segundo, porque o peso de Cyborg nesta segunda-feira, a cinco dias da luta, era de 72,5 quilos. Com isso, ela teve que perder nove quilos em menos de uma semana para chegar aos 63,5 quilos — já considerando a tolerância de uma libra, que comumente existe para lutas que não valem cinturão.

— Ela está cortando 20% do seu peso corporal. Isto não tem precedentes nesta categoria de peso. Ela não será capaz de se recuperar nem parcialmente, mesmo que tivesse mais tempo. Ela precisaria de semanas para se recuperar disso, a fim de se reidratar deste tipo de corte. Então, é perigoso — disse Edmund Ayoub, vice-presidente da Association of Ringside Physicians, associação americana dedicada à saúde de lutadores, em entrevista ao site MMA Fighting.

Um novo paradigma para o MMA

Nos últimos meses, há um esforço conjunto das principais organizações de MMA do mundo para estabelecer regras mais rígidas e aumentar o índice de segurança para os lutadores.

O movimento se intensificou a partir de dezembro, quando o chinês Yang Jian Bing, de 21 anos, morreu durante o processo de corte de peso. O ONE FC, evento do qual Bing era contratado, proibiu o método de corte. Para evitar as desidratações, passou a controlar o peso dos seus atletas ao longo do ano e deu um limite para as reduções na semana da luta.

O UFC foi por um caminho parecido. Agora, indica que os lutadores não estejam 8% acima do peso da categoria a uma semana do combate. Uma quebra desta regra não faz o atleta ser desclassificado ou perder parte da bolsa, mas o forçará a passar por um programa de acompanhamento, e haverá uma indicação para subir de categoria. Também foi criada uma janela para a pesagem oficial, o que aumentou em cerca de oito horas o período de recuperação física dos atletas até a luta.

— É algo grande. Não há motivos para que não fosse assim antes. É algo muito bom, especialmente para a saúde dos lutadores — avaliou o lutador Travis Browne, em entrevista recente a ZH.

Ex-campeão dos pesados, Fabrício Werdum não tem problemas para bater o peso da sua categoria — ele, inclusive, luta abaixo do limite de 120 quilos. Mesmo assim, valoriza as modificações:

— Também sou comentarista para a UFC Network no México, e tenho visto uma melhora de rendimento nos atletas desde a mudança — avaliou.

As variações de categoria entre os lutadores são historicamente constantes no UFC. Atual campeão dos meio-pesados, por exemplo, Daniel Cormier iniciou a carreira no MMA entre os pesados. Anderson Silva se consagrou entre os médios, mas já fez lutas — inclusive a última, exatamente contra Cormier no UFC 200, entre os meio-pesados. Nas categorias mais baixas, o atual campeão dos moscas, Demetrious Johnson, competia entre os galos até a criação da nova categoria em 2012. Ex-detentor do cinturão dos galos, o brasileiro Renan Barão subiu para os penas para evitar os desgastantes cortes.

*ZHESPORTES


 
 
 
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