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Gilberto Jasper: os treinadores quebra-galhos

O jornalista analisa a atual fase da Dupla destacando alguns equívocos cometidos por Grêmio e Inter

20/09/2016 - 06h04min | Atualizada em 20/09/2016 - 06h04min
Gilberto Jasper: os treinadores quebra-galhos Bruno Alencastro/Agencia RBS
Foto: Bruno Alencastro / Agencia RBS

A presença de Celso Roth e Renato Portaluppi na casamata é o retrato com a moldura do desespero da situação dos maiores clubes do Rio Grande do Sul. Pior: o fundo do poço ainda se aproxima, gerando apreensão e revolta dos torcedores.

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O festival de equívocos cometidos pelos dirigentes em 2016 passará para os anais do futebol brasileiro. Clubes consagrados por títulos mundiais transformaram-se em laboratórios que patrocinam experiências ignotas em outros clubes e que, por isso, levaram a fracassos rotundos.

A quantidade de biografias incineradas pelos fiascos desta temporada impressiona. O Inter se notabiliza em degradar a trajetória de ídolos da estatura moral de Fernandão, Falcão, Dunga, Figueroa e até Clemer, defenestrado depois de abarrotar o Beira-Rio com troféus das categorias de base. Sem falar dos "históricos dirigentes".

O Grêmio prometeu pacificar o eterno vendaval das correntes políticas. Romildo Bolzan Jr., cacifado pelo êxito político-partidária e administrativo era a esperança. Por algum tempo tivemos pacificação, planejamento e expectativa de conquistas. O Gauchão escapou vexatoriamente e a maionese desandou de vez com a mudança para a segunda página da tabela do Brasileirão.

Os fiascos em campo geraram nos colorados noites insones, povoadas pelo risco concreto de queda para a Segundona, fantasma distante do Beira-Rio há tempos. A senda de vitórias minguou, o apaziguamento da política se esvaiu. Vencer dentro de casa virou sinônimo de epopeia.

Em dezembro, nas indefectíveis retrospectivas do ano, notaremos que a presença dos dois treinadores "quebra-galhos" na dupla Gre-Nal é apenas consequência da mediocrização dos nossos clubes. Não há motivos para flauta, embora o cataclismo próximo ao "celeiro de azes" seja realmente preocupante.

É quase outubro. Grêmio e Inter não têm um grupo qualificado, expectativas dignas do seu tamanho, nem planejamento para 2017. Em janeiro começaremos do zero, pagando salários milionários a "craques" que já se foram, sugeridos por empresários e contratados por calejados dirigentes que prometeram o céu, mas nos entregaram um inferno de incertezas, frustrações e lenitivos genéricos para mitigar as dores de quem nos causa este festival de fracassos.

*ZHESPORTES 

 
 
 
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