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Norton Kappel: "Vamos falar sobre a Segundona" 

O conselheiro colorado sugere trocar a soberba pela humildade para fugir do rebaixamento

22/09/2016 - 06h14min | Atualizada em 22/09/2016 - 06h14min
Norton Kappel: "Vamos falar sobre a Segundona"  Lauro Alves/Agencia RBS
Foto: Lauro Alves / Agencia RBS

Um dos maiores capitais esportivos da gloriosa história de 107 anos do Sport Club Internacional é o fato de que o clube nunca disputou a Segunda Divisão do futebol brasileiro. Esse fato marcante não está na sala de troféus do Gigante e muito menos no estatuto do clube, mas está registrado no orgulho colorado. Mas esse capital está prestes a ser entregue.

Um Inter desnorteado e quase nocauteado se materializou na frente dos torcedores depois da derrota inquestionável para o lanterna do campeonato brasileiro. Desconsiderados o "Sobrenatural de Almeida", o "pensamento mágico" e outras coisas do gênero, a realidade é o Inter na Série B em 2017. Existe alguma chance de isso não acontecer?

Matematicamente, sim. Se analisarmos questões técnicas e emocionais, não.

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Então, minha proposta para os colorados — torcedores, direção, comissão técnica, conselheiros, sócios — é simples e direta: vamos falar sobre a Segunda Divisão. Incluir a expressão em nosso vocabulário. E, principalmente, incluí-la nas entrevistas que nossos representantes dão diariamente.

Dizer aos quatro cantos: sim, o Inter pode ser rebaixado no Campeonato Brasileiro. Vamos trocar o "Somos o Inter e não vamos cair..." pelo "Somos o Inter e, sim, podemos cair."

Propor a troca da soberba pela humildade da dura realidade me torna menos colorado? Com certeza, não. Isso também não é jogar a toalha com antecedência e muito menos achar que ainda não se deva continuar a dura e árdua luta para não cair.

Para mim, encarar e falar abertamente sobre a Segunda Divisão conecta milhões de colorados que neste momento estão assustados, preocupados, incomodados e envergonhados com uma possibilidade que hoje bate à nossa porta, como uma convidada desagradável e inoportuna. Um temor, porém, que não será chutado para longe por um passe de mágica, por uma oração ou por um Beira-Rio lotado.

Encontrar culpados, apontar o dedo para aquele ou para este erro, defender quem ainda merece ser defendido não são opções que caibam neste momento. O momento, agora, é lutar para que nenhum colorado prometa ir para a Sibéria caso o Inter seja rebaixado.

*ZHESPORTES

 
 
 
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