De fora da área

Eliziário Goulart Rocha: Pensamento mágico está valendo  

Jornalista lembra da rivalidade entre Grêmio e Palmeiras nos anos 1990

19/10/2016 - 06h03min | Atualizada em 19/10/2016 - 06h03min
Eliziário Goulart Rocha: Pensamento mágico está valendo   Paulo Franken/Agencia RBS
Foto: Paulo Franken / Agencia RBS

É impossível se pensar em Grêmio x Palmeiras sem que venham à mente as históricas batalhas do inesquecível 1995, ano em que conquistamos o bi da Libertadores. A sequência de enfrentamentos em diferentes competições, a rivalidade atingindo o ápice nos 5 a 0 que aplicamos em Porto Alegre. Depois os 5 a 1 para eles em São Paulo, sob clima de muita tensão e medo, o gol solitário de Jardel carimbando a classificação. A briga iniciada por Dinho e Válber, e que depois se transformou em pancadaria generalizada no Olímpico, é mais lembrada do que os cinco gols. O detalhe fora do usual é o que chama a atenção.

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Creio que ninguém quer ver repetidas aquelas cenas, futebol é esporte, não guerra. Os tempos são outros. Desta vez, o jogo de Porto Alegre, embora pegado, quente, com momentos tensos, ficou dentro da normalidade. Espera-se o mesmo lá. No entanto, queremos, e muito, ver o Grêmio jogar com a mesma garra que aquela equipe apresentava sempre, além, é claro, do bom futebol, pois se tratava de um timaço, é só dar uma olhada na escalação titular: Danrlei, Arce, Rivarola, Adílson e Roger; Dinho, Goiano, Arilson e Carlos Miguel; Paulo Nunes e Jardel. Mesmo quem não brilhava tecnicamente, como Goiano, era fundamental para dar consistência ao time. Jardel não era craque, mas empilhava gols. E por aí vai. Sim, tínhamos um bom time, mas o reverenciávamos não apenas pela qualidade, mas muito, muito mesmo, pelo empenho em cada lance, pelo suor até a exaustão, pela vontade genuína de vencer.

Houve luta e bom futebol aqui, mas agora é que decide. O jogo desta quarta-feira vale a temporada, todos sabem disso. E, se passarmos, será assim daqui para frente. Temos o dever se sonhar com o penta da Copa do Brasil, acreditar que vamos honrar nossa tradição copeira, mesmo contra o Palmeiras, líder do Brasileirão, melhor equipe nacional no momento - e ainda que usem reservas, alguns ou todos, seguirá sendo uma parada dura, pois eles têm grupo, prepararam-se para isso.

Sim, os tempos são outros, a competição é outra. Mas o adversário é o mesmo, novamente vale uma vaga, a segunda partida é fora, então, é inevitável que nós, torcedores, em nossas conexões mentais mais passionais do que lógicas, elaboremos uma cadeia semelhante de acontecimentos: passar pelo Palmeiras, depois ganhar o título, disputar a Libertadores, ir a Tóquio. Raciocínio simplista, como simplistas costumam ser os pensamentos mágicos, mas o que seríamos neste mundão de Deus sem a ocasional graça de um pensamento mágico?

*ZHESPORTES

 
 
 
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