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Taís Seibt: quanto tempo deve durar uma partida de vôlei?

Amante da modalidade, jornalista rechaça alterações na regra do esporte que busquem limitar o tempo de um jogo

17/05/2017 - 10h37min | Atualizada em 17/05/2017 - 10h42min
Taís Seibt: quanto tempo deve durar uma partida de vôlei? FIVB / Divulgação/Divulgação
Foto: FIVB / Divulgação / Divulgação  

Há uma obsessão por encurtar o tempo dos jogos de vôlei nos últimos anos. Primeiro, foram os sets até 21 pontos na Superliga brasileira de 2014. Ano passado circulou uma ideia da Federação Internacional de Voleibol de disputar sets por tempo, não por pontos. Agora, jogos melhor de sete sets até 15 pontos serão testados nos Mundiais sub-23 — masculino em agosto, no Egito, e feminino em setembro, na Eslovênia.

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A justificativa é sempre a mesma: tornar os jogos mais "atrativos" para o "público". Público é uma metáfora muito utilizada pela federação para referir-se à televisão. Jogos muito longos atrapalham a grade de programação. Mas fico na dúvida sobre o que eles consideram atrativo. Não é a duração de um jogo que define sua atratividade, e sim seu nível de competitividade, seus picos de emoção.

Por exemplo, no domingo passado, a final do Mundial de Clubes de Vôlei Feminino durou uma hora e meia. Rapidinho, o VakifBank, da Turquia, fez 3 sets a 0 no Rio de Janeiro. Eu não diria que foi um jogo muito atrativo de se ver. Mesmo que a disputa fosse em melhor de sete, teríamos um provável 4 a 0 tão sem graça quanto. Nossos campeonatos nacionais não são monótonos porque demoram demais, mas porque temos duas ou três equipes muito acima da média, que atropelam os adversários nas fases classificatórias, sem precisar de muito tempo para isso. Ou seja, o problema não está no tamanho dos sets.

Em vez de focar no cronômetro, é preciso pensar no esporte em si. Isso inclui investimento na formação de atletas, clubes e ligas. Quanto mais competitividade, menos monotonia. É preciso estudar alternativas mais criativas, como quando se decidiu não apenas eliminar a vantagem, mas também validar saque que queima na rede, buscada com o pé e dois toques na primeira bola. Nesse sentido, outras sugestões dos treinadores à Federação, entre eles José Roberto Guimarães, seriam bem-vindas: melhorias no sistema de desafio, menos rigor em lances de dois toques e aumento do limite de substituições de seis para oito.

Mudanças nas regras do vôlei devem partir dele mesmo, dos elementos que definem sua prática e podem torná-la menos óbvia. É um erro submetê-las a fatores externos. 

 
 
 
 
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