Galo em crise 

E agora, Roger? Como o badalado Atlético-MG foi parar na zona de rebaixamento do Brasileirão 

Jornalistas mineiros apontam acúmulo de lesões como um dos fatores importantes para a queda de rendimento da equipe 

15/06/2017 - 15h04min | Atualizada em 15/06/2017 - 15h04min
E agora, Roger? Como o badalado Atlético-MG foi parar na zona de rebaixamento do Brasileirão  Bruno Cantini/Atlético-MG/ Divulgação
Foto: Bruno Cantini / Atlético-MG/ Divulgação  

Quem poderia imaginar que o Atlético-MG, cantado aos quatro ventos como favorito a conquistar o Brasileirão, estaria na zona de rebaixamento após sete rodadas? A última derrota, então, foi ainda mais surpreendente e alimentou rumores sobre a continuidade de Roger Machado no comando da equipe. Na quarta-feira (14), o Galo teve um jogador a mais desde os 40 minutos do primeiro tempo e, mesmo assim, foi derrotado em casa pelo Atlético-PR.

O gol de Sidcley, após falha bisonha do zagueiro Felipe Santana, parece ser o auge de uma crise de atuações e resultados. Ainda assim, há a avaliação de que é preciso minimizar a parcela de culpa de Roger, especialmente pela enorme quantidade de lesões com que teve de lidar.

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— O que mais contribuiu foram as lesões. Se você tira um ou dois do time-base, é uma coisa. Agora, tirar cinco, seis, faz muita diferença. Teve jogo que não tinha a defesa inteira. Temos o costume de colocar muita carga em cima do trabalho do treinador e, assim, aliviamos para quem está em campo executando. Não acho que a culpa seja toda do Roger. O que fazer se ele monta o time que chega na cara do gol e o atacante manda a bola na arquibancada? — questiona Bob Faria, comentarista da Globo Minas.

Ainda que o desperdício de oportunidades seja um problema dos últimos jogos, é a defesa que tem sido o calcanhar de aquiles do Galo. Entre os zagueiros, Leonardo Silva está voltando agora de lesão, e Gabriel, jovem revelação do clube, é outro no estaleiro. Roger tem insistido com Felipe Santana, que vive má fase e irrita o torcedor.

— Ele já comprometeu em lances capitais pelo menos quatro vezes na temporada, inclusive contra o Atlético-PR, com um erro primário. E continua sendo uma opção para jogar. Isso deixa o torcedor aborrecido — completa Faria.

Entre os inúmeros desfalques das últimas semanas, talvez o mais sentido seja o de um jogador que, em um grupo recheado de nomes badalados, passa longe de ser estrela. Adilson, ex-Grêmio, foi importante para dar equilíbrio ao meio-campo no melhor momento do Galo em 2017.

A partir da reta final do Estadual, Roger o firmou ao lado de Rafael Carioca no 4-2-3-1. Elias passou a fazer função mais adiantada, aberto pela direita na linha de três meias. A defesa ficou mais sólida, o time foi campeão do Mineiro e arrancou na fase de grupos da Libertadores para fazer a melhor campanha geral. E aí, Adilson se lesionou.

— O Adilson representava o equilíbrio do time. O Rafael Carioca não é um jogador de marcação, nem o Elias. O Adilson é cabeça de área mesmo. O Atlético não tem uma defesa de confiança. Com a entrada dele, o time ficou equilibrado na marcação. Depois de sete jogos como titular, acabou se machucando — avalia Roger Dias, setorista do Atlético-MG no jornal O Estado de Minas.

Há quem aponte, também, algum desequilíbrio na montagem do grupo, mesmo que seja um dos melhores do país.

— O Atlético não tem jogadores de velocidade. São vários jogadores técnicos, de muita qualidade, mas é difícil encontrar esse jogador mais veloz — avalia Bernardo Lacerda, setorista do clube no jornal O Tempo.

Sem conseguir firmar um substituto para Adilson — que deve ficar pelo menos mais 10 dias fora — e patinando na ponta de baixo da tabela, Roger balança. Seu prazo na casamata do clube pode até ser esticado com os atenuantes das lesões e de seu elogiado trabalho de campo. Mas não por muito tempo.

— A diretoria do Atlético é muito passional, o Daniel Nepomuceno (presidente do clube) é um torcedor fanático. Em duas, três rodadas, se ele não conseguir resultados, pode ser que saia, sim — conclui Dias.

* ZH Esportes


 
 
 
 
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