De fora da área

João Praetzel: respeitem Bellucci

Jornalista defende o tenista brasileiro de críticas aos seus resultados

14/07/2017 - 06h03min | Atualizada em 14/07/2017 - 08h55min
João Praetzel: respeitem Bellucci Eric FEFERBERG/AFP
Foto: Eric FEFERBERG / AFP  

Thomaz Bellucci. 29 anos. É apontado como o jogador brasileiro mais técnico desde Gustavo Kuerten. Em seu ápice, foi número 21 no ranking da ATP. Mas a cada torneio disputado, Bellucci é criticado por sua inconstância, tanto em campeonatos, e mais ainda durante as partidas que disputa. Pode vencer o primeiro set e cair vertiginosamente de rendimento no ponto seguinte. Técnica não lhe falta. Em alguns momentos, ele chegou a ser chamado de "pipoqueiro" por especialistas em tênis, mas, antes de qualquer crítica, é importante entender os principais feitos do paulista de Tietê.

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Bellucci chegou às quartas de final em Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, igualando assim o desempenho de Guga na Olimpíada de Sydney, em 2000. Uma das melhores campanhas do Brasil no torneio. No entanto, a comparação com o brasileiro ex-número 1 do mundo surgiu em 2011 no Masters de Madrid. Bellucci eliminou Andy Murray, Tomas Berdych e caiu diante de Novak Djokovic na semifinal. Ali criou-se uma expectativa exagerada sobre seu futuro. Desde o dia 7 de maio de 2011, o paulista teve altos e baixos – mais do que o habitual, há de se admitir. Mas precisamos reconhecer que Thomaz tem o seu valor: é o brasileiro mais bem colocado desde Gustavo Kuerten, detentor de quatro títulos de nível ATP, semifinalista de Masters 1000, dono de cinco vitórias contra top-10 e o tenista número 1 do Brasil na Copa Davis por anos, sendo o salvador da pátria em várias oportunidades.

Ele tem defeitos e não chegará ao nível dos grandes e no hall dos melhores como Guga, mas desprezá-lo é não saber valorizar aqueles que venceram as adversidades em um país que incentiva muito pouco o esporte. É mais um ponto fora da curva, principalmente levando em conta o nível de formação brasileiro. Merece ser lembrado por isso. Que as boas campanhas fiquem na memória do torcedor e sirvam de inspiração para os jovens que ainda acreditam no tênis. Gostem os brasileiros ou não de Thomaz, ele fez história no esporte, mas à sua maneira. Precisamos valorizar quem representa o nosso país ao redor do mundo. Nem todos são campeões com medalhas e troféus em grandes competições, mas todos são vencedores de alguma forma como foram Rubens Barrichello, Fernando Meligeni e outros tantos.

 
 
 
 
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