Série A

"O calendário brasileiro atrapalha o planejamento de eventos na Arena", diz diretor do Atlético-PR 

Luiz Volpato lamenta desorganização da CBF na organização do ano

Por: Lancepress
17/07/2017 - 13h01min | Atualizada em 17/07/2017 - 13h02min
"O calendário brasileiro atrapalha o planejamento de eventos na Arena", diz diretor do Atlético-PR  Divulgação/FIVB
Seleção de vôlei jogou na Arena Foto: Divulgação / FIVB  

Responsável pelos projetos da Arena da Baixada, o diretor do Atlético-PR Luiz Volpato fala à coluna sobre a realização da Liga Mundial de Vôlei no estádio e as polêmicas que envolveram a competição, a instalação do sistema de biometria para facilitar a identificação dos torcedores e aumentar a segurança nos jogos do Furacão, e a redução de custos que o clube obteve ao optar pelo gramado sintético na Arena.

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Qual a avaliação que faz da Liga Mundial de Vôlei na Arena da Baixada?

Os cinco dias de evento ocorreram na maior normalidade e com média de 10 mil pessoas na fase de classificação e 23 mil nas finais. Todos os envolvidos se mostraram satisfeitos e saíram com uma visão muito positiva. Não dá para falar em retorno pois o benefícios que o clube e Curitiba tiveram é intangível, mas é fato que o evento foi superavitário pelo bom público que tivemos.

Mas houve algumas polêmicas em relação à realização da Liga Mundial na Arena.

De negativo o principal foi ter que jogar um jogo da Libertadores (contra o Santos) fora do nosso estádio. Mas foi algo que não podíamos prever pois o contrato para a realização da Liga Mundial foi no final de 2016 e era um momento de decisão sobre a competição ocorrer no Brasil ou não. Mas é consenso de todos que o saldo foi positivo.

E teve também o problema com o frio dentro da Arena. Faltou um melhor planejamento?

Não faltou planejamento. Isso não foi surpresa pois esse assunto foi falado amplamente antes da competição e passamos a média das temperaturas nos últimos anos para a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) e a Federação (FIVB). Era claro que havia uma preocupação nesse sentido pois aquecer um estádio é muito complexo mas veio a decisão de que não haveria um sistema aquecimento.

De quem partiu essa decisão?

Não sei se foi da CBV ou da Federação Internacional, mas do Atlético-PR não foi. Nossa interlocução era sempre com a CBV. Mas essa é uma questão nova pois fazer o aquecimento de uma arena para 10, 15 mil pessoas é muito mais fácil. Com essa primeira experiência em um estádio, talvez comecem a avaliar melhor essa questão.

Como está o planejamento para a Arena? Já há a negociação para outros eventos?

Procura para realizar eventos há muita, como houve da NBA um tempo atrás. Mas não há nada acertado. Um evento dessa magnitude precisa de tempo para ser organizado e o calendário do futebol não ajuda, pois a confirmação das datas ocorre muito perto dos jogos. Um ponto positivo nosso é que a capacidade de transformação da Arena é muito boa, bem eficiente. Mas nem sempre é possível realizar eventos simultâneos.

Você disse que há muita procura por evento. São quantos por mês?

São no mínimo três consultas por mês das mais diversas naturezas, de missa religiosa a um jogo da NBA. A procura é muito maior do que os eventos realizados. Por mais que estamos fora do eixo Rio-SP, a Arena não passa despercebida por ser a única coberta no país. Mas o futebol tem que estar sempre em primeiro lugar.

Na parte externa da Arena, há um grande espaço para estabelecimentos comerciais. Como estão as vendas desses espaços?

Esse Boulevard está completamente pronto e a primeira loja foi implantada que é a loja oficial do Atlético-PR. Já temos três ou quatro contratos assinados de um total de 15 espaços. O clube fez um estudo na região para obter o valor médio do médio quadrado e vamos receber um valor de aluguel e uma taxa sobre o lucro das lojas.

Como está a implementação do sistema de biometria na Arena da Baixada?

O sistema já foi implantado no setor das organizadas e agora estamos colocando em todo o estádio. Junto com o sistema, é preciso colocar um número maior de catracas pois a entrada dos torcedores fica mais demorada, mas esse é o único ponto negativo. Como benefício, teremos um maior controle com identificação mais rápida e simples. Além disso, impede que o cartão de um sócio seja emprestado para um parente ou amigo, o que prejudica a receita do clube.

A opção pelo gramado sintético na Arena foi acertada? Quanto reduziu os custos?

Com essa opção aumentamos para 16 dias o tempo que a cobertura do estádio pode ficar fechada, antes eram apenas sete dias. Além disso, o restabelecimento do gramado após os eventos é imediato. Nossa única despesa com o gramado sintético é a recertificação anual, que custa R$ 240 mil, mas manutenção é zero. E antes tínhamos um custo direto de R$ 1,5 milhão para ter uma gramado em más condições.

 
 
 
 
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